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Teoria sobre ‘Westworld’ explica quem é o Homem de Preto

E também revela quem é Bernard de verdade (cuidado: contém spoilers)

Toda série de sucesso é a mesmo coisa: os fãs criam teoria atrás de teoria sobre os mistérios do roteiro. Mas, se em Game of Thrones a maior dúvida era a linhagem de Jon Snow (a gente acertou essa), em Westworld, as coisas ficam um pouco mais complicadas – afinal, não dá nem para ter certeza se as pessoas são mesmo humanas.

Para amarrar um pouco a trama de robôs, velho oeste, fofocas corporativas e espionagem industrial, fãs da série têm se agarrado a uma teoria bem complicada. Mas antes de começar, cuidado: esse texto contém spoilers dos seis primeiros episódios da série. Se quiser evitá-los, deixe para ler quando acabar a temporada.

A teoria é a seguinte: e se cada história de Westworld, na verdade, estiver acontecendo em um tempo diferente?

E se William (Jimmi Simpson) e Logan (Ben Barnes) estivessem no parque 30 anos no passado, e o Homem de Preto (Ed Harris) estivesse vivendo no presente? Existem algumas evidências disso – como o fato de William e Logan não interagirem diretamente com nada que acontece na linha do tempo do Homem de Preto e nem com o próprio personagem de Harris.

Mas a prova mais importante é o logo de Westworld. Antes da série estrear, a HBO postou um tweet dizendo que “Em Westworld, até os logos merecem um olhar mais aprofundado” – e realmente, se você prestar atenção, o logo do parque que William e Logan vêem ao entrar não é o mesmo que aparece sempre na companhia, durante as tretas corporativas:

O logo que Logan e William vêem ao chegar em Westworld é diferente do que aparece na companhia. O logo que Logan e William vêem ao chegar em Westworld é diferente do que aparece na companhia.

O logo que Logan e William vêem ao chegar em Westworld é diferente do que aparece na companhia. (Reprodução/)

O logo novo também é o logo da série. O logo novo também é o logo da série.

O logo novo também é o logo da série. (Reprodução/)

Na verdade, o logo que William e Logan vêem só aparece uma outra vez na série: no jaleco dos primeiros engenheiros do parque… no flashback de Ford (Anthony Hopkins), 30 anos antes:

choque!!!!!!!!! choque!!!!!!!!!

choque!!!!!!!!! (/)

E tem mais. No episódio em que William e Logan chegam em Pariah (aquela cidade ~mexicana~ bem louca, onde está El Lazo), Logan menciona que um dos fundadores do parque (que nós sabemos ser Arnold) cometeu suicídio, e que, desde então, os lucros de Westworld tinham entrado em queda livre. Logan também deixa escapar que a empresa onde ele e William trabalham está pensando em comprar parte do parque, e por isso eles estariam ali. Seguindo esse raciocínio, a gente começa a se perguntar: peraí, mas isso não foi há 30 anos?

A coisa fica mais confusa. No final do episódio 5, o Homem de Preto comenta com Ford que o parque estaria perdido sem o dinheiro dele. Percebemos, então, que foi graças ao Homem de Preto que Westworld continua de pé, porque ele comprou parte do lugar. Mas se ele já está sustentando o parque… Por que diabos Logan precisaria comprar outra parte de lá também?

A resposta é: as duas compras são a mesma. Porque, na verdade, o Homem de Preto é William 30 anos no futuro; um William que endureceu depois de tudo o que passou 30 anos antes. Convenhamos: não sabemos o nome do Homem de Preto. Não sabemos nada sobre ele, a não ser que ele visita o parque há 30 anos, que ele salvou o lugar e que, presumivelmente por isso, ele tem permissão para fazer o que quiser por lá. Fora que os dois atores são bem parecidos…

Isso explicaria melhor como diabos Lawrence (Clifton Collins Jr.) foi morto pelo Homem de Preto e, minutos depois, apareceu como El Lazo em Pariah, para conversar com William e Logan. Tá, tudo bem que os técnicos do parque vivem limpando e consertando os robôs, e a gente sabe que eles “morrem” todos os dias e que são reutilizados, mas o tempo entre a morte de Lawrence e sua recolocação como El Lazo seria recorde. Se a gente aceitar que William é o Homem de Preto no passado, e que Lawrence foi morto pelo personagem de Ed Harris 30 anos no futuro, isso faz mais sentido.

