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A História do Rock – Novo Metal

Iron e Metallica trazem mais peso à música. Guns e Bon Jovi tomam conta das paradas com o hardrock oitentista.

 (PYMCA/Getty Images)

A segunda onda do heavy metal começou quando a primeira ainda não havia acabado – lá por meados dos anos 1970.
Se muitos dos pioneiros do rock pesado não se encaixavam no rótulo – Led Zeppelin era muito mais do que uma banda de hard rock –, a geração seguinte vestiu o figurino metaleiro sem nenhum pudor.

Literalmente falando, o visual desse pessoal foi uma de suas características mais marcantes. Calças justíssimas, jaquetas de couro, coturnos, tachinhas e todo o arsenal sado-masô.

Outra vertente, apelidada de hair metal, emprestava a maquiagem do glam rock e a combinava com uma cabeleira armada por toneladas de laquê.
No som e na temática, a maior referência para a new wave of heavy metal foi o Black Sabbath. A pauleira e a distorção admitiam pouquíssimas concessões – em geral, uma balada ou um número instrumental. O satanismo de filme B, com monstros cavernosos, múmias e lobisomens, dominou as capas de discos.

Foi a partir desse movimento que o metal se multiplicou em inúmeros subgêneros: black metal, speed metal, death metal, nu metal e até o viking metal.

O Metallica começou como uma banda de trash metal e seu terceiro disco, Master of Puppets, de 1986, é sempre citado como um dos melhores desse estilo mais rápido e mais agressivo que o metal tradicional. Mas foi quando desacelerou suas músicas e se rendeu ao heavy que a banda estourou mundialmente. Era 1991 e o disco homônimo que ficou conhecido como Black Album teve cinco singles de sucesso, como “Enter Sandman” e “Nothing Else Matters”, e vendeu 16 milhões de cópias nos EUA. O Metallica é sempre lembrado por ter investido contra o primeiro serviço de download ilegal de músicas a se espalhar pelo mundo, o Napster, que, de certa forma, daria origem aos serviços streaming de hoje. A banda ainda estrelou o curioso documentário Some Kind of Monster (2004), no qual revelou suas entranhas durante a gravação de um álbum. A internação do vocalista e guitarrista James Hatfield por abuso de álcool e drogas levou o grupo a contratar uma espécie de psicólogo para melhorar as relações entre os integrantes.

O Metallica começou como uma banda de trash metal e seu terceiro disco, Master of Puppets, de 1986, é sempre citado como um dos melhores desse estilo mais rápido e mais agressivo que o metal tradicional. Mas foi quando desacelerou suas músicas e se rendeu ao heavy que a banda estourou mundialmente. Era 1991 e o disco homônimo que ficou conhecido como Black Album teve cinco singles de sucesso, como “Enter Sandman” e “Nothing Else Matters”, e vendeu 16 milhões de cópias nos EUA. O Metallica é sempre lembrado por ter investido contra o primeiro serviço de download ilegal de músicas a se espalhar pelo mundo, o Napster, que, de certa forma, daria origem aos serviços streaming de hoje. A banda ainda estrelou o curioso documentário Some Kind of Monster (2004), no qual revelou suas entranhas durante a gravação de um álbum. A internação do vocalista e guitarrista James Hatfield por abuso de álcool e drogas levou o grupo a contratar uma espécie de psicólogo para melhorar as relações entre os integrantes. (Fin Costello/Getty Images)

Maior banda brasileira de metal de todos os tempos, o Sepultura é também a que mais teve sucesso internacional. E seus discos não frequentaram apenas revistas de rock obscuras, mas jornais importantes como o New York Times (que elogiou Chaos A.D., de 1993) e o Los Angeles Times (que fez o mesmo com Roots em 1996). Ao lado dos anteriores Beneath the Remains (1989) e Arise (1991), esses discos formam a pedra fundamental do Sepultura, cujas canções de speed metal (subgênero rapidíssimo e difícil de tocar) passaram a ter influências de tambores indígenas e a tratar de problemas brasileiros, apesar de as letras serem cantadas em inglês. Em 1996, a saída do guitarrista e vocalista Max Cavalera encerrou a era mais influente da banda. O americano Derrick Green assumiu os vocais e Andreas Kisser ficou sendo o único guitarrista. Dez anos depois, o Sepultura sofreu outro baque quando Igor Cavalera também se desligou, restando Kisser e o baixista Paulo Jr. da formação original de Belo Horizonte. A banda seguiu lançando discos a cada dois ou quatro anos e, se sua influência internacional foi decrescendo, o mesmo não se pode dizer da base de fãs brasileiros, sempre um trunfo para o Sepultura.

