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Segurar a fumaça no pulmão aumenta o efeito da droga

Conversa de maconheiro desinformado. O que esse hábito potencializa é o mal provocado ao sistema respiratório

A maioria dos usuários de maconha aprendeu, quando fumou seus primeiros baseados, que segurar a fumaça nos pulmões potencializa o efeito da droga. Quanto mais tempo o sujeito prendesse a respiração, mais doido ele ficaria. Que asneira! Isso potencializa alguma coisa, sim: o mal provocado à saúde. E só.

“Estudos indicam que 95% do THC [princípio ativo da Cannabis] é absorvido nos primeiros segundos da inalação”, afirmam as pesquisadoras americanas Annie Bleecker e Annie Malcolm, autoras do livro Health Information for People Who Use Cannabis (“Informações de Saúde para Pessoas Que Usam Cannabis”, inédito no Brasil). “Portanto, segurar a fumaça por mais tempo só vai aumentar a exposição dos pulmões aos gases tóxicos, nada além disso.”

Em 2007, cientistas do programa de controle do tabaco nos EUA analisaram em laboratório a fumaça da maconha e encontraram nela uma quantidade de amônia equivalente a 20 cigarros convencionais. Os níveis de cianeto de hidrogênio e óxido nítrico verificados também eram elevados – concentrações de 3 a 5 vezes maiores que a presente no tabaco. Todas essas substâncias, obviamente, são nocivas à saúde, e atacam ainda mais os pulmões quando o usuário segura a fumaça. “É ruim para todo o sistema cardiovascular”, diz o médico Ciro Kirchenchtejn, professor de pneumologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Os alvéolos pulmonares são especialmente lesados. Isso vai dificultando cada vez mais a absorção de oxigênio para o organismo.”

Outro estudo, dessa vez feito na Nova Zelândia em 2008, reforça o perigo representado por longas e profundas tragadas num cigarro de maconha. De acordo com os cientistas neozelandeses, esse hábito facilita o depósito de substâncias cancerígenas nas vias aéreas. E mais: “Quem fuma a droga desse jeito termina com 5 vezes mais monóxido de carbono na corrente sanguínea que os tabagistas”, afirma Richard Beasley, um dos coordenadores do estudo.