A transformação de William em Homem de Preto também parece estar começando a acontecer: no começo, ele era um fofinho com todo mundo, se recusava a atirar e ficava horrorizado com qualquer violência, mas depois da luta em Pariah, ele atira, abandona Logan e até para de se importar se o chapéu branco está manchado (lembra como ele esfregava as manchas de sangue no segundo episódio?).

Dolores: viajante no tempo
Dolores (Evan Rachel Wood), a anfitriã mais antiga do parque, também seria a conexão entre futuro e passado – porque ela teria vivido os dois. Quando ela interage com William, está lembrando da aventura que eles tiveram 30 anos antes; quando ela interage com o Homem de Preto (ou quando está sozinha), está no “presente”. Ou seja: Dolores saiu da sua linha narrativa 30 anos antes, com William, e está saindo de novo agora e refazendo seus passos e se lembrando de William/do Homem de Preto. No “presente”, ela está refazendo os passos que deu junto com William, 30 anos antes – e é por isso que em todos os lugares para onde ela vai, é como se tivesse aparecido ali do nada. Tanto é que a edição sempre mostra a robô sozinha, antes de mostrar William e Logan:


Quem é Bernard?
A última peça desse quebra-cabeças é Bernard (Jeffrey Wright). Essa é difícil de seguir, mas confia que é boa: Bernard, na verdade, seria um robô – e mais: uma cópia de Arnold, o antigo sócio de Ford na criação de Westworld.

Pelo episódio 6, sabemos que é possível replicar qualquer pessoa num robô idêntico ao ser humano original – tanto que Arnold recriou a família de Ford como um presente para o amigo. Faria sentido que Ford quisesse retribuir o favor, transformando Arnold num boneco imortal e praticamente humano, e dando a ele uma posição de destaque na empresa.

A atenção aos detalhes de Bernard é assustadora. Ele está sempre notando padrões bizarros e muito pequenas no comportamento dos outros, quase como… Um robô. E sabemos, pelo episódio passado, que isso é um traço possível nos androides – inclusive, é uma das características mais fortes de Maeve, a cafetina.

O jeito como Ford lida com Bernard também parece indicar alguma coisa estranha ali. O personagem de Anthony Hopkins fica olhando Bernard com o mesmo olhar de quando ele observa qualquer um de seus robôs: maravilhado e condescendente. E logo no primeiro episódio, Ford diz “Eu sei como esse seu cérebro funciona, Bernard” (quem diria isso?!).

Na foto que Ford mostra para Bernard, Arnold é bem parecido com ele (e Bernard pode não ter notado porque os androides do parque só podem ver aquilo que estão programados para ver; por isso Dolores não vê a foto que buga seu pai). Você também pode não ter notado porque foi muito rápido e porque a gente fica maravilhado com o Anthony Hopkins rejuvenescido:

Mas não é só isso. Sabemos que o filho de Bernard, Charlie, morreu no hospital – e sabemos também, por Ford, que Arnold tinha uma vida pessoal sofrida, com algum trauma desconhecido. Mas como é que o filho de Bernard morreu no hospital, se Ford disse que, na realidade da série, ninguém mais morre de doenças? Só se a criança não fosse filha de Bernard, mas de Arnold – e tivesse morrido 30 anos antes.

