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“Odisseia”, um blockbuster da Antiguidade

A aventura escrita por Homero, no século 8 a.C, narra a história de um herói que passa 20 anos tentando voltar para casa

Por Alexandre de Santi (edição: Bruno Garattoni) - Atualizado em 9 Maio 2019, 12h52 - Publicado em 14 dez 2015, 13h30

Livro: Odisseia
Autor: Homero
Ano: + – século 8 a.C.
Por que ler? Porque o que importa na vida não é a linha de chegada, mas a superação dos obstáculos.

As narrativas que nos encantam são recheadas de dramas, superação, reviravoltas, traições, heróis e finais felizes. Se o voo saiu na hora, e o hotel era ótimo, o relato das férias acaba em cinco minutos. Um avião sem comida, um GPS pifado… Histórias com problemas, querendo ou não, rendem conversas mais divertidas.

É exatamente assim com a Odisseia, o poema épico que fundou a literatura ocidental.

A aventura conta a história do herói grego Ulisses, que passou 20 anos tentando voltar para casa depois da Guerra de Troia, e reúne todos os elementos que nos fazem chorar e nos arrepiam em qualquer relato.

Está aí sua importância histórica indiscutível: traduziu em uma narrativa os sentimentos mais profundos e duradouros, como o amor, a esperança, a fé, a bravura – e, claro, outros, menos nobres, como o medo e o preconceito frente ao desconhecido, mas nem por isso menos humanos -, que já existiam antes de Homero, seu autor, e seguem valendo até hoje.

Se Ulisses (nome latino de Odysseus, adotado por algumas traduções mais conservadoras) tivesse voltado direto para casa, sem escalas, a história não seria uma odisseia.

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Não à toa, o título do poema épico é sinônimo hoje de uma viagem cheia de aventuras e contratempos. Homero também virou adjetivo usado para se referir a feitos extraordinários – homéricos, melhor dizendo.

“Não foi Ulisses quem junto às naus dos argivos na vasta Troia sacrifícios te ofereceu? Contra ele te encolerizas, ó Zeus?”

Ulisses enfrenta provações de toda sorte. Encontra um cíclope perigoso, um monstro marinho, uma feiticeira e enfrenta uma tempestade no mar.

O drama mais famoso ocorre quando o barco do herói passa por um mar cheio de sereias sedutoras e perigosas. Para não ouvir o canto delas e seguir vivo, o protagonista pede que sua tripulação tape os ouvidos com cera e o amarre no mastro.

Enquanto isso, sua esposa, Penélope, o aguarda tecendo um manto interminável. É uma desculpa. Ninguém acredita que Ulisses vai voltar, e casar com Penélope vira o objetivo de cada homem ambicioso de sua terra natal, Ítaca.

Para afastar o assédio inclemente de homens loucos para roubar o posto deixado pelo guerreiro, Penélope pede permissão para terminar de tecer seu manto como um ritual de luto. Manto esse que ela tece de manhã… E desmancha à noite.

Telêmaco, seu filho, já na casa dos 20 anos, decide ir atrás do pai – o final é um reencontro emocionante dos três. A grandiosidade da obra superou até dúvidas sobre sua autoria e sobre episódios históricos relatados no livro.

Até hoje não se sabe se Homero existiu ou se é um autor inventado. A hipótese mais aceita é a segunda: Homero seria um nome fictício, e a Odisseia, como a Bíblia, uma obra de muitos autores que atravessou os séculos graças aos rapsodos, nome dado aos contadores de história na antiga Grécia.

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