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Escolhas

Karin Hueck, Luisa Destri, Marcella Chartier

1. Ecoliterário
Foi já nos anos 90 que o escritor inglês Ian McEwan sentiu vontade de colocar o aquecimento global em algum de seus romances. Mas, sem saber como misturar um assunto tão carrancudo com literatura, acabou adiando o projeto. Agora ele encontrou a solução: o humor. O protagonista de Solar é Michael Beard, um fictício prêmio Nobel, que passa a vida arrecadando dinheiro público para projetos verdes, nos quais ele não acredita. Beard é obeso, mulherengo e mesquinho – e, mesmo assim, você vai torcer para ele não se dar mal. Para não escorregar nos assuntos científicos, McEwan pediu ajuda aos universitários: físicos e químicos que revisaram as informações. Resultou em boa ciência e ótima literatura.

Solar, Ian McEwan, 344 páginas, Companhia das Letras, R$ 48.

2. De soldado a rapper
“Quando as armas param de atirar e a fumaça se dissipa, o fedor de carne e sangue enche o ar.” Esse é o relato de um menino soldado de mais ou menos 12 anos (ele não sabia mais dizer sua idade depois de perder a família) que cresceu lutando na guerra civil entre sudaneses e árabes nos anos 80 e 90. O rapper sudanês Emmanuel Jal passou da inocência à vontade de matar ainda na infância, antes de ser milagrosamente resgatado. Eis a sua história.

Filho da Guerra, Emmanuel Jal e Megan Davies, 296 páginas, Rocco, R$ 40.

3. Corta e cola
Que tal fazer o videoclipe para a última música que Johnny Cash gravou? Vá a este site, baixe um template, altere a imagem da maneira como você quiser, e a mande de volta. Ela será colada a milhares de outras, enviadas por usuários ao redor do planeta, e sincronizada com a música. Alguns minutos do clipe já estão lá para você se inspirar.

thejohnnycashproject.com

4. Mais é menos
Se para nossos antepassados fazia sentido consumir o máximo possível diante da escassez, hoje é o excesso (de tudo!) que nos prejudica. O jornalista (que nem celular tem) não oferece respostas, mas pretende fazer você parar para pensar antes de comer outra barra de chocolate ou trocar de iPhone. Dê boas-vindas ao suficientismo.

Chega de desperdício!, John Naish, 336 páginas, BestSeller, R$ 45.

5. Maquetes vivas
Tilt-shift é aquela técnica de fotografia que deixa o mundo com cara de miniatura. Agora ela está sendo usada em vídeos também. Corridas de caminhão, shows de rock, passeios na praia ensolarada: fica tudo trabalhado na fofura.

youtube.com/watch?v=Nb5GpV_LUuU / keithloutit.com e vimeo.com/2317118

6. Bebeu água?
Esta grandiosa exposição espalhada por 8 mil m2, em São Paulo, mostra a relação dos humanos com a água do planeta. Dá para mergulhar na água virtual projetada nas paredes, observar a fauna marinha de 7 ecossistemas diferentes, e fazer um passeio pela zona abissal, a parte mais profunda dos oceanos. A mostra é parceria com o Museu de História Natural de Nova York.

Água na Oca, Parque do Ibirapuera, São Paulo, R$ 20, até 8 de maio de 2011.

7. Demasiado humano
Você já leu aqui na SUPER que cientistas americanos conseguiram criar em laboratório o primeiro ser vivo artificial. Pois Hollywood já fez um filme sobre o assunto. Nessa ficção científica, dois geneticistas criam seres artificiais que produzem remédios e ingredientes para a indústria farmacêutica. Tudo vai bem até que resolvem incluir alguns genes humanos em seus experimentos. O resultado, bem, é esse negócio que você vê aí em cima.

Splice, 24 de dezembro nos cinemas.