Isso explicaria muitas cenas fora de contexto, como Bernard (Arnold?) conversando com uma Dolores vestida (sendo que ela está pelada em qualquer outra “entrevista”, inclusive com Ford e com o próprio Bernard), e ele mesmo usando roupas um pouco estranhas para ele, mais escuras. Ou então, a cena dele conversando com a (ex?) esposa pelo ~skype~, sendo que ela não aparece mais na série – e mesmo que ele tenha um caso com Theresa. Tudo isso teria acontecido 30 anos antes, quando Arnold ainda estava vivo, e quando ele começou a estudar melhor Dolores (sabemos que ele era obcecado por criar a consciência nos robôs, enquanto Bernard se empenha em dizer que os anfitriões são meros bonecos).

Ou seja: Westworld tem três linhas do tempo, da perspectiva de Dolores – 35 anos antes, quando Arnold estava vivo; 30 anos antes, quando ela conheceu William e Arnold já tinha morrido, e o presente, com um velho e amargurado William.

E aí, você acha que faz sentido?

Comentários

Não é mais possível comentar nessa página.

  1. Raphael Costa

    E essa primeira imagem de todas da dolores com a mosca pode ser tipo ela em um depósito passeando por todas essas lembrnças

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  2. Luciano Clecio

    SPOILER

    Seria uma pena, se a Dolores não tivesse tido lembranças do Homem de Preto momentos antes de matar o bandido na fazenda com a arma, e logo depois ter encontrado com o William, teoria fail

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  3. Fábio Ximenes

    Sim, parece tudo encaixar, mas, em minha opinião, apenas parece. Deve-se analisar mais detalhadamente:
    No ep. 3 Dr Ford diz ao Bernard que no início era pura criação (sem convidados). Foi nesse período que ocorreu o incidente com morte de Arnold.
    No ep. 5 Logan fala que o suicídio do sócio foi “um pouco antes de abrir”. O incidente foi na ausência de convidados.
    Deve-se admitir que a participação do MIB dentro do parque pode ir além de um mero cliente (pois ele aparentemente estava no período do incidente).
    Notem mais uma coisa: vejam a tecnologia que aparece na história contada pelo Ford ao Bernard no ep 3, o cenário, os computadores, as paredes. Ali, sim, parece algo com 3 décadas de diferença. Agora percebam o cenário em que chegam Logan e William (ep. 2), é exatamente o mesmo cenário (mesa de vidro para escolha de armas, local de escolha de roupas, etc.) que aparece naquela propaganda do ep 6 quando Maeve se vê. Mesmo Maeve vendo uma história antiga dela mesma, sabemos que pode ser de pouco mais de um ano, já que esse é o período que é gerente do bordel. Agora, é incoerente uma propaganda ter imagens exatamente iguais de 30 anos no passado.
    Esses são apenas alguns dos furos dessa teoria…

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  4. Adilson Júnior

    Luciano Clecio, a história de Dolores (e d todo o parque) é um ciclo repetitivo. Daí faz sentido ela estar fugindo d 2 ciclos diferentes d história.

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  5. Assim como não faz sentido numa linha temporal sequencial nessa mesma cena q a Dolores encontra o William, ela estar sendo entrevistada por Bernard em seguida, sumindo sem deixar falta no local onde estava.

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  6. Se o Bernard for um robô, é uma explicação d como Ford sabe do relacionamento da Theresa com ele.

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  7. Quando Dolores está com William, tem uns flashbacks, lembrando algo como um desastre. Quando Ford encontra com o homem de preto, ele comenta sobre um desastre q quase destruiu o parque, qndo Arnold era vivo.

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  8. E ainda há uma história não contada, que pode ser uma trama interessante, a da Theresa, q qndo se encontra com Ford para falar da aprovação da construção do novo evento, ela fala q tinha se sentado naquela mesma mensa com seu pai, quando era criança. E então no tempo futuro a vemos trabalhando em WestWordl e no último episódio foi-nos mostrado q ela quem vazava informações do parque.

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  9. Cleber Affonso

    faz sentido porque no primeