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Música eletrônica: Som ácido

Por Da Redação - Atualizado em 31 out 2016, 18h51 - Publicado em 30 nov 2003, 22h00

Luke Vibert – Yoseph (Warp) Importado

O som ácido do sintetizador TB-303 morreu, ressuscitou, morreu de novo e agora levanta e anda mais uma vez. DJs antenados estão mandando ver clássicos do começo dos 90; Vibert preferiu refazer. Nas suas mãos, a 303 não é só gritaria. A sujeira está lá, claro, mas também há o funk sutil e deliciosamente analógico da faixa-título e a confusão mental de “Acidisco”. Pule na piscina de ácido. Prepare-se para derreter.

Sérgio Teixeira Jr.

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Sascha Funke – Bravo (BPitch Control) Importado

Atenção: não confundir com Sasha, o inglês do regressivo, ops, progressivo. O Sascha (com C) é do selo de Ellen Alien, que levou o pop 100% digital a novas alturas e ganhou elogios do “New York Times” e dos roqueiros do Radiohead. Não é à toa. Na Alemanha, o tecno é uma religião, o Vaticano é Berlim, e os cardeais mais influentes e inovadores são do BPitch Control. Sascha Funke faz um disco que traz a ortodoxia de Detroit junto ao peito (a faixa título) misturada com idéias libidinosamente pop (a abertura, “Now You Know”). Erga as mãos aos céus e louve este lançamento.

Sérgio Teixeira Jr.

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Ricardo Villalobos – Alcachofa (Playhouse) Importado

Se você ler com atenção o encarte do último CD mixado de Richie Hawtin (“DE9, Closer to the Edit”), vai reparar que o nome de Villalobos e seus amigos dos selos Playhouse e Perlon aparecem em várias faixas. O chileno radicado na Alemanha Villalobos é um produtor capaz não só de desovar alguns do beats mais gordos e precisos que já apareceram em vinil nos últimos tempos – ele também entende muito de groove. E isso quer dizer que o silêncio é tão importante quanto as batidas. “Easy Lee”, a faixa de abertura, é um épico de dez minutos de ritmos que se chocam sob um vocal que se repete ao infinito. Em “Dexter”, a repetição é dos acordes de sintetizador, sobre uma camada de baixo pulsante. A simplicidade da produção de Villalobos engana. “Alcachofa” é um disco profundo, que vai se revelar em muitas e muitas audições.

Sérgio Teixeira Jr.

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Carl Finlow – Electrilogy (Device) Importado

Pobre Carl Finlow. Não que ele deva se importar com todo o cajal, as roupas customizadas, o lixo dos anos 80, como é que se diz?, revisitado. Definitivamente, Finlow não é dessa turma. Mas o fato é que o rapaz faz electro. Seus três singles lançados só em vinil entre o ano passado e este agora saem em CD. Se todo electro fosse assim, o mundo seria melhor. Nesta encarnação, Finlow mistura melodias sublimes aos beats gordos que Bambaataa deu ao mundo. O resultado é um pouco de house (ele é o ex-capo do selo 20:20 Vision), um pouco de pop, tudo com gosto de electro. Para sonhar, “Reconcile”; para dançar, “Polygon Girl”. Imperdível.

Sérgio Teixeira Jr.

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Zombie Nation – Absorber (Dekathlon) Importado

Muito antes de virar um hit radiofônico, a Nação Zumbi da Alemanha empolgava o povo do electro com “Kernkfraft 400”. E isso foi em 1999, muito antes do auê electroclash. Três anos e alguns milhares de euros mais rico, o homem por trás do projeto, DJ Splank, voltou a fazer o que sabe: tecnoelectro underground. A mistura dá liga com gosto. Tem um pé no pop (“The Cut”) e outro no industrial (“Souls at Zero”), com uma autenticidade que o povo da maquiagem simplesmente não consegue alcançar.

Sérgio Teixeira Jr.

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Alexander Kowalski – Response (Kanzleramt) Importado

A turma do selo Kanzleramt (Heiko Laux, Johannes Heil, Diego Hostettler, Dennis de Santis) já vem fazendo tecno de qualidade há tempos, mas “Response” é um marco. Todas as faixas são excelentes, da espacial faixa-título, que abre o disco, aos vocais de Raz Ohara em “And I Will Find You”, a última música do disco. No meio, há, ainda, “Belo Horizonte”, faixa que Kowalski fez em homenagem aos mineiros (ele tocou no Brasil no fim de 2002). Nestes dias de muito software e poucas idéias, Kowalski mostra que, com um laptop na mão, ele é um produtor de responsa.

Sérgio Teixeira Jr.

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