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Novo documentário explora vida de pioneira na luta pela proteção dos tubarões

A conservacionista Valerie Taylor é a estrela de "Brincando com Tubarões", que estreia no Disney+ nesta sexta (23). Conheça a sua história.

Por Luisa Costa Atualizado em 22 jul 2021, 21h26 - Publicado em 22 jul 2021, 21h24

Aos 85 anos, Valerie Taylor veste com certa dificuldade um traje de mergulho cor de rosa. Quando ela termina de colocá-lo, vai logo para debaixo d’água, onde começa a interagir com vários de seus velhos amigos – os tubarões. 

“Todo mergulho tem o potencial de ser uma grande aventura”, diz Valerie em uma das cenas de Brincando com Tubarões, documentário que estreia nesta sexta (23) no Disney+. O filme é um mergulho (com o perdão do trocadilho) sobre a vida da australiana, pioneira na captação de imagens da vida marinha e no estudo (e conservação) dos tubarões.

Uma breve história de Valerie

Para muitos, Valerie é considerada uma lenda viva. Nascida em 1935, ela começou a mergulhar quando era adolescente e, um pouco mais tarde, passou a praticar caça submarina (nos anos 1950, campeonatos do tipo eram uma febre por lá). Taylor era bastante habilidosa – a ponto de se tornar uma campeã.

Aos poucos, contudo, ela percebeu que a vida marinha era algo para se proteger e apreciar. A partir daí, começou a investir na captação de imagens subaquáticas acompanhada do marido, Ron Taylor, e a trabalhar em prol da preservação dos animais.

Nos anos 1960, Valerie e seu marido eram pioneiros na gravação de tubarões sem a proteção de uma gaiola. Eles fizeram documentários e participaram de uma série de produções audiovisuais – a mais famosa delas, o clássico Tubarão (1975).

No filme de Steven Spielberg, o tubarão é pintado como o vilão da história. Muitos argumentam, inclusive, que a repercussão do longa possa ter colaborado para uma visão pessimista dos animais na época – algo que, na prática, não faz muito sentido. As chances de sofrer um ataque de tubarão são muitos pequenas (1 em 3,75 milhões). É mais provável morrer atingido por um raio do que por um ataque desses.

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“Ninguém espera ver o King Kong no Empire State Building quando vai para Nova York, certo? Então por que esperar encontrar Bruce [o tubarão do filme] quando vai à praia?”, disse Valerie durante uma coletiva de imprensa de Brincando com Tubarões, da qual a Super participou. A australiana confessou que, na época, ninguém envolvido na produção do longa achava que o público levaria tão a sério uma história fictícia. “É muito raro encontrar um tubarão na vida real – e se você ver, considere-se privilegiado.”

Ao longo da vida, Valerie mergulhou com tubarões incontáveis vezes, e acredita que eles podem ser tão amigáveis quanto um cachorro – você só precisa dar motivo a eles para passar um tempo com você. Foi essa ideia que ela tentou passar com seu trabalho, mostrando que eles não são perigosos como sua má fama faz parecer e que são seres magníficos, com personalidades únicas.

  • Os bastidores do documentário

    “A primeira vez que vi a Valerie foi durante a adolescência, em uma capa da revista National Geographic junto a um tubarão”, relembra Bettina Dalton, produtora do documentário. Para ela, as imagens captadas por Taylor traziam o mundo submarino para a sala de estar de sua casa na Austrália. “Nunca vou esquecer essa cena, ela parecia uma super heroína.” 

    Brincando com Tubarões é construído principalmente a partir de filmagens de Valerie e Ron. Sally Aitken, diretora do documentário, afirmou durante a coletiva que trabalhar com este material foi, ao mesmo tempo, um privilégio e uma grande responsabilidade por conta dos 50 anos de aventuras subaquáticas documentadas em imagens e diários. 

    Para além da trajetória de Valerie, as cenas do filme ajudam a contar a história da própria vida marinha. “Ela prestou um grande serviço para a ciência, não só por suas iniciativas de proteção dos oceanos, mas também pela captação das imagens em si”, conta Bettina.

    Para Aitken, por meio das filmagens de Valerie, podemos testemunhar o que tínhamos e o que perdemos em questão de quantidade e diversidade dos ecossistemas marinhos. A produção do documentário espera que o filme chame atenção para a importância da preservação da vida marinha – e desperte a responsabilidade coletiva ante esse problema.

    “Acho que sou muito sortuda por ter passado a vida mergulhando e explorando a vida marinha, mas hoje muitos lugares estão sendo destruídos”, disse Valerie. A conservacionista lamenta também a pesca desenfreada de tubarões, por exemplo, que coloca em risco a existência de muitas espécies – e dos oceanos em geral.

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