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Vem aí o superbafômetro

Ele revela o uso de maconha, cocaína e outras drogas; e também pode ajudar a prevenir doenças

Circe Bonatelli

Depois de perseguir os motoristas bêbados, agora as autoridades de trânsito vão ganhar uma arma contra os drogados. Cientistas da Holanda e da Inglaterra acabam de inventar um aparelho portátil capaz de detectar quase instantaneamente o consumo de vários tipos de droga. Basta dar uma cuspidinha (o aparelho usa uma biqueira descartável) e o resultado sai em no máximo 90 segundos – muito mais rápido que os testes atuais, que demoram pelo menos 10 minutos e por isso são considerados pouco viáveis para o policiamento de trânsito. A novidade é uma tecnologia que usa nanopartículas de ferro para isolar e identificar as moléculas de droga (veja mais ao lado). O superbafômetro, cujo preço ainda não foi definido, já está sendo testado pela Polícia Militar do Rio de Janeiro – que manifestou interesse em comprar várias unidades do aparelho quando ele for lançado, no 2o semestre.

Além de revelar o uso de drogas, o superbafômetro também poderá ajudar a diagnosticar doenças. Em testes feitos pelos criadores do aparelho, ele se mostrou capaz de medir com precisão o nível de troponina 1, proteína cuja elevação está relacionada a ataques cardíacos – coisa que até então só era possível detectar em laboratório. Pacientes com alto risco de problemas no coração poderão se prevenir fazendo diariamente o teste em casa. “Não será mais necessário ir ao hospital”, afirma Marcel van Kastell, diretor do Departamento de Imunoensaios Portáteis da Philips, na Holanda, que criou a tecnologia.

Se o superbafômetro vier a ser adotado no Brasil, os motoristas não serão obrigados a passar pelo teste. Os suspeitos poderão ser encaminhados à delegacia e ao Instituto Médico Legal, para aí sim se submeterem a um exame de sangue tradicional. Tudo exatamente como nas atuais blitze contra o álcool. “A lei diz que ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo. E essa regra também poderá ser aplicada ao novo bafômetro”, explica Ana Elisa Bechara, professora de direito da USP. Mas as chances de escapar dando uma de enrolão são pequenas, pois as drogas ficam no corpo por muito tempo: a cocaína, por exemplo, demora até 72 horas para deixar completamente o organismo.

Pega-moléculas
Processo usa saliva, ímãs e uma câmera

1. Cuspida

A pessoa cospe num cartucho descartável. Ele é conectado ao aparelho, que tem nanopartículas de ferro com receptores para vários tipos de droga. Se houver moléculas de droga na saliva, elas se ligam às nanopartículas de ferro.

2. Magnetismo

Alguns segundos depois, um ímã é acionado e puxa as nanopartículas para baixo. Elas ficam presas num sensor, junto com as moléculas de droga.

3. Resultado

Um feixe de luz é projetado sobre a parede do sensor e refletido para uma câmera. As moléculas de droga absorvem parte dessa luz. O aparelho analisa a forma e a intensidade da luz resultante, e a partir disso deduz qual é a droga e sua concentração no corpo.