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Maconha não vicia

Vicia, sim, e pode prejudicar sua saúde tanto quanto o álcool ou a cocaína. Mas apenas 10% dos usuários de primeira tragada acabam dependentes

Por Redação Superinteressante Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 25 fev 2011, 22h00 | Atualizado em 31 out 2016, 18h53

Texto Mariana Sgarioni

Muita gente acredita que maconha é uma droga leve, incapaz de criar dependência. Ou que, no máximo, a dependência é psicológica – muito mais fácil, portanto, de ser revertida. Mentira! A maconha vicia, sim. E o dependente, fazendo uso sistemático dessa droga, pode detonar sua saúde tanto quanto o viciado em álcool ou cocaína. Os problemas mais comuns vão de comprometimento temporário da memória recente (leia mais na página 35) a câncer no aparelho respiratório, passando por bronquite e até crises psicóticas.

Pode ser que esse mito tenha origem no fato – já comprovado cientificamente – de que a maconha faz dependentes em número bem menor que o de outras drogas. De acordo com o psiquiatra Dartiu Xavier, coordenador do Programa de Atenção a Dependentes Químicos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), algo entre 6 e 10% dos usuários que experimentam a erva pela primeira vez acabam ficando viciados. Isso é menos que a metade do índice verificado no álcool e no tabaco. E menos que um décimo da taxa estimada para a heroína, que chega aos 90%.

Largar quando quiser

Para o psiquiatra da Unifesp, a dependência de maconha não está tão relacionada às propriedades psicoativas da erva e sua potencial capacidade de viciar, mas principalmente às características do consumidor. Segundo Xavier, o típico candidato a dependente é um sujeito jovem, quase sempre ansioso e eventualmente depressivo. “São pessoas que podem se viciar tanto em maconha quanto em sexo, jogo ou internet.”

Enquanto os usuários de maconha afirmam que conseguirão largar a droga quando bem entenderem, os especialistas concluem que se libertar do vício não é tão simples assim. O pediatra Anthony Wong, diretor do Centro de Assistência Toxicológica da USP, propõe aos dependentes que procuram seu consultório o seguinte desafio: 90 dias sem fumar um único baseado e exame de urina a cada 15 dias para comprovar que a erva não foi consumida. “Nunca houve um que apresentasse resultado negativo”, afirma Wong. “É claro que, depois de certa idade, alguns trocam a maconha por outros interesses. Mas alguns, infelizmente, substituem-na por drogas mais pesadas.”

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