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cinema: Ele é genial

Cíntia Cristina da Silva

O primeiro trabalho de Alfred Hitchcock nos Estados Unidos, em 1940, foi um marco na carreira do diretor inglês. Começava a aventura hollywoodiana em que ele filmaria suas obras mais importantes. Não é exagero afirmar que a mesma transformação veio com a publicação, em 1967, de uma entrevista concedida ao diretor francês François Truffaut. Ali estava o selo de garantia: Hitchcock era um gênio. Em 1962, Truffaut propôs a conversa com mais de 50 horas que esmiuçaria os 53 filmes de Hitchcock. A idéia surgiu quando Truffaut descobriu que o inglês era considerado “sem substância” nos Estados Unidos. Do outro lado do Atlântico, em Paris, a influente revista Cahiers du Cinema e seus críticos Jean-Luc Godard, Eric Rohmer e o próprio Truffaut exaltavam o cinema autoral de Hitchcock. A conversa é uma das obras mais brilhantes da bibliografia cinematográfica.

• Em 1926, Hitchcock filmou O Inquilino Sinistro. Para ele, o primeiro a exibir o “estilo hitchcockiano”. O filme conta a história de um assassino de mulheres loiras que leva pânico às ruas de Londres.

• Foi nesse filme que o diretor fez sua primeira participação, apenas para “encher a tela”. Desde então Hitch apareceu, em pequenas participações, em todos os seus filmes.

• Conhecido como mestre do suspense, o inglês explicou a diferença entre suspense e surpresa. Basta imaginar duas pessoas conversando quando de repente uma bomba explode sob a mesa. Isso é surpresa. Em outra situação, pessoas conversam e é mostrado à platéia que uma bomba embaixo da mesa irá explodir em uma hora. Aqui está criado o suspense.

• Apesar das cinco indicações ao prêmio de melhor diretor, Hitchcock nunca ganhou um Oscar.

HITCHCOCK/TRUFFAUT: ENTREVISTAS

François Truffaut e Helen Scott

Companhia das Letras, 368 páginas, R$ 65