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A nossa Kate Winslet

Enfim, Mafê traz em si o ról de competências essenciais a todo grande repórter.

Adriano Silva Diretor de Redação

Mafê Vomero – Maria Fernanda, nos registros oficiais – sempre me lembrou, desde que a vi pela primeira vez, uma daquelas moças retratadas a óleo no início da Renascença. Mais precisamente, uma italiana do sul, camponesa ou cortesã, tanto faz, cheia de viço, de força telúrica, de picardia no olhar.

Com o tempo e o convívio, reparei que Mafê é também sósia da Kate Winslet, atriz que fez par com Leonardo di Caprio em Titanic. E que ambas, Mafê e Kate (estou convicto de que elas são primas distantes), têm mesmo o jeito daquelas moças renascentistas. As bochechas coradas, uma energia vulcânica correndo por dentro, a curiosidade juvenil, o sorriso aberto, sincero, napolitano. Está tudo lá.

Mafê é, sobretudo, uma tremenda repórter. Aos 26 anos (ela faz 27 agora em fevereiro, mas pediu que eu não a denunciasse), está entre os melhores talentos da sua geração. Suas armas são o tino investigativo, o instinto farejador, a capacidade de encontrar e abrir as mais pesadas trancas que obstaculizam o acesso à informação, a ausência total de preguiça e leniência na apuração de um tema, seja ele qual for. Enfim, Mafê traz em si o ról de competências essenciais a todo grande repórter. É ótimo tê-la na Super. De nossa parte, porque ela devolve os passes que lhe são dados com bolas redondíssimas e muito brilho no olho. De sua parte, leitor, porque ela tem – e lustra a cada nova edição – a fundamental capacidade jornalística de oferecer a você informação de primeira linha, conhecimento novo e relevante. Tudo envolto em experiências literárias inesquecíveis. (E antes que me perguntem: sim, até onde sei, Mafê está solteiríssima. Se houver algum Leonardo di Caprio na escuta…)

Mafê se formou em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP) em 1997, fez o Curso Abril de Jornalismo em 1998 e desde então está na Super. Nesta edição, essa empedernida torcedora do Tricolor do Morumbi assina a sua primeira reportagem de capa na revista. Estréia com um tema espinhoso, complexo e, sem trocadilhos, vital: como lidar com a morte, como sofrer menos com a idéia de finitude – a nossa própria e também a das pessoas que amamos.

Mafê perdeu o pai em 1999. Um evento que, como não poderia deixar de ser, marcou a sua vida. “Fazer essa matéria me fez refletir ainda mais sobre a importância de aproveitar cada pequeno momento. Meu pai, que ainda sinto tão perto, embora não saiba explicar bem como, assinou a Super desde o segundo número da revista. Nós só cancelamos a assinatura quando vim trabalhar aqui. Ele deve estar orgulhoso de mim agora…”

Eu tenho certeza de que ele está, Mafê. Tenho certeza que sim.

asilva@abril.com.br