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Festa tecno

Kevin Saunderson – KS02 (Sum) Nacional

“Não precisamos de público para fazer uma festa.” É na primeira frase de “Big Fun”, hit de 1988 que consagrou Kevin Saunderson e o seu projeto Inner City no mundo todo, que se baseia seu novo álbum, a compilação “KS02”. Como DJ e um dos inventores do tecno, ele conduz seu set por uma deliciosa viagem pela house e pelo tecno atuais repleta de soul, funk e black music. Inicia house, cool, minimalista, com batidas tribais e vocal black feminino e faz mágica ao mixar os pianos de duas músicas (“Gloria Muse”, do Blaze, e “R-World Grooves”, do R. Tyme), criando uma terceira. Sensacional. Mesmo na transição da house para o tecno Saunderson não perde o rebolado – nem o sangue negro que corre em suas veias. Para que mais gente na pista? Que comece a festa.

Leandro Fortino

Paul Mac – Push Came To Shove (Primate) Importado

Tecno tribal, com batida nada quadrada, mas andamento linear. Tecno rápido, mas sem agressividade, delicado. Eis o segundo álbum do DJ inglês Paul Mac, que começou a pilotar as pick-ups aos 14 anos. O disco começa com batidas bem quebradas, ganha timbres ácidos e passeia pelo tech-house. Sem muitos truques – e com muita personalidade.

Bruna Monteiro de Barros

Pascal F.E.O.S. – Self Reflexion (PV) Importado

O DJ alemão, que com o projeto Resistance D foi um dos criadores do hardtrance, há muito já caminha pelo tecno e tech-house. Este álbum começa com seis faixas de tecno impecáveis, com batidas quadradas alegorizadas com timbres grooveados. A terceira música, “Self Reflexion”, é diferente, sombria, mas feliz e usa um vocal inusitado como elemento. O disco culmina em “Down to Earth”, um paradoxo: lounge com batidas lentas, mas fortes e timbres que levam à deixa perfeita para… os aplausos da pista.

Bruna Monteiro de Barros

Kraftwerk – Tour de France 03 (Single, Astralwerks) Importado

Não tem outra: o Kraftwerk tem a tal da manha do James Brown. Nunca se aposentaram (só tiraram o pé do freio), nunca pararam de lançar discos (cada vez mais espaçados), nunca tentaram se reinventar, nunca ousaram ir além. Afinal de contas, pra quê? Inventaram sua pólvora e ao incendiá-la começaram um big bang de um universo sonoro inteiro, até hoje em expansão. Mas, como James Brown, seus últimos discos não são nada além de reafirmações mundanas de verdades que um dia disseram com o timbre de Deus. Talvez prefiram deixar o que resta de combustível criativo em suas apresentações ao vivo. O novo single, lançado em comemoração ao centenário da competição francesa de ciclismo, nada mais é que uma releitura correta das flexões dos músculos sintéticos que o pedalar cerebral do groove induz no cérebro. Os quatro remixes soam como se o Orb, reverente, manuseasse os originais sob os frios olhares teutônicos dos mestres. O single antecede o álbum Tour de France Soundtracks e não acrescenta nada à lenda viva do grupo. Talvez porque não caiba mais nada nesse quesito.

Alexandre Matias