Maior banda brasileira de metal de todos os tempos, o Sepultura é também a que mais teve sucesso internacional. E seus discos não frequentaram apenas revistas de rock obscuras, mas jornais importantes como o New York Times (que elogiou Chaos A.D., de 1993) e o Los Angeles Times (que fez o mesmo com Roots em 1996). Ao lado dos anteriores Beneath the Remains (1989) e Arise (1991), esses discos formam a pedra fundamental do Sepultura, cujas canções de speed metal (subgênero rapidíssimo e difícil de tocar) passaram a ter influências de tambores indígenas e a tratar de problemas brasileiros, apesar de as letras serem cantadas em inglês. Em 1996, a saída do guitarrista e vocalista Max Cavalera encerrou a era mais influente da banda. O americano Derrick Green assumiu os vocais e Andreas Kisser ficou sendo o único guitarrista. Dez anos depois, o Sepultura sofreu outro baque quando Igor Cavalera também se desligou, restando Kisser e o baixista Paulo Jr. da formação original de Belo Horizonte. A banda seguiu lançando discos a cada dois ou quatro anos e, se sua influência internacional foi decrescendo, o mesmo não se pode dizer da base de fãs brasileiros, sempre um trunfo para o Sepultura. (Gabe Ginsberg/Getty Images)

Após alcançar a fama cantando em três discos do Deep Purple, David Coverdale partiu em carreira solo e logo passou a liderar o Whitesnake, fazendo um metal de grande apelo comercial. O álbum homônimo de 1987, que trazia duas músicas regravadas do disco de 1982 (“Here I Go Again” e “Crying in the Rain”), estourou nos EUA e transformou a cabeleira de Coverdale em estrela mundial. Com muitas mudanças de músicos a cada álbum, o cantor é o único membro original do Whitesnake, que acaba de lançar um disco de grande sucesso na Inglaterra. Flesh & Blood, deste ano, chegou ao sétimo lugar nas paradas inglesas.

Após alcançar a fama cantando em três discos do Deep Purple, David Coverdale partiu em carreira solo e logo passou a liderar o Whitesnake, fazendo um metal de grande apelo comercial. O álbum homônimo de 1987, que trazia duas músicas regravadas do disco de 1982 (“Here I Go Again” e “Crying in the Rain”), estourou nos EUA e transformou a cabeleira de Coverdale em estrela mundial. Com muitas mudanças de músicos a cada álbum, o cantor é o único membro original do Whitesnake, que acaba de lançar um disco de grande sucesso na Inglaterra. Flesh & Blood, deste ano, chegou ao sétimo lugar nas paradas inglesas. (Santiago Bluguermann/Getty Images)

As letras do Slayer falam de assassinatos, torturas, genocídios, satanismo, terrorismo, guerra e Josef Mengele. Isso fez com que diversos de seus álbuns fossem banidos em lojas e a banda sofresse uma série de processos judiciais. Mesmo assim, ou talvez por isso mesmo, tornou-se um dos grandes representantes do trash metal americano. Seu terceiro álbum, Reign in Blood, de 1986, aparece em qualquer lista dos melhores discos de metal de todos os tempos.

