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Música eletrônica: Pra bombar no seu estéreo

The Chronic_Dr. Dre – Doggystyle_Snoop Doggy Dogg – All Eyez on Me_2Pac (Trama) Nacional

Só quando mataram o 2Pac que as coisas realmente ficaram feias pro lado do gangsta rap – em todos os sentidos. Até então, o gênero inventado pelo NWA era uma terra de ninguém. Tirava onda de fodão quem se impusesse. Foi meterem a saraivada de balas no velho Pac para o glamour faroeste transformar-se num pesadelo de Cidade Alerta. Ser gangsta virou simplesmente ser bandido. Os espertos caíram fora antes de morrer. Mas durante três anos, o gênero forjado por Dr. Dre reinou absoluto como um dos principais filões da indústria do entretenimento mundial. E neste departamento não havia ninguém melhor que a gravadora Death Row, que Dre ajudou a fundar com o seminal “The Chronic”, o carro-chefe do pacote de discos que chega ao Brasil com quase uma década de atraso. Do pacote, só “Chronic” e “Doggystyle”, a estréia de Snoop Doggy Dogg, resistem ao tempo. “All Eyez on Me”, o principal álbum de 2Pac, pesa pelo fato de ser duplo e longo demais – pelo menos há “California Love”, que vale o preço de qualquer disco. Outros três discos do mesmo pacote –”Don Killuminatti”, assinado pelo alter ego de 2Pac Makaveli, e a coletânea “Greatest Hits”, e “Tha Doggfather” – interessam mais aos completistas do gênero.

Alexandre Matias

De Leve – O Estilo Foda-se (Segundo Mundo) Nacional

Manhoso, irônico e desbocado, o baixinho de Niterói cospe mais realidade em quatro ou cinco rimas do que “fenômenos pop” como Charlie Brown Jr. ou Kelly Key. Mapa do vagabundo urbano, o “Largado”, vale muito mais que gráficos e pesquisas de publicitários e comunicólogos. Mané e marrento ao mesmo tempo, De Leve cutuca a grande panela que é a MPB em “Pra Bombar no Seu Estéreo”, que também funciona como uma boa amostra pro groove do disco, emborrachado, funkeiro e pra cima.

Alexandre Matias

BNegão & os Seletores de Freqüência – Enxugando Gelo (Net) Nacional

Depois de anos de enrolação (e carburação), saiu o disco solo do MC do Planet Hemp e do Funk Fuckers. Mas quem espera apenas armas de hip hop vai se surpreender. BNegão tem os pés firmes no território do jazz funk, que segura “Nova Visão”, “Dorobo”, a setentona “O Processo” e “(Funk) Até o Caroço”. Com a ajuda de nomes da nova cena, como Instituto, DJ Babão (Inumanos), Alexandre Basa (Mamelo Sound System) e Suzano, “Enxugando Gelo” é a verdadeira nova música brasileira.

Alexandre Matias

The Neptunes – The Neptunes Present: Clones (BMG) Nacional

“Frontin·”, com o falseto de Pharrel Williams, o rap de Jay-Z e as guitarras digitalizadas no estúdio dos Neptunes, já vale o disco. O resto são faixas-bônus, e das boas. As batidas espaçadas estão por toda a parte – é o groove do novo milênio. Fique com o baixo treme-terra de “Hot Damn” ou a fumaça de “It Blows My Mind”, com Snoop Doggy Dog. Os rocks você pode pular. Os Neptunes não precisam disso para mostrar que são os melhores produtores do ano.

Sérgio Teixeira Jr.

King Geedorah – Take me to Your Leader (Big Dada) Importado

Essa é mais uma reencarnação de MF Doom, um dos MCs/ produtores mais respeitados do rap americano subterrâneo. Aqui, ele espreme o supra-sumo dos diálogos de filme B para contar a história de um monstro que quer dominar a terra (o tal King Geedorah). Mas o que vale são os beats insidiosos: “Fazers”, a abertura, e “Krazy World” vão ficar na sua cabeça por semanas. Isso é bom demais.

Sérgio Teixeira Jr.