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A coragem de pedir ajuda – SUPER entrevista Amanda Palmer

Por anos, Amanda Palmer foi uma cantora independente e pobre, apaixonada por música e que fazia de tudo para agradar seu público. Aí ela resolveu pedir ajuda aos fãs para arrecadar dinheiro: conseguiu mais de US$ 1 milhão. Será que ela é o futuro da música?

Por Denis Russo Burgierman Atualizado em 31 out 2016, 18h52 - Publicado em 28 jul 2013, 22h00

 

Você acabou de fazer uma palestra no TED que foi o maior sucesso do dia. [O vídeo – http://abr.io/IQ2L – já foi visto 2 milhões de vezes.] Como foi?
Fói ótimo. A maior diferença entre isso e um show meu é que este pessoal não me conhece. Eles conhecem Bono, que também falou aqui, mas 95% destas pessoas não sabem quem eu sou, então dá muito mais medo. Quando eu toco para os meus fãs é como tocar para minha família, eles me conhecem, estão ao meu lado.

Você está se dando bem enquanto a indústria da música está desmoronando. Você é a salvação da indústria?
Bom, indústrias são um monte de pessoas. Dizem por aí que eu sou contra as gravadoras, mas eu não sou. Uma gravadora é um escritório cheio de pessoas. Há algumas boas e outras más, outras que são boas num dia e más em outro. O que importa são as pessoas, não as indústrias.

Você foi rejeitada pelas gravadoras, mas, agora, com a arrecadação bem-sucedida e o TED, talvez elas voltem a procurar você. E se oferecerem um contrato?
Eu quero fazer música e quero ter o controle. Geralmente, perde-se o controle quando se assina com grandes gravadoras, e acaba não valendo a pena, mesmo que a grana seja maior. Eu tenho uma boa ideia de quem são os meus fãs, o tipo de música que eu quero fazer, como eu quero que o conjunto fique. Se uma gravadora mágica vier e me disser “aqui está todo controle para fazer o que quiser e aqui estão US$ 1 milhão”, claro, eu assinaria esse contrato. Mas isso nunca acontece.

Você quer fazer sucesso?
As coisas na minha carreira cresceram num ritmo lento e eu gosto disso, meu objetivo não é ficar famosa, e sim estar feliz. Ver a minha carreira crescer devagar e nunca cair é ótimo, tocar em shows incríveis e poder me conectar com meus fãs é ótimo. Eu tenho o que eu quero. Eu não sei se eu seria feliz se eu fosse Bono. Ontem saímos juntos, fomos a um bar, ele estava com uma equipe de seguranças. Eu não quero viver dessa forma. Eu quero poder ir tomar um café. Para mim, isso é uma melhor qualidade de vida. Nada contra Bono, claro.

Você pediu US$ 100 mil e acabou arrecadando 1,2 milhão. O que fez com o resto?
Gastei mais, para o show ficar melhor e o disco ficar incrível.

Devíamos levar você para tocar e falar no Brasil…
Você pode me fazer um favor pessoal? Eu quero muito tocar no Brasil e nenhum produtor quer me levar lá, porque eu não tenho gravadora nem organização nem contatos. Mas eu tenho muitos fãs lá, quero muito ir, minha banda quer muito ir. Recebo tweets todos os dias de fãs pedindo para eu ir ao Brasil. Me ajude!

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