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“Esquadrão Suicida” poderia ser incrível – mas é só legal

O longa focado nos vilões da DC não soa original, tem falhas no roteiro, mas possui um elenco incrível

Por Felipe Germano Atualizado em 4 nov 2016, 19h17 - Publicado em 4 ago 2016, 21h45

“Um filme diferente”, “ousado”, “um respiro nos filmes de super-heróis”. É isso que muita gente esperava ouvir de Esquadrão Suicida, o novo filme inspirado em personagens da DC Comics, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta, dia 4. Infelizmente não é o que rola. O filme que mostra vilões sendo obrigados a trabalhar em equipe para salvar o dia, perde a oportunidade de fazer algo diferente – acaba se transformando em um genérico que mistura Deadpool com Guardiões das Galáxias.

Quase não dá para culpar os produtores: quando a Marvel anunciou que iria fazer um filme dos Guardiões, lá na Comic Con de 2012, muita gente torceu o nariz. A empresa tem zilhões de personagens importantes que ainda não apareceram na telona, por que fazer um longa com heróis obscuros? Todo mundo quebrou a cara.

O filme era irreverente, cheio de piadas de duplo sentido (e, claro, um guaxinim que atira de metralhadora). Foi um hit. Quatro anos depois foi a vez de Deadpool, anti-herói, também coloca piadinhas no meio do quebra-pau (algumas de mal gosto). Um filme original, que sobressai à média. Aí chegou a vez da DC; poucos meses antes, Batman v Superman chega aos cinemas. Surra de críticas negativas. Por que não tentar entrar nessa onda também engraçadinha/politicamente incorreta, fugindo do tom escuro da briga dos heróis? Bom, a resposta chegou agora: porque você acaba tendo um filme sem identidade. Em vários momentos, Esquadrão lembra Guardiões ou Deadpool, e pouquíssimas vezes ele soa algo completamente original. É a primeira vez que a gente pode ter um filme só focando nos “malvados”, e mesmo assim não parece algo que ninguém nunca viu antes.

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Pior. Algumas cenas parecem não fazer sentido dentro do contexto do filme. Personagens deixam de tomar atitudes que poderiam resolver a trama em instantes, e há um flashback completamente sem sentido – você não precisa me lembrar de algo relevante que aconteceu há meia hora, eu lembro. Fora isso, o final é bobo. A última cena é tãõ previsível quanto desnecessária. O roteiro também acabou deixando o tempo de tela do Coringa menor do que o esperado. O vilão mais importante da DC acaba se tornando um coadjuvante, que, apesar de ter um papel importante na trama, vive um arco paralelo explorado superficialmente.

Tudo isso parece ter uma explicação. Aparentemente, executivos da Warner não gostaram do primeiro corte e mandaram editar diferente para ficar mais divertido. O diretor, David Ayer, nega, mas a divulgação do longa aponta para o outro caminho: o primeiro vídeo lançado (em 2015) é bem sombrio, depois, em janeiro saiu o primeiro trailer, mais coloridinho, e se você assistir ver o último trailer, verá uma explosão completa de cores. Essa mudança de tom pode ter retalhado o roteiro.

Mas há alguns pontos bem positivos no resultado final. O longa consegue explorar razoavelmente bem a vida dos 10 personagens principais. Dá para entender a motivação de cada um, sem precisar se esforçar muito. Conseguiram com quase uma dúzia de personagens, o que Batman v. Superman não fez funcionar com três. Além disso, o elenco é primoroso: a Amanda Waller interpretada por Viola Davis talvez seja o melhor vilão que o cinema de super-heróis já viu. Jared Leto faz um Coringa marcante, e Will Smith consegue divertir.  Há também uma boa pluralidade – nenhum filme de heróis conseguiu dar tanto destaque a personagens negros, mulheres e latinos; representação essa acompanhada de algum estereótipo, mas ainda fica melhor do que a média de Hollywood.

No fim, não é como se Esquadrão fosse ruim. Não é. Não se engane com as notas baixas no site de críticas Rotten Tomatos, mas não dá para dizer que ela seja uma das melhores surpresas do ano. É um filme legalzinho, que vale o ingresso e só. Se você se contentar com isso, boa sessão.

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