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Quadrinhos de faroeste

Cláudia de Castro Lima

A colonização do Oeste distante (o “far west”, ou, aportuguesado, faroeste) já rendeu muita bala. Tudo começou nos anos 30, quando as aventuras que misturavam cavaleiros brancos e índios peles-vermelhas ganharam as telas do cinema. De lá, foi um pulo para virarem histórias em quadrinhos superpopulares pelo mundo todo – até no Japão, onde os caubóis tinham olhos puxados e suas aventuras se passavam na Austrália. Escritos por americanos, italianos, argentinos, franceses e até brasileiros, os gibis começaram a chegar aqui no Brasil há mais de 60 anos. O primeiro a aparecer nas bancas foi Bronco Piler, um cavaleiro americano também conhecido como Red Ryder, em 1939, no número 1 do Gibi. Mas quem realmente fez história no Brasil foi gente como Tex Willer, Tenente Blueberry e Lucky Luke, o “caubói que atira mais rápido que a própria sombra”.

Lucky Luke

O caubói “que atira mais rápido que a própria sombra” foi criado na França em 1946. Lucky Luke e seus dois companheiros, o cavalo Jolly Jumper e o cão Rantanplan, o “mais estúpido do Oeste”, têm como inimigos os terríveis irmãos Dalton.

Blueberry

O tenente Mike Steve Donovan, verdadeira identidade de Blueberry, existiu de verdade. Fisicamente, a inspiração foi o ator francês Jean-Paul Belmondo. Malicioso e teimoso, começou a ser publicado no Brasil em 1976. De tenente, o mocinho passa a ser agente federal. Estreou em fevereiro deste ano o primeiro filme do caubói, chamado Blueberry – A Experiência Secreta. A história se baseia em dois álbuns da série.

Tex Willer

Criado na Itália em 1948, Tex é o maior dos “fumetti” (quadrinhos italianos) e também o maior caubói do Brasil: já tem mais de 50 anos de bancas e é o que mais vende, até hoje. Tex teve suas feições inspiradas em Gary Cooper. Conhecido como Águia da Noite, tem em Kit Carson seu parceiro inseparável e é também amigo do índio Jack Tigre. Foi salvo da morte pela índia Lilyth (ou Lírio Branco) e casou-se com ela. Da união saíram dois bons frutos: o filho Kit Willer e o título de Chefe dos Navajos – adquirido após a morte do sogro, o poderoso índio Flecha Vermelha.

Epopéia Tri

O nome original desta série italiana é História do Oeste. No Brasil, foi publicada como Epopéia Tri pela editora Ebal porque era trimestral. Os gibis duraram 17 anos, ou 73 edições. A série, criada por Gino D’Antonio e Renzo Calegari em 1967, contava a história do Velho Oeste através de várias gerações das famílias MacDonald e Adams, a partir de 1804, durante a primeira expedição em direção ao Oeste norte-americano, até 1890. Nela, grandes nomes da história se misturavam a personagens fictícios, fossem políticos, bandidos, mocinhos, índios ou pioneiros.

Lone Ranger

O caubói americano Cavaleiro Solitário foi criado em 1932 como um herói de rádio. Depois apareceu na TV, quadrinhos e cinema. Em todas as mídias, ficou famoso por seu “Aiô, Silver”, que usava para chamar seu cavalo, e também por sua amizade com o índio Tonto. O Brasil é o único lugar do mundo em que era conhecido por Zorro. O verdadeiro Zorro é o herói espanhol capa-e-espada, que fazia um “Z” nos inimigos e usava uma máscara parecida com a do Cavaleiro Solitário. Daí a confusão.

Ken Parker

Nascido em 1974, Ken Parker teve suas feições inspiradas no ator Robert Redford e estreou no Brasil em 1978. É o mais “humano” dos heróis de western: ele apanha, sofre e se machuca um bocado nas histórias. Tinha um irmão, Bill, assassinado no primeiro número. Por isso, passa o tempo caçando os matadores. É chamado também de Rifle Comprido, graças à sua antiga arma de fogo Kentucky, herdada do avô, que a usou na Revolução Francesa.