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George R. R. Martin revela porque gosta tanto de matar personagens

A culpa é toda do Gandalf. Ou melhor, do Tolkien.

George R. R. Martin, a mente por trás de Game of Thrones, é um grande fanboy de J R. R. Tolkien, autor de O Senhor dos Anéis. Até os “R. R.”s no nome são uma homenagem ao seu ídolo.

Isso não é bem novidade: Martin, criador das famosas Crônicas de Gelo e Fogo, admite que usava até bottons e colava pôsteres de nas paredes do quarto, na época em que a saga foi lançada. Mas parece que essa inspiração toda está por trás de uma das características mais marcantes da escrita de Martin: o hábito gritante de matar seus personagens.

Martin é incomparável no quesito carrasco: só na série baseada em seus livros, estima-se mais de 150 mil pessoas foram mortas ao longo das sete temporadas. Mas o grande destaque nessa matança toda é o hábito de eliminar especificamente os protagonistas.

Ninguém está a salvo, dos amados e bons moços da família Stark, até os vilões icônicos e odiados como Joffrey Baratheon. Ser mocinho, favorito dos fãs ou importante para a trama não faz diferença. E agora sabemos o motivo desse sangue frio e desapego. Segundo Martin, é tudo culpa do Tolkien.

O autor narra como foi sua própria experiência ao ler O Senhor dos Anéis na adolescência: “A grande invenção de Tolkien foram personagens que lutavam contra as tentações do Anel. Eles estão travando batalhas dentro dos próprios corações Isso pode acontecer em qualquer lugar e em qualquer época da história da humanidade. E, então, Gandalf morre! Eu não consigo explicar o impacto que isso teve quando eu tinha 13 anos. Você não pode matar o Gandalf! O Conan não morreu nos livros do Conan, entende?”

O choque de perder Gandalf foi seu grande motivador, confessou o autor ao programa The Great American Read. “Tolkien simplesmente quebrou essa regra, e eu vou amá-lo para sempre por causa disso. No momento em que ele matou o Gandalf, o suspense de tudo que vem em seguida fica mil vezes maior, porque, agora, qualquer um pode morrer. E, claro, isso teve um impacto gigante na minha própria vontade de matar meus personagens num piscar de olhos.”

Já deveríamos ter imaginado. Tolkien inspirou Martin em quase tudo, desde a criação de cenários épicos que são verdadeiros protagonistas, até o fingimento da morte de personagens (estamos olhando para você, John Snow).

A suposta morte de Gandalf foi um choque para todos que acompanhavam a saga de Frodo. Para o público de leitores mais jovens, talvez seja equivalente a pensar na morte de Alvo Dumbledore em Harry Potter. 

O fim de Ned Stark, porém, não fica atrás. Martin mata o protagonista de forma abrupta e no início da narrativa. A história mal começa e já perde seu aparente “herói”. Seja no livro ou na série de TV, o evento foi definitivo para atiçar a curiosidade do público sobre o que estava por vir.

Vale lembrar que a escolha de Tolkien que tanto marcou George R. R. Martin é revertida em As Duas Torres. Gandalf ressurge (e ainda mais forte!). Tendo em vista o amor de Martin por Tolkien, até parecem menos malucas as teorias dos fãs de Game of Thrones de que ainda acreditam em um retorno de Ned Stark. Como e porque, só os últimos livros das Crônicas e a oitava temporada da série poderão responder.

Abaixo, você confere o vídeo completo da entrevista de George R. R. Martin. E encerramos o assunto relembrando uma curiosidade macabra. Sean Bean, o ator que interpreta Ned Stark e sofre a tal morte chocante, também atuou como o personagem Boromir em O Senhor dos Anéis… e, é claro, também foi morto por lá. Um duplo homicídio Tolkien-Martin de deixar qualquer adolescente nerd orgulhoso.

(Atualmente, Martin está escrevendo The Winds of Winter, sexto e penúltimo livro da saga Crônicas de Gelo e Fogo, que segue, como de praxe, sem previsão de lançamento.)