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Game of Thrones: como a Batalha de Winterfell foi filmada?

A maior batalha deste último domingo foi a própria filmagem. Veja algumas curiosidades da gravação do episódio, que levou onze semanas para ser feito.

Aviso: SPOILERS do terceiro episódio da 8a temporada de Game of Thrones. Depois não diga que não avisamos.

Quem assistiu o episódio desta semana de Game of Thrones, intitulado “The Long Night” (“A Longa Noite”), pôde conferir a uma das maiores cenas de ação da história da televisão. Bom, quem conseguiu enxergar algo, é claro:

Brincadeiras (e críticas) à parte, o episódio, o mais longo da série, com 82 minutos de duração, foi a produção mais ambiciosa de Game of Thrones: quase inteiramente composto por cenas de ação e de efeitos especiais, levou onze semanas para ser feito.

Nesta segunda (29), o canal oficial da série no YouTube divulgou um documentário especial sobre os bastidores do episódio. Em pouco mais de quarenta minutos, ele revela truques de efeitos especiais, maquiagem e todos os perrengues da filmagem.

A seguir, selecionamos as principais curiosidades sobre a produção do episódio:

Rotina de gravação

As filmagens aconteceram em Belfast, capital da Irlanda do Norte, que havia servido desde a primeira temporada como cenário para Winterfell, lar da família Stark. Como a batalha acontece à noite, o trabalho começava às seis da tarde e se estendia, às vezes, até às cinco da manhã do dia seguinte.

Essa jornada de trabalho se repetiu por onze semanas. Ao todo, foram 55 noites de gravação sob um frio congelante: a atriz Emília Clarke, que interpreta Daenerys Targaryen, revelou que chegava a fazer -14ºC por lá.

“Ninguém imaginou o trabalho que daria”, disse à HBO Miguel Sapochnik, diretor do episódio. “Acho que eu e qualquer um que esteve aqui nunca mais vai querer vai fazer algo assim”, completa.

Antes de “The Long Night”, Miguel dirigiu outros dois episódios de batalha da série, “A Batalha dos Bastardos” e “Hardhome”. Além disso, ele também comandará o quinto capítulo da última temporada – um indicativo de que há mais uma grande luta por vir.

Todo esse esforço, pelo menos, recompensou alguém no final: a própria Belfast. Estima-se que, no total, Game of Thrones tenha gerado mais de 6 mil empregos diretos e indiretos na cidade. O turismo também aumentou exponencialmente: com a chegada da última temporada, a procura por voos para lá aumentou 215%. Só em 2018, fãs da série injetaram 30 milhões de libras (R$153 milhões) na economia da Irlanda do Norte.

Construção do enredo

O episódio foi escrito pelos criadores da série, David Benioff e D.B. Weiss, que na hora de elaborar o desenvolvimento do roteiro, decidiram dividi-lo em três atos. Em cada um, eles quiseram fazer dentro de um gênero específico: suspense, terror e ação.

O primeiro ato é o começo da batalha, quando os personagens aguardam pela chegada do Exército dos Mortos, ainda sem saber o que irá acontecer. É nesta parte, por exemplo, que Melisandre (Carice van Houten) volta e coloca chamas nas armas dos dothraki. “Queríamos que todos os personagens tivessem a esperança de que tudo daria certo”, disse Benioff. É, até que deu – mas só nos acréscimos do segundo tempo.

O segundo ato tem elementos de terror e tem como principal exemplo a cena da Arya (Maisie Williams) na biblioteca do castelo, na qual ela precisa escapar de nove criaturas. O último ato, focado na ação, é quando o Rei da Noite invoca todos os mortos em batalha, criando novos zumbis.

Fogo para todos os lados

Por falar em Melisandre, a Mulher Vermelha, com uma ajudinha do Senhor da Luz, possui um papel importante na batalha ao acender as trincheiras em torno do castelo, o que ajudou momentaneamente a atrasar o Exército dos Mortos.

 (HBO/Reprodução)

Para criar esta (perigosa) cena, a equipe de efeitos especiais construiu uma trincheira de verdade, com cerca de 275 metros de comprimento. Ela foi feita com mais de 900 estacas de aço banhadas em betume, uma mistura líquida altamente inflamável – madeira nenhuma ia aguentar tantos dias de gravação sendo queimada.

