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Novelas: Feios, sujos e malvados

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h50 - Publicado em 30 abr 2005, 22h00

Clarissa Passos Garcia

Em 1976, o autor Cassiano Gabus Mendes quis fazer de Anjo Mau uma novela diferente. Ele deu vida à babá Nice, que tirava do caminho qualquer um que pudesse atrapalhar seus planos de casar com o patrão. A novidade aconteceria nos últimos capítulos: Cassiano pretendia terminar a novela com Nice atingindo seus objetivos. Ela daria um filho ao amado Rodrigo e viveria feliz para sempre. Mas a censura então vigente no país não admitiu que uma vilã se desse bem. Em nome da moral e dos bons costumes, os militares exigiram uma punição para Nice, e ela teve de morrer no parto. A babá acabou tendo o mesmo destino dos vilões de folhetim: ardeu no inferno até o fim da eternidade. E assim a história da novela brasileira seguiu seu curso. Afinal, malvado que é malvado cedo ou tarde encontra o capeta. Quer apostar?

Vlad (Ney Latorraca em Vamp, 1991)

Crime… Chefão dos vampiros de Armação dos Anjos, ele atormentava a vida de Natasha (Cláudia Ohana). Vlad queria porque queria que a rock star fosse sua noiva… e castigo: Sempre bem-humorado, o sanguessuga levou uma estaca no peito, dada pelo capitão Jonas (Reginaldo Faria). Na última cena, ainda se levantou e jurou um retorno triunfal

Zé das Medalhas (Armando Bogus em Roque Santeiro, 1985)

Crime… Dono de uma fábrica de artigos religiosos, oprimia a esposa e ganhava dinheiro explorando a fé que o povo de Asa Branca tinha numa mentira – a lenda de Roque Santeiro… e castigo: Sua ganância desmedida teve final apropriado: Zé esticou as canelas soterrado pelas medalhas de sua própria confecção

Leôncio Almeida (Rubens de Falco em Escrava Isaura, 1976)

Crime… Em sua obsessão pela protagonista, chegou a queimar vivos a própria esposa e o amado de Isaura, ateando fogo à cabana onde estavam … e castigo: Ao ter sua falência descoberta, ficou diante da perda de todos seus bens – incluindo aí o objeto de sua paixão. Suicidou-se antes de ser levado preso pela polícia

Odete Roitman (Beatriz Segall em Vale Tudo, 1988)

Crime… Mãe megera, responsável pelo alcoolismo da filha, Odete maltratava empregados porque tinha desprezo por “pobres”. Poderosa e intragável, a empresária passava por cima de todos para ficar no topo … e castigo: Foi assassinada, a tiros, mas por engano. Leila (Cássia Kiss) pensou que Odete era amante de seu marido

Perpétua (Joana Fomm em Tieta, 1989)

Crime… Entre outras safadezas, a irmã carola da prafrentex Tieta (Beth Faria) era pura inveja. Vivia censurando a cabrita, mas guardava no armário, digamos, os “despojos” do falecido marido… e castigo: Foi humilhada publicamente com a revelação do conteúdo da caixa e de outro grande segredo: a beata era careca e usava peruca

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Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo em O Bem-Amado, 1973)

Crime… Mandava prender e soltar em Sucupira, onde era prefeito. Encomendava até morte, sonhando em inaugurar o cemitério que construiu … e castigo: Cúmulo da ironia, realizou em morte seu sonho de vida. Foi morto por Zeca Diabo (Lima Duarte), que havia sido contratado para arrumar um corpo e abrir o tal cemitério

Ravengar (Antônio Abujamra em Que Rei Sou Eu?, 1989)

Crime… O bruxo atuava nos bastidores políticos do Reino de Avilan, local deveras semelhante à República do Brasil lá pelos anos de mil-novecentos-e-José-Sarney … e castigo: O feiticeiro perdeu o poder, mas conseguiu se misturar à multidão e escapou da ira popular. Pouco depois, já tentava se infiltrar no novo governo

Marco Aurélio (Reginaldo Faria em Vale Tudo, 1988)

Crime… Empresário corrupto, vivia nos braços das amantes e acobertava as tramóias da patroa, Odete Roitman… e castigo: Caso raro de crápula que se safou sem prejuízos, fugiu do país antes de ser pego. E, do jatinho particular, deu uma solene banana para o Brasil-il-il

Drink no inferno

Eles não podem ficar de fora

• Laurinha Figuerôa (Glória Menezes em Rainha da Sucata, 1990) era apaixonada pelo enteado. Antes de se matar, armou para as suspeitas caírem sobre a rival Maria do Carmo (Regina Duarte)

• Alex Kundera (Cécil Thiré em Top Model, 1989) morria de inveja do irmão Gaspar (Nuno Leal Maia) e lançou no país a horrível moda de usar a ponta da gravata para dentro da calça. Imperdoável

• Felipe Barreto (Antonio Fagundes em O Dono do Mundo, 1991) apostou uma caixa de champanhe que tiraria a virgindade da noiva de um funcionário. E ganhou a parada

• Maria de Fátima (Glória Pires em Vale Tudo, 1988) casou para dar o golpe do baú, dormia com meio mundo e, pior de tudo, desprezava a própria mãe

• Artur da Tapitanga (Ary Fontoura em Tieta, 1989) aliciava garotinhas abandonadas – que mais tarde eram rebatizadas como “rolinhas” – para ensiná-las a “ler”

• Isadora Venturini (Silvia Pfeiffer em Meu Bem, Meu Mal, 1990) fez o sogro, Dom Lázaro (Lima Duarte), ter um derrame ao descobrir seu affair com o maior inimigo da família

• Yolanda Pratini (Joana Fomm em Dancin’ Days, 1978) moveu mundos e fundos para evitar a reconciliação da própria irmã com a filha

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