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Por que as pessoas estão ficando cansadas após videoconferências?

As chamadas por vídeo se tornaram rotina para os trabalhadores remotos, mas podem ser mais exaustivas do que reuniões presenciais. Entenda.

Por Carolina Fioratti - 30 abr 2020, 16h59

A pandemia de Covid-19 mudou o funcionamento de diversas empresas ao redor do mundo. Com a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que todos ficassem em casa, foi necessário instaurar o trabalho remoto para aqueles funcionários que teriam pouco ou nada a perder com a prática. 

As pessoas tiveram que se adaptar com tudo que acompanhava o famoso home office, incluindo as inúmeras videoconferências – ou, se preferir, calls. Aplicativos como o Zoom, Skype e Google Hangouts tornaram-se essenciais no dia a dia dos trabalhadores. 

E vale lembrar que não é só no ambiente empresarial que as ferramentas têm sido usadas. São com essas ferramentas que as famílias se conectam, os amigos trocam novidades e muitas aulas acontecem, seja para alunos universitários, do ensino médio, fundamental e até infantil. O que ninguém esperava é que essa simples prática de se encontrar virtualmente poderia ser mais exaustiva do que as próprias reuniões presenciais. 

Por que isso acontece

Há uma explicação para essa “fadiga de Zoom” (“Zoom fatigue”, em inglês), como o cansaço tem sido chamado lá fora. As videoconferência atravessam uma linha que, numa situação considerada normal, seria totalmente evitada.

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Pense: você está numa sala online com a câmera ligada frente a frente com outra pessoa, e a única forma de demonstrar interesse é olhando fixamente para quem fala. Para muitos, esse simples gesto é estressante e embaraçoso, ainda mais sabendo que outras pessoas te olham da mesma forma. Além disso, você está olhando para alguém apenas dos ombros para cima, uma aproximação que jamais aconteceria no mundo real. 

O seu cérebro também não está trabalhando em condições normais. Frente a frente com outras pessoas, em carne e osso, fica fácil avaliar seus movimentos corporais, expressões, respiros que antecedem a fala, entre outros detalhes que possibilitam uma interpretação do outro. Na internet, essa tarefa se torna mais difícil. O vídeo trava, a qualidade nem sempre é perfeita e as mãos ficam fora de cena. Pode não parecer, mas isso exige uma concentração ainda maior de todos os participantes. 

Pense também nas chamadas de grupo. São três ou mais pessoas compartilhando a mesma tela. Seu cérebro procura interpretar todos aqueles rostinhos presentes e mais ainda, os cenários por trás de cada um. É tanta informação que equivale a tentar andar de bicicleta e jogar bola ao mesmo tempo.

Além de todos esses rostos, tem o mais importante: o seu. Você quer parecer interessado, então se olha o tempo todo tentando controlar sua postura, expressão, modo de falar, etc.. 

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Há ainda um item que fica no meio de todas essas coisas: a distração. Durante uma chamada, é possível checar o e-mail, dar uma olhada no WhatsApp ou ler uma notícia, tudo em questão de segundos. Em uma reunião presencial, você não teria seu celular em mãos para ir fazendo tais “adiantamentos”.

Quem trabalhar em casa e sem um cômodo para escritório, como é o caso de muitas pessoas, tem que lidar também com a distração das próprias famílias. Pedir silêncio, desligar as televisões, lutar contra o barulho do aspirador…É exaustivo ter que balancear a vida pessoal com a vida profissional. 

Como evitar a fadiga

Na última quarta (29), a Harvard Business Review divulgou um manual de como combater o problema da exaustão. Então, sem neura. Com algumas práticas simples você pode tornar esse momento de tensão mais natural. 

Em primeiro lugar, evite fazer várias coisas ao mesmo tempo. Ao entrar em uma videoconferência, feche todas as abas de seu dispositivo e deixe o celular longe. Tente se concentrar na chamada sem ter outros empecilhos no caminho. Aquela notificação de mensagem pode esperar alguns minutinhos. 

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Se você tem várias reuniões por dia, tire intervalos de cinco ou dez minutos entre elas. Aproveite esse momento para andar pela casa, beber água e descansar. Além disso, não tenha medo dentro das próprias reuniões de sugerir que a câmera seja desligada ou de minimizar a tela para se concentrar apenas nas vozes enquanto olha para o fundo vazio do computador. Tire um tempo para o seu cérebro descansar. 

Por fim, avalie se a call é realmente necessária. Muitas vezes é possível zerar alguns assuntos com um simples e-mail, aplicativo de mensagens ou com uma ligação por celular. Sugira esses outros métodos para seus colegas de profissão. Outra dica interessante é andar enquanto conversa em chamadas telefônicas, pois isso ativa a criatividade e auxilia na concentração. 

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