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“Caça-Fantasmas” tem alguns erros – mas o feminismo definitivamente não é um deles

O elenco é o ponto alto da nova versão

Por Felipe Germano Atualizado em 31 out 2016, 19h03 - Publicado em 15 jul 2016, 00h45

Se você quiser criticar o novo Caça-Fantasmas, dá para fazer isso tranquilamente. O filme comete seus erros: os efeitos especiais podem gerar um estranhamento, existem piadas pensadas exclusivamente para o território americano, e a edição tem falhas. Esses são motivos reais, e importantes. Eles realmente deixam o filme mais fraco. Mas não fale que a culpa é do elenco, do feminismo, das mulheres. Esses três elementos são a melhor coisa que podia acontecer com a franquia.

O novo filme da série chegou aos cinemas nesta quinta, 14. As mudanças em relação ao longa original de 1984 são drásticas, mas a principal delas é muito fácil de notar: os quatro homens que protagonizavam a história foram substituídos por quatro mulheres. As atrizes escolhidas para o trabalho foram Melissa McCarthy, Kristen Wiig, Leslie Jones e Kate McKinnon, deixando a direção com Paul Feig (Missão Madrinha de Casamento).

O ponto é que a mudança no gênero das personagens virou motivo para que centenas de milhares de usuários despejassem seu ódio sobre no remake. Em março desse ano, quando saiu o primeiro trailer da produção, essa galera se reuniu para mostrar o quanto detestava o novo projeto, e transformou o vídeo no trailer mais descurtido da história do YouTube, com mais de 900 mil reações negativas. E a culpa disso não é a mera mudança no roteiro. O trailer de Quarteto Fantástico, que alterou complemente a trama original dos personagens, tem só 7 mil dislikes. Se fossem outros quatro caras, dificilmente o filme teria essa repercussão negativa. Mas eram mulheres. Está explicado.

Mas ainda bem que eram mulheres.

A questão é: fazia 30 anos que não era lançado um novo filme da série. Uma série amada, com um logotipo marcante, e música-tema chiclete. Durante todo esse tempo tentaram reunir o elenco original para uma terceira parte. Sempre alguma coisa dava errado. Um remake era a única solução. E, se vão começar tudo de novo, por que não o fazer com mulheres? A mudança abre o leque para que os personagens vivam outras situações, contem novas histórias. E não é para isso que Hollywood serve?

A nova história gira em torno de duas personagens: Erin Gilbert (Wiig) e Abby Yates (McCarthy). Enquanto a primeira tenta esconder do mundo acadêmico que ela é especialista em paranormalidade, a segunda quer expor os estudos para todos. Depois de alguns contratempos, elas presenciam a aparição de um fantasma, e decidem formar as Caça-Fantasmas – grupo que é completado por Jillian Holtzmann (Kate McKinnon) e posteriormente por Patty Tolan (Jones). A equipe, então, começa a presenciar mais e mais encontros com os monstros, enquanto tenta entender o que está motivando tudo isso.

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O roteiro consegue contar bem a história proposta, mesclando humor com rápidos momentos de terror. Dá para tomar uns sustos. E a trama faz sentido por si só. O resultado são duas horas divertidas. As piadas são boas, as referências também, e o roteiro consegue colocar as personagens em situações que exploram o potencial do enredo. Jillian domina o filme. A atuação de Kate McKinnon é apaixonante, e Feig soube explorar isso com maestria. Dificilmente você vai sair sem dar uma risada, sem se envolver com a história – até mesmo você que deu dislike no trailer.

Além disso, os personagens secundários são incríveis. É o caso do prefeito interpretado por Andy Garcia, do vilão de Rowan North, mas principalmente com Kevin, o secretário burro que ganha vida com Chris Hemsworth, o Thor. Kevin é um dos pontos altos do filme, e isso só se tornou possível graças à inversão de gêneros. Ele é ridículo justamente por ser a reprodução de uma secretária bonita em Hollywood. Ele está ali só para ser belo e – assim como as representações femininas nas telonas ao longo de décadas – incrivelmente estúpido. A ideia serve para escancarar a desigualdade na representação de gênero nas telonas. Por ser homem, é estranho. Se fosse mulher, seria repetitivo. É uma bela sacada.

No geral, o filme é bom? Sim! É ótimo? Não. Há diversas falhas. Os efeitos especiais tentam tanto homenagear o filme original que criam uma estética estranha. E há alguns buracos no roteiro que não atrapalham a compreensão da trama, mas escancaram que o filme foi picotado na sua edição final. A cena da dança jogada para os créditos, por exemplo, não faz sentido algum: por que um exército de pessoas fica apontando o dedo para os céus? E, em determinado momento, a cor do cabelo das personagens muda. Sem explicação aparente. Mas, no saldo, ele cumpre bem seu papel de ser um filme que vai entreter você por um bom par de horas. Dificilmente vai te chocar, mas é um bom Sessão da Tarde.

O longa ainda estabelece uma boa base para que continuações sejam feitas, essas com um potencial para serem ainda melhores do que esse filme que está nos cinemas agora – com as personagens já apresentadas, pode-se investir ainda mais em situações inusitadas dentro desse mundo. Se você ainda está se perguntando: “um filme dos Caça-Fantasmas era realmente necessário? “, não sei. Mas já que ele foi feito, ainda bem que foi assim.

 

 

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