As letras do Slayer falam de assassinatos, torturas, genocídios, satanismo, terrorismo, guerra e Josef Mengele. Isso fez com que diversos de seus álbuns fossem banidos em lojas e a banda sofresse uma série de processos judiciais. Mesmo assim, ou talvez por isso mesmo, tornou-se um dos grandes representantes do trash metal americano. Seu terceiro álbum, Reign in Blood, de 1986, aparece em qualquer lista dos melhores discos de metal de todos os tempos. (Theo Wargo/Getty Images)

Inspirados pela toxina letal de mesmo nome, o Anthrax surgiu em Nova York como a única das quatro grandes bandas de trash metal da costa leste americana. As outras três, Metallica, Megadeth e Slayer, são da Califórnia. Seu terceiro álbum, Among the Living (1987), é festejado até hoje como o melhor do Anthrax por seu séquito de fãs. Nos anos 1990, a banda experimentou com outros gêneros, como o hip hop. Após um período de baixa, o vocalista da formação clássica, Joey Belladonna, retornou para gravar os dois últimos discos. Worship Music (2011) e For All Kings (2016) recolocaram a banda nas paradas.

Inspirados pela toxina letal de mesmo nome, o Anthrax surgiu em Nova York como a única das quatro grandes bandas de trash metal da costa leste americana. As outras três, Metallica, Megadeth e Slayer, são da Califórnia. Seu terceiro álbum, Among the Living (1987), é festejado até hoje como o melhor do Anthrax por seu séquito de fãs. Nos anos 1990, a banda experimentou com outros gêneros, como o hip hop. Após um período de baixa, o vocalista da formação clássica, Joey Belladonna, retornou para gravar os dois últimos discos. Worship Music (2011) e For All Kings (2016) recolocaram a banda nas paradas. (Divulgação/Reprodução)

O Guns nunca primou pela humildade. Axl Rose, o vocalista, é um encrenqueiro nato, tem opiniões controversas e é a encarnação da antipatia – numa passagem por São Paulo, o roqueiro atirou uma cadeira do mezanino do hotel, sobre repórteres que faziam plantão no lobby. Essa é a parte folclórica, que chega a ser engraçada. Depois de Appetite for Destruction (1987), o álbum que trouxe os hits “Welcome to the Jungle” e “Sweet Child O’ Mine”, a gravadora aproveitou o sucesso e lançou G N’ R Lies (1989). Tratava-se de uma demo de 1986 e mais quatro músicas novas, acústicas. Foi um sucesso instantâneo, com destaque para a baladona assobiada “Patience”. Aí o negócio começou a degringolar. O próximo lançamento, Use Your Illusion, demoraria mais dois anos para aparecer. O que atrasou o disco foram os problemas dos guitarristas Slash e Izzy Stradlin com heroína, e o distanciamento cada vez maior entre Axl e o resto da banda. E não era um disco comum. Era um álbum duplo em CD – mania de grandeza da turma do metal e do progressivo nos anos 1970 – vendido separadamente, com músicas longas e cansativas. Em vinil, eram dois álbuns duplos. Após o divertido projeto The Spaghetti Incident?, uma coletânea de covers, Slash e o baixista Duff McKagan desembarcaram. E aí Axl Rose embarcou na empreitada mais absurda da história do rock. Passou 17 anos burilando Chinese Democracy, que não fez 10% do estardalhaço que teria caso fosse feito em alguns meses.

O Guns nunca primou pela humildade. Axl Rose, o vocalista, é um encrenqueiro nato, tem opiniões controversas e é a encarnação da antipatia – numa passagem por São Paulo, o roqueiro atirou uma cadeira do mezanino do hotel, sobre repórteres que faziam plantão no lobby. Essa é a parte folclórica, que chega a ser engraçada. Depois de Appetite for Destruction (1987), o álbum que trouxe os hits “Welcome to the Jungle” e “Sweet Child O’ Mine”, a gravadora aproveitou o sucesso e lançou G N’ R Lies (1989). Tratava-se de uma demo de 1986 e mais quatro músicas novas, acústicas. Foi um sucesso instantâneo, com destaque para a baladona assobiada “Patience”. Aí o negócio começou a degringolar. O próximo lançamento, Use Your Illusion, demoraria mais dois anos para aparecer. O que atrasou o disco foram os problemas dos guitarristas Slash e Izzy Stradlin com heroína, e o distanciamento cada vez maior entre Axl e o resto da banda. E não era um disco comum. Era um álbum duplo em CD – mania de grandeza da turma do metal e do progressivo nos anos 1970 – vendido separadamente, com músicas longas e cansativas. Em vinil, eram dois álbuns duplos. Após o divertido projeto The Spaghetti Incident?, uma coletânea de covers, Slash e o baixista Duff McKagan desembarcaram. E aí Axl Rose embarcou na empreitada mais absurda da história do rock. Passou 17 anos burilando Chinese Democracy, que não fez 10% do estardalhaço que teria caso fosse feito em alguns meses. (Kevin Mazur/Getty Images)

