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Apartheid à moda do Oriente

Pesquisadores descobrem que, entre integrantes das castas superiores da Índia, prevalece a semelhança com os europeus.

Por Da Redação Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
31 ago 2001, 22h00 • Atualizado em 31 out 2016, 18h48
  • Janaína Simões

    O polêmico sistema de castas na Índia, que privilegia alguns grupos em relação a outros, tem um substrato racista, a julgar por pesquisa recente realizada na Universidade de Utah, Estados Unidos. Comparando o DNA de homens indianos com o de africanos, europeus e asiáticos, os pesquisadores descobriram que, entre integrantes das castas superiores da Índia, prevalece a semelhança com os europeus, enquanto nas castas inferiores a semelhança mais freqüente foi com os asiáticos.

    A descoberta reforça a teoria de que os imigrantes europeus, que povoaram a Índia há 5 000 anos, vindos da Europa e do Cáucaso, se posicionaram nas castas superiores quando se integraram aos habitantes locais, os dravídicos. Essa é uma tese não muito bem vista entre os estudiosos sobre a Índia.

    O sistema de castas indiano é baseado na divisão dos grupos de acordo com a ocupação e a condição socioeconômica da pessoa. As quatro castas principais, ou varna, são: os brâmanes (sacerdotes), a classe mais elevada; os xátrias (reis, nobres e guerreiros); e os vaixas (comerciantes e agricultores). Juntas, são as três classes superiores. Os sudras são os artesãos e servidores. Cada casta é isolada da outra, sendo proibido casamento entre integrantes de castas diferentes. Quem não cumpre as ordens é expulso do grupo e passa a integrar a casta dos intocáveis, conhecidos como dalits.

    O sistema é menos rígido hoje, mas ainda sobrevivem traços do estigma e das privações para os intocáveis. Por exemplo: nos restaurantes há copos diferentes para os dalits e para os não-dalits. Por causa dessas restrições, eles lutaram para que o tema entrasse na agenda da conferência sobre racismo promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) na África do Sul, prevista para ocorrer este mês. No entanto, a Índia não pratica oficialmente o apartheid: 15 cadeiras no Parlamento indiano são reservadas para os intocáveis e integrantes de tribo. O próprio presidente indiano, Kocheril Raman Narayanan, é um intocável.

    Segundo a pesquisa, a ligação entre indianos e europeus é mais forte na linhagem paterna. Na avaliação do DNA mitocondrial, que sempre vem da mãe, a herança genética indiana pareceu-se mais com a asiática. Mas foi na análise do cromossomo Y, herança paterna, que a ascendência se revelou: a maioria dos homens das castas superiores era similar aos europeus, enquanto as castas inferiores assemelhavam-se aos asiáticos. A análise reforçou também a idéia de que os primeiros imigrantes europeus eram, em sua maioria, homens.

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