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Duolingo oferece aulas para dois idiomas ameaçados de extinção

Língua dos navajo e dos havaianos foram lembradas pelo serviço no Dia dos Povos Indígenas dos EUA

A língua é um dos maiores patrimônios de uma nação. Ela é considerada viva quando é usada por uma considerável quantidade de pessoas, o que faz com que ela se desenvolva e assimile mudanças com o passar do tempo — o velho exemplo do “vossa mercê” que virou “você” prova isso. Línguas mortas, como o latim, por exemplo, não sofrem modificações, são estáticas. Isso porque nenhum povo efetivamente usa esses idiomas para se comunicar no dia a dia.

Existem cerca de 7.500 idiomas distintos faladas em todo o mundo hoje, mas quase metade delas corre o risco de desaparecer. Essa ameaça existe justamente porque poucas pessoas as falam. Como aumentar a visibilidade desses dialetos, para que eles não morram? Marcando presença em serviços de aprendizado online.

Aplicativos de línguas estão se tornando grandes agentes de preservação para esses idiomas. O Duolingo, que possui mais de 300 milhões de usuários cadastrados, disponibilizou os dialetos navajo e havaiano. As duas línguas entraram na plataforma em 8 de outubro, o Dia dos Povos Indígenas nos EUA.

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Há alguns anos, o Duolingo começou a experimentar o uso da tecnologia para expandir a visibilidade de idiomas menos populares do mundo. Quando o app lançou seu curso de língua irlandesa, em 2014, havia apenas cerca de 100.000 falantes nativos de irlandês no planeta (a maioria dos irlandeses o tem como segunda língua, depois do inglês). Mas, hoje, cerca de 4 milhões de usuários da plataforma estão aprendendo esse idioma.

O navajo é falado por 150 mil pessoas, o que faz dele um dos maiores idiomas indígenas do mundo. Já a língua havaiana, Ōlelo hawai’i, tem cerca de mil falantes nativos, além de 8 mil pessoas que falam e entendem fluentemente. Ambas as línguas foram proibidas nas escolas americanas nos últimos séculos, o que contribuiu grandemente para o seu declínio.

Mas a Duolingo não é a única empresa que está tomando essa iniciativa. Há alguns anos, a Oxford University Press lançou um projeto chamado Oxford Global Languages, cujo foco é impulsionar idiomas “digitalmente sub-representados” — ou seja, aqueles que podem até ter muitos falantes, mas ainda possuem pouca relevância online. Sua equipe tem compilado e publicado dicionários digitais até para idiomas com muitos milhões de falantes, como hindi, malaio, indonésio e romeno.

Esses bons exemplos mostram como a tecnologia está sendo usada para preservar e reviver idiomas antigos. Afinal, preservar uma língua é manter viva boa parte da cultura de um povo.