Quando surgiu, na primeira metade dos anos 1980, o Bon Jovi era uma típica banda de hair metal. Usavam cabelos longos e armados com laquê, rosto maquiado, adereços gigantes e roupas de Sidney Magal – algo como o Kiss na fase em que dispensou as máscaras. Mas a dupla ítalo-americana formada pelo cantor Jon Bon Jovi (apelido de John Bongiovi Jr.) e o guitarrista Richie Sambora era muito mais esperta do que os outros cabeludos da época – como o Ratt e o Wasp. Logo o Bon Jovi se descolou dessa galera e entrou para o superestrelato com o disco Slippery When Wet, de 1986. O álbum trazia aqueles que são até hoje os maiores hinos da banda: “You Give Love a Bad Name” e “Livin’ On a Prayer”. Ambas as faixas foram criadas em parceria com Desmond Child, um compositor profissional que trabalhou para artistas tão díspares quanto Alice Cooper e Ricky Martin. Entre separações e reencontros, os amigos Jon e Richie se firmaram como o maior produto cultural de New Jersey, depois de Bruce Springsteen e de Tony Soprano.

Quando surgiu, na primeira metade dos anos 1980, o Bon Jovi era uma típica banda de hair metal. Usavam cabelos longos e armados com laquê, rosto maquiado, adereços gigantes e roupas de Sidney Magal – algo como o Kiss na fase em que dispensou as máscaras. Mas a dupla ítalo-americana formada pelo cantor Jon Bon Jovi (apelido de John Bongiovi Jr.) e o guitarrista Richie Sambora era muito mais esperta do que os outros cabeludos da época – como o Ratt e o Wasp. Logo o Bon Jovi se descolou dessa galera e entrou para o superestrelato com o disco Slippery When Wet, de 1986. O álbum trazia aqueles que são até hoje os maiores hinos da banda: “You Give Love a Bad Name” e “Livin’ On a Prayer”. Ambas as faixas foram criadas em parceria com Desmond Child, um compositor profissional que trabalhou para artistas tão díspares quanto Alice Cooper e Ricky Martin. Entre separações e reencontros, os amigos Jon e Richie se firmaram como o maior produto cultural de New Jersey, depois de Bruce Springsteen e de Tony Soprano. (Ron Galella/Getty Images)

Quem poderia imaginar que uma banda alemã de heavy metal pudesse ser levada a sério por roqueiros americanos, cantando em inglês com sotaque? Os Scorpions conseguiram essa façanha: já venderam a bagatela de 22 milhões de discos no mundo todo. Mas eles precisaram ralar muito antes disso. A banda foi fundada no longínquo ano de 1969, pelo guitarrista Rudolf Schenker. O primeiro disco, Lonesome Crow, saiu em 1972. Só em 1984 os alemães chamariam a atenção dos metaleiros americanos. Por incrível que pareça hoje, os Scorpions começaram a conquistar o mercado global pelo Japão – na década de 1970, aquele era um mercado fabuloso para o rock pesado, um lugar que atraía artistas do calibre do Deep Purple. O álbum Blackout, de 1982, atraiu alguma atenção nos Estados Unidos, mas a banda só estouraria por lá dois anos depois, com o lançamento de Love at First Sting. O maior responsável pelo sucesso foi o videoclipe da música “Rock You Like a Hurricane”. Depois disso, foram hits também as baladas “Still Loving You” e “Winds of Change” – esta, sobre a queda do muro de Berlim.

Quem poderia imaginar que uma banda alemã de heavy metal pudesse ser levada a sério por roqueiros americanos, cantando em inglês com sotaque? Os Scorpions conseguiram essa façanha: já venderam a bagatela de 22 milhões de discos no mundo todo. Mas eles precisaram ralar muito antes disso. A banda foi fundada no longínquo ano de 1969, pelo guitarrista Rudolf Schenker. O primeiro disco, Lonesome Crow, saiu em 1972. Só em 1984 os alemães chamariam a atenção dos metaleiros americanos. Por incrível que pareça hoje, os Scorpions começaram a conquistar o mercado global pelo Japão – na década de 1970, aquele era um mercado fabuloso para o rock pesado, um lugar que atraía artistas do calibre do Deep Purple. O álbum Blackout, de 1982, atraiu alguma atenção nos Estados Unidos, mas a banda só estouraria por lá dois anos depois, com o lançamento de Love at First Sting. O maior responsável pelo sucesso foi o videoclipe da música “Rock You Like a Hurricane”. Depois disso, foram hits também as baladas “Still Loving You” e “Winds of Change” – esta, sobre a queda do muro de Berlim. (Paul Natkin/Getty Images)

O Iron Maiden é puro pop, apesar de entregar um heavy metal de pouquíssimas concessões ao padrão radiofônico. Se o terror do Black Sabbath é um filme de Bela Lugosi, o do Iron é Evil Dead. Só diversão. Uma das chaves do sucesso do quinteto é o seu sexto integrante, Eddie. O bonecão-caveira acompanha o Iron desde o primeiro disco, de 1980, quando o vocalista ainda era um sujeito chamado Paul Di’Anno. Di’Anno não era ruim e até compôs, em parceria com o baixista Steve Harris, o primeiro sucesso da banda: Running Free, com um refrão pegajoso que agradou em cheio aos headbangers. Mas a entrada de Bruce Dickinson elevou o Iron a outro patamar. Além de cantar melhor do que o antecessor, Bruce é um monstro no palco. Com o novo vocalista, o Iron já estreou lançando o disco que seria o mais impactante de sua carreira: The Number of The Beast (1982), que traz a faixa homônima. O vídeo, que mostra Eddie no palco com os músicos, fez bastante barulho na pré-história dos clipes. No Powerslave (1984), a mascote Eddie apareceria encarnando um monumento egípcio. A brincadeira se repete, com outros personagens, em todas as capas do Iron: Eddie é piloto de caça, robô, alienígena e até a morte montada a cavalo. Sob o comando de Bruce e Steve, o Iron é um caso raro de banda que não perde o gás com a passagem do tempo. Suas excursões sempre atraem multidões de camiseta preta com a estampa do Eddie. Bruce Dickinson se tornou um guru do empreendedorismo que pilota o avião da banda. Tem até uma marca de cerveja Iron Maiden.

O Iron Maiden é puro pop, apesar de entregar um heavy metal de pouquíssimas concessões ao padrão radiofônico. Se o terror do Black Sabbath é um filme de Bela Lugosi, o do Iron é Evil Dead. Só diversão. Uma das chaves do sucesso do quinteto é o seu sexto integrante, Eddie. O bonecão-caveira acompanha o Iron desde o primeiro disco, de 1980, quando o vocalista ainda era um sujeito chamado Paul Di’Anno. Di’Anno não era ruim e até compôs, em parceria com o baixista Steve Harris, o primeiro sucesso da banda: Running Free, com um refrão pegajoso que agradou em cheio aos headbangers. Mas a entrada de Bruce Dickinson elevou o Iron a outro patamar. Além de cantar melhor do que o antecessor, Bruce é um monstro no palco. Com o novo vocalista, o Iron já estreou lançando o disco que seria o mais impactante de sua carreira: The Number of The Beast (1982), que traz a faixa homônima. O vídeo, que mostra Eddie no palco com os músicos, fez bastante barulho na pré-história dos clipes. No Powerslave (1984), a mascote Eddie apareceria encarnando um monumento egípcio. A brincadeira se repete, com outros personagens, em todas as capas do Iron: Eddie é piloto de caça, robô, alienígena e até a morte montada a cavalo. Sob o comando de Bruce e Steve, o Iron é um caso raro de banda que não perde o gás com a passagem do tempo. Suas excursões sempre atraem multidões de camiseta preta com a estampa do Eddie. Bruce Dickinson se tornou um guru do empreendedorismo que pilota o avião da banda. Tem até uma marca de cerveja Iron Maiden. (Dave Hogan/Getty Images)