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Natureza morta

Biólogos ingleses foram aonde nenhum outro cientista ousou ir: às entranhas de animais selvagens. A tarefa meio nojenta serve para entender como a evolução desenvolveu o corpo dessas criaturas. As fotos mais incríveis você vê aqui.

Karin Hueck

Lágrimas de crocodilo
Todos os animais dissecados morreram de causas naturais em zoológicos europeus e foram doados para a pesquisa. As autópsias foram feitas em Londres e supervisionadas por Richard Dawkins, o mais famoso evolucionista do mundo. Neste crocodilo, o interesse estava em seu sistema digestório. Os biólogos analisaram os dentes e a mandíbula (abaixo), que só faz movimentos de abre-e-fecha e não mexe para os lados. Investigaram também o estômago do réptil, abastecido por um vaso sanguíneo especial, cheio de sangue com alta concentração de dióxido de carbono. É uma tática para aumentar a acidez dentro do estômago e digerir melhor as presas.

Esse incomodou muita gente
Antes de dissecar o elefante, foi preciso retirar os gases de dentro de sua barriga (quando vivo, cada elefante produz cerca de 2 mil litros de metano por dia). Uma vez livre das flatulências, o time de biólogos passou a examinar as vísceras do paquiderme. Descobriram que, apesar de o animal ingerir 250 quilos de alimentos todos os dias, seus estômago e intestino são relativamente simples. As orelhas são repletas de vasos sanguíneos, que servem para resfriar o animal. E a tromba, quem diria, pesa mais de 110 quilos.

Quanto maior a altura…
O grande mistério da girafa está em seu pescoço e na maneira como ela o sustenta em pé. Apesar do comprimento, ele é composto de apenas 7 vértebras (assim como o nosso). Para conseguir bombear o sangue até o alto da cabeça, o coração da girafa é revestido por músculos extrafortes. Dissecar uma girafa, aliás, era o sonho do biólogo Richard Dawkins. Para ele, esse animal é a prova absoluta de que não há um desenho inteligente por trás da anatomia das espécies, mas apenas a evolução pela adaptação ao ambiente.