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Quais são as principais táticas dos guarda-costas?

Evitar o combate, ser discreto e agir preventivamente.

Por Ana Paula Corradini Atualizado em 9 jan 2018, 17h24 - Publicado em 31 mar 2002, 22h00

A orientação básica para uma escolta pessoal é ser discreta e agir preventivamente. “O profissional deve, antes de tudo, evitar o combate, em nome da vida do cliente e da própria”, afirma Roberto Costa, coordenador do curso de Segurança da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo. A vigilância em permanente estado de alerta exige, ainda, a capacidade de reconhecer perigos potenciais, antes que eles aconteçam. “Estudamos o perfil psicológico e o comportamento de possíveis agressores, para não sermos surpreendidos por eles”, diz Mirza David, fundador da International Security School, em Herzeliya, Israel, considerada a melhor academia de treinamento de guarda-costas do mundo. Uma técnica fundamental é a chamada leitura corporal: saber identificar posturas e gestos suspeitos.

Apesar de o segurança andar armado, quando o confronto é inevitável vale mais seu bom preparo físico e o treinamento em artes marciais como o aikidô – de golpes curtos mas eficientes, para colocar o oponente fora de combate sem dar na vista. Nem sempre, porém, os seguranças devem permanecer invisíveis. “Em alguns eventos públicos, pode ser importante que eles se mostrem como uma presença intimidatória”, afirma Roberto. O exato oposto dessa tática ocorre na escolta de celebridades, que requer sensibilidade para perceber o limite entre o toque de um admirador e a agressão. “É preciso agir de uma forma mais simpática, sem ofender os fãs nem chamar a atenção da imprensa”, diz Paulo Albuquerque, instrutor da Kombato, no Rio de Janeiro, que treina os seguranças da maioria das estrelas da TV.

As táticas

Segurança sobre rodas

Sempre há um carro de apoio para dar cobertura ao automóvel que transporta o cliente. O chefe da equipe vai no banco do passageiro, com visão e campo de tiro de 180 graus. Os retrovisores dão ao motorista uma visão de 360o, mas ele não pode atirar. Já os colegas do banco de trás sentam-se de costas um para o outro, com visão de 90 graus.

1 – Os dois carros devem ser blindados e idênticos, para confundir os agressores. O veículo de apoio anda sempre em segunda ou terceira marcha, para facilitar freadas ou arrancadas bruscas

2 – O carro de apoio vê um veículo estranho se aproximando e começa a fazer uma curva aberta, deixando o carro do cliente passar por dentro

3 – Esse mesmo veículo fecha a passagem do possível seqüestrador, impedindo que ele aborde o carro protegido. As janelas de trás devem estar sempre abertas, caso seja necessário atirar

4 – Enquanto o carro de apoio enfrenta o inimigo, o outro ganha tempo para fugir em disparada por uma rota alternativa, despistando os bandidos

Muralha humana

Equipe de seguranças fecha cerco estratégico em torno do cliente

1 – O trio de guarda-costas forma um V, cada um com visão de 180o à frente e nas laterais do cliente. Eles mantêm o paletó aberto caso necessitem sacar rapidamente suas armas

2 – Surpreendidos por um agressor, eles correm para a frente do cliente, formando uma barreira para protegê-lo. O segurança que fica atrás, chamado de “mosca”, é o único que pode tocar o protegido. Ele usa uma técnica inspirada no aikidô para abaixar o cliente, reduzindo sua exposição ao perigo

3 – Antes que o atacante consiga atirar, ele já está dominado e recebe a ordem de se entregar. Protegido pela parede humana, o cliente é levado pelo “mosca” para longe da linha de fogo

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4 – Chamado de “satélite”, um quarto segurança se mantém afastado do grupo e da atenção do agressor. Ele pode substituir um de seus colegas e também age como reforço externo

Kit bem prevenido

Alguns itens básicos compõem o arsenal do guarda-costas

O terno escuro é para situações formais. Se o cliente estiver de roupa esporte, o segurança pode usar o mesmo

A lanterna costuma ser usada para checar se há algo suspeito debaixo do carro ou para iluminar fugas

A pistola calibre .380 é um dos raros modelos permitidos para a segurança pessoal. Outra opção é o calibre 38

O canivete suíço é velho conhecido por suas diversas utilidades, como cortar cordas e reparos de emergência

Os óculos escuros reforçam a discrição do agente de segurança: não dá para ver para onde ele está olhando

O colete à prova de balas agüenta até tiros à queima-roupa, dependendo do tipo de armamento

O rádio preso à cintura, mais o fone de ouvido, garantem a comunicação com os colegas

Uma carga de munição reserva também não pode faltar. Fixada ao cinto, ela é facilmente acessada

Deixa que é minha!

Um braço para proteção, outro para o contra-ataque

Antes mesmo de o cliente perceber que está sendo alvo de um ataque, o segurança já sacou sua arma. Ele precisa de boa coordenação motora e reflexos ágeis para simultaneamente jogar o outro braço para trás, para manter o cliente atrás de si

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