Para inflamar tudo isso, a produção recorreu ao verdadeiro Senhor da Luz: um reservatório de 4 toneladas de gás, além de uma unidade móvel que comportava uma tonelada. O gás era levado por meio de tubos até o cenário.

 (HBO/Reprodução)

Mortos-vivos

O exército de zumbis do Rei da Noite era bastante diverso: havia desde pessoas que acabaram de morrer na batalha até cadáveres de centenas de anos, como os que quebraram as paredes das criptas.

Para dar conta dessa diversidade, a equipe de maquiagem e design de produção buscou uma série de inspirações, como fotos de pessoas mumificadas e que ficaram dentro de tumbas. Além disso, o visual dos zumbis era quase sempre complementado com fragmentos de chroma key (a famosa “tela verde”) pelo corpo.

Depois das filmagens, o pessoal da pós-produção terminava de dar um trato nestas simpáticas criaturas:

Fora os mortos-vivos, outro problema enfrentado pela produção foi em relação ao cenário da batalha – mais precisamente, nas pilhas de corpos. Na Batalha dos Bastardos, a movimentação dos pesados bonecos de um lado para outro foi uma das maiores dificuldades.

Desta vez, a equipe responsável pelos props (em bom português, objetos de cena) tentou contornar este problema com bonecos mais leves e dispostos de uma maneira pré-montada: eles moldaram pequenas pilhas de corpos, o que facilitou o trabalho do pessoal:

 (HBO/Reprodução)

 

 

 (HBO/Reprodução)

O (quase) triunfo de Jon Snow

Sabe o momento em que Jon Snow (Kit Harington) enfrenta o dragão-zumbi, anteriormente conhecido como Viserion? Todo aquele cenário foi queimado para valer. Não por um dragão, claro, mas pela equipe de cenografia, que passou um dia inteiro queimando o set de gravação para que o lugar parecesse mesmo arrasado pelas chamas.

 (HBO/Reprodução)

 

 (HBO/Reprodução)

Considerando a rotina exaustiva de gravações, este deve ter sido um trabalho, no mínimo, divertido. Mas este momento de Jon na batalha foi também um dos mais difíceis de ser gravado.

Quando ele entra de volta no castelo para enfrentar dezenas de zumbis à procura do Rei da Noite, a tomada em que mortos-vivos caem do teto para tentar matá-lo envolveu a participação de 15 dublês. A cena precisou ser ensaiada diversas vezes, já que tudo precisaria ser extremamente sincronizado.

 (HBO/Reprodução)

Lyanna Mormont X Gigante

A morte de Lyanna Mormont (Bella Ramsey) foi um dos pontos altos do episódio. O sacrifício da personagem ao derrotar um gigante foi filmado em dois momentos: em Belfast, com a atriz no set, e em estúdio, já que o gigante não foi feito 100% em computação gráfica.

A produção de Game of Thrones gravou todas as cenas da criatura com um ator de carne e osso e, com a ajuda de uma tecnologia chamada INCAM, conseguiu levar para o set todos os movimentos previamente gravados do gigante, o que ajudou a definir quais movimentos de câmera seriam usados.

Bella também gravou algumas tomadas em chroma key, especialmente a parte em que ela é levantada e fura os olhos do inimigo. No final, foi só juntar estes três momentos em uma única cena. “Moleza”.

 (HBO/Reprodução)

Arya Stark X Rei da Noite

O destino de Arya Stark já estava escrito. E não, não estamos falando de nenhuma profecia. “Acho que já faz três anos desde que decidimos que seria ela a matar o Rei da Noite”, revelou David Benioff, um dos criadores da série.

“Eu recebi uma ligação do [diretor] Miguel Sapochnik um ano antes de começarmos a filmar, para falar sobre o meu treinamento”, disse a atriz Maisie Williams, que dá vida à personagem. A cena final também foi filmada em dois momentos: um no set e outro em estúdio, para dar mais destaque ao momento em que a heroína pula para matar o vilão.

 (HBO/Reprodução)

Com mais três episódios pela frente, Game of Thrones vai ter a difícil tarefa de amarrar todas as pontas soltas até o final da série, além de explicar como Arya se encaixaria na profecia daquele destinado a derrotar o Rei da Noite. Ou, é claro, de deixar por isso mesmo. T

Tenha gostado ou não da resolução da batalha, não dá para negar que esta cena foi ótima.