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A música nunca foi tão repetitiva

Novo estudo comprova: os artistas estão cada vez mais preguiçosos. Veja como (e por que) isso aconteceu

Eu quero tchu, eu quero tchá. Lê lê lê, lê lê lê. Tchetchereretetê. Você já teve a impressão de que as músicas estão ficando cada vez mais bobinhas – e mais parecidas? Não é mera impressão. Cientistas do Instituto de Pesquisa em Inteligência Artificial, na Espanha, analisaram 460 mil canções gravadas nos últimos 50 anos e concluíram: sim, a música está ficando mais repetitiva. Isso acontece porque os compositores criam melodias cada vez mais parecidas e as gravações usam menos instrumentos.

Os pesquisadores chegaram a esse resultado usando um software que analisa a composição sonora das músicas. Mas por que a música está mais repetitiva, afinal? O estudo não apresenta uma explicação, mas os cientistas arriscam um palpite: preguiça dos compositores. “Mesmo usando menos recursos, eles são capazes de provocar emoções e respostas equivalentes às de 50 anos atrás”, diz Joan Serrà, líder do estudo. Tchu, tchá, tchá, tchu, tchu, tchá.

Gosto não se discute, mas…
Como a música mudou nas últimas décadas – e como perceber isso

Volume mais alto
O que aconteceu – Os músicos gravam num volume mais alto e constante. O objetivo é chamar a atenção do ouvinte (o que é cada vez mais difícil de conseguir).
Como perceber – Ouça gravações dos anos 60 e 70 e compare com atuais. As músicas de hoje soarão mais altas e com menos variações de volume.

Menos variações
O que aconteceu – As músicas têm menos notas e/ou melodia e arranjos mais simples.
Como perceber – Ouça três versões de Knocking on Heaven’s Door: a original, gravada por Bob Dylan (1973), e as versões dos Guns N’ Roses (1990) e Avril Lavigne (2003). As gravações mais recentes têm menos elementos.

Sons repetidos
O que aconteceu – As músicas têm menos tons e texturas. Isso acontece porque as gravações são feitas com poucos instrumentos e técnicas parecidas.
Como perceber – Ouça Come Together (1969), dos Beatles, e compare com a versão gravada por Marilyn Manson em 1995. Toda a sofisticação do quarteto inglês foi pelo ralo.