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Por que as grávidas sentem desejos?

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h47 - Publicado em 15 abr 2011, 22h00

Juliana Calderari

Confirmando suspeitas, uma parte é manha – carente, a gestante busca atenção com delírios gastronômicos. Mas, na verdade, fatores psicológicos não pesam tanto assim. A teoria mais aceita hoje é que aquela secura por salmão com sorvete vem da demanda por nutrientes específicos.

A “desnutrição relativa” não é privilégios das futuras mamães. Ao longo da vida, nosso organismo cria um banco de dados relacionando alimentos e seus nutrientes. Assim, o corpo aprende a pedir leite quando quer cálcio e ovos quando quer zinco, por exemplo. Nas grávidas, esse sentido está ligado no turbo. “A grávida se observa mais, porque se preocupa não só com ela mas também com outra vida”, diz Jocelem Mastrodi Salgado, professora do curso de nutrição e alimentos da USP. Isso explicaria um desejo comum do final da gravidez: carne malpassada. “Muitas mães sofrem anemia no último trimestre de gestação. O organismo pensa em bife sangrando como solução para a falta de ferro”, diz o nutrólogo da Unifesp João César Castro Soares.

Como se não bastasse, as grávidas ainda têm o apetite alterado por hormônios. Substâncias como o HCG (gonadotrofina coriônica humana) e a progesterona, que regulam as funções da gravidez, alteram a composição da saliva, fazendo as comidas ter outro gosto. Isso serviria de explicação para que comidas favoritas passem a ser rejeitadas, e vice-versa, além de favorecer combinações que paladares não grávidos acham ousados.

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