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Telemorketing

Empresa americana ganha dinheiro telefonando para doentes à beira da morte. Ela diz que seu objetivo é ajudar essas pessoas. Mas também há outra razão

Por Carlo Cauti e Bruno Garattoni Atualizado em 13 jul 2017, 13h50 - Publicado em 8 fev 2015, 22h00

Imagine que você está em casa, deitado, pensando no futuro. Tem câncer avançado, e poucos meses de vida. O telefone toca. É um atendente de telemarketing. Você não o conhece, mas ele sabe muito sobre você: seu nome, seu plano de saúde, sua doença. Não está vendendo nada, só quer conversar e ajudá-lo a tomar as melhores decisões sobre o seu futuro. Ele não diz, mas também tem outro objetivo: convencer você a recusar determinados tratamentos, para que o seu plano de saúde gaste menos dinheiro.

Esse é o negócio da empresa americana Vital Signs, com 50 funcionários especializados em fazer telemarketing para doentes terminais. Ela é contratada pelos planos de saúde, que ganham com isso – em 2014, a Vital Signs diz ter convencido 10 mil pacientes a alterar seus tratamentos, economizando US$ 100 milhões para os planos. A prática tem sido criticada por médicos dos EUA, que consideram reprovável induzir os doentes a tomar decisões. A Vital Signs se defende alegando que, quando não há chance de cura, faz sentido interromper tratamentos que só provocarão sofrimento. “As pessoas com doenças graves costumam ser passivas. Não tentam retomar o controle de suas vidas”, diz o CEO da empresa, Michell Daitz. Para ele, encarar a morte de forma honesta pode melhorar a vida do doente. E gerar lucro.

Imagem: Otávio Silveira

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