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Quais serão os próximos países a surgir no mapa?

Solon Brochado

Um mundo globalizado é, por definição, um mundo sem fronteiras. No entanto, há cada vez mais territórios querendo criar as suas. E esses movimentos separatistas não estão apenas em estados falidos como Sudão e Angola, mas em paraísos burgueses como Canadá e Dinamarca, como você confere no mapa ao lado.

O culpado é o de sempre: o capitalismo. “Comércio livre e separatismo político andam de mãos dadas”, analisa Alberto Alesina, cientista político da Universidade Harvard. Jason Sorens, que estuda o assunto na Universidade de Buffalo (EUA), acrescenta: “Um mercado global permite que até povos pequenos criem países viáveis, integrados economicamente”.

E não estranhe se alguma das bandeiras do mapa ao lado for parar no Rio-2016 sem guerras civis ou vinganças diplomáticas: a integração também faz com que o país antigo não sinta tanta falta do território perdido, permitindo separações amigáveis.

Mocidade independente
Os 10 territórios com mais chance de se tornarem novos países e 2 que devem recriar um antigo

Quebec
Potencial de mudança geográfica em cada região: Alto
Hoje do: Canadá.
População: 8 milhões.

Há 40 anos a ex-colônia francesa pressiona, com partidos e referendos, por algum tipo de independência, mesmo que mantendo laços com o Canadá britânico.

Groenlândia
Potencial de mudança geográfica em cada região: Muito alto
Hoje da: Dinamarca.
População: 60 mil.

A ilha, já soberana em questões jurídicas e de governo, adotou oficialmente o kalaallisut – língua esquimó, como 90% dos groenlandeses.

Catalunha
Potencial de mudança geográfica em cada região: Alto
Hoje da: Espanha.
População: 7 milhões.

A concessão de autonomia do governo espanhol às províncias aquietou os separatistas bascos, mas atiçou os catalães, que lutam, dentro do sistema, para que Barcelona seja a capital de um novo país.

Santa Cruz
Potencial de mudança geográfica em cada região: Médio
Hoje da: Bolívia.
População: 2,5 milhões.

Rica em gás natural, a região lidera a oposição às reformas socializantes de Evo Morales. Se as divergências aumentarem, a região pode seguir seu próprio caminho.

Escócia
Potencial de mudança geográfica em cada região: Alto
Hoje do: Reino Unido.
População: 5 milhões.

A independência seria inevitável, não fossem algumas lambanças do provinciano Parlamento local, que ainda deixa os escoceses receosos.


Saara Ocidental
Potencial de mudança geográfica em cada região: Alto
Hoje do: Marrocos.
População: 500 mil.

Ex-colônia espanhola, desde 1975, nunca foi de fato do Marrocos, que está cedendo à guerrilha pró-independência.

Crimeia
Potencial de mudança geográfica em cada região: Médio
Hoje da: Ucrânia.
População: 2 milhões.

A península pressiona para sair da Ucrânia e viver à sombra da Rússia, de onde vêm 2/3 de seus habitantes e para a qual emprestou, até 2017, parte do território e uma base naval.

Curdistão
Potencial de mudança geográfica em cada região: Médio
Hoje de: Irã, Iraque, Síria e Turquia.
População: 25 milhões.

Desde a invasão do Iraque, os curdos são tratados como aliados do Ocidente, o que fortaleceu a luta pela independência da região onde são maioria, espalhada por 4 países.

Cabinda
Potencial de mudança geográfica em cada região: Alto
Hoje de: Angola.
População: 300 mil.

É de lá que vêm 80% do petróleo que impulsiona a reconstrução de Angola. Separada geograficamente do país, a região ainda tem grupos armados que reivindicam sua independência.

Sudão do Sul
Potencial de mudança geográfica em cada região: Muito alto
Hoje do: Sudão.
População: 8 milhões.

Em 2011, o sul, de negros cristãos e animistas, vai às urnas para dizer se permanece unido ao norte, de árabes muçulmanos. Após 22 anos de guerra civil, 2 milhões de mortos e 4 milhões de refugiados, a independência é uma barbada.

Coreia
Potencial de mudança geográfica em cada região: Alto
Hoje: dois países independentes.
População: 75 milhões.

Contrariando a tendência mundial de separação, a reunião das Coreias do Norte e do Sul, com predominãncia da última, parece questão de tempo. O prazo é prolongado pela longevidade da ditadura de Kim Jong-Il e por temores dos vizinhos da nova potência.