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O fim de uma era – e o começo de outra

Editorial da edição de dezembro da SUPER

Denis Russo Burgierman

Um século atrás, em dezembro de 1913, a Ford Motor Company inaugurou a primeira linha de montagem – um trilho no qual carcaças de automóveis iam sendo progressivamente montadas. O carro ficava pronto em apenas uma hora e meia. Nascia ali o nosso atual modelo de mobilidade – carros cada vez mais baratos, produzidos em massa, despejados nas ruas nos quatro cantos do mundo para mover a humanidade. Começava o Século do Carro.

Cem anos depois, bilhões de quilômetros de vias de asfalto preto cortam todas as cidades de todos os países de todos os continentes, dando passagem para 1 bilhão de carros. Como uma vez escreveu o astrônomo Carl Sagan, se um visitante do espaço se aproximasse da atmosfera da Terra, concluiria que os carros são a espécie dominante do planeta.

E as coisas não vão bem. No mundo inteiro, congestionamentos monstruosos deixam evidente a impossibilidade de seguir pelo mesmo caminho – no ano passado, perto de Pequim, um engarrafamento durou 11 dias numa rodovia de 18 pistas. Movemo-nos cada vez mais devagar – a velocidade média de um carro em São Paulo equivale à de uma galinha. E as temperaturas globais estão cada vez mais altas.

Bom, tudo isso você já sabe. O que talvez não saiba é que já existe tecnologia para reinventar o carro. O próximo século será uma nova era de mobilidade. O carro como você conhecia vai deixar de existir. E o que vai surgir no seu lugar é muito mais interessante, como você pode conferir na reportagem que começa na página 41.

Seis anos atrás, em dezembro de 2007, a SUPER chegou às bancas pela primeira vez sem a tradicional moldura vermelha, que já era sua marca registrada fazia 20 anos. Era nossa primeira Edição Verde, uma SUPER inteira cheia de temas ambientais. Foi uma novidade: uma grande publicação brasileira dedicando uma edição toda e 100% de seus recursos editoriais para investigar o tema.
Nos últimos seis anos, a tradição se consolidou e não passou um sem que houvesse uma SUPER verde nas bancas, antecipando assuntos que depois cairiam na boca do povo. Quando resolvemos fazer esta sétima Edição Verde, nos demos conta de que já não fazia mais sentido pintar a moldura de verde. Afinal, a edição tem tanta diversidade de temas – e de cores – quanto qualquer outra. Falamos aqui de história, de tecnologia, de política, de economia, de ciência, como sempre fazemos – e não só de florestas. O verde que incluímos na escala de cores em 2007 hoje está irreversivelmente misturado ao nosso vermelho de sempre.