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Fruta-do-lobo, lanche favorito dos lobos-guará, pode ser arma contra câncer de bexiga

Estudo brasileiro mostrou propriedades medicinais da fruta em células em laboratório; entenda.

Por Bela Lobato 29 Maio 2025, 14h00 •
  • Ao contrário do que se pode imaginar, o lobo-guará não é um predador voraz, mas um onívoro equilibrado. A parte carnívora da dieta consiste principalmente em mamíferos médios e pequenos, mas ele também consome répteis, aves, peixes e anfíbios de vez em quando. A outra metade é composta por frutos, como a gabiroba (Campomanesia spp), o jerivá (Syagrus romanzoffiana) e a fruta-do-lobo (Solanum lycocarpum).

    O nome da última já dá pistas sobre a sua importância nesta história. Alguns estudos apontam que a fruta, que também é conhecida como lobeira ou maçã-do-cerrado, pode corresponder a 50% da dieta de alguns lobos. A fruta-do-lobo e os lobos vivem em uma relação de íntima simbiose – ou seja, de vantagem mútua.

    Fotografia da fruta do lobo.
    (Wikimedia Commons/Reprodução)

    Isso porque, depois da alimentação, os lobos eliminam as sementes intactas, ainda em condição de germinar. Isso contribui para a disseminação da espécie vegetal. Para o lobo, a vantagem é ainda mais especial: a fruta funciona como um vermífugo natural e elimina parasitas como o verme-gigante-do-rim (Dioctophyma renale), que pode ser fatal para os lobos.

    Mas, se você encontrar uma lobeira em passeios pelo Cerrado, é preciso cuidado. A fruta crua não tem o mesmo efeito no organismo humano, e pode provocar problemas digestivos e diarreia. Cozida, é usada para fazer doces e como alimento supostamente medicinal, embora sem comprovação científica. 

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    É justamente por ser utilizada de forma tradicional há tanto tempo que a fruta-do-lobo chamou a atenção de pesquisadores. Já se sabia, por exemplo, que a fruta possui compostos com propriedades anti-cancerígenas, pelo menos em células isoladas em laboratório.

    Agora, um estudo da Universidade de São Paulo (USP) aponta que o fruto pode conter partículas com potencial para combater o câncer de bexiga. Os experimentos extraíram da fruta dois compostos que já eram conhecidos por serem anticancerígenos, solasonina e solamargina. Eles foram encapsulados em nanopartículas 600 mil vezes menores que um fio de cabelo. 

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    As nanopartículas foram administradas em células de tumores de bexiga, e, depois, em tumores do mesmo tipo em camundongos. Esses compostos extraídos da fruta-do-lobo induzem a apoptose, ou seja, a morte das células do tecido canceroso.

    Os resultados, publicados na revista científica International Journal of Pharmaceutics, apontam que o tratamento reduziu significativamente o volume dos tumores.

    Entretanto, os dados são apenas preliminares, feitos apenas em células isoladas em laboratório e camundongos. Muitos outros estudos ainda precisam ser realizados para confirmar a eficácia e a segurança do método antes que ele tenha as chances de se tornar um tratamento para humanos. 

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    Ou seja, pode demorar um bocado até a lobeira se tornar um lanche e remédio tão queridinho para nós quanto para os nossos colegas lobos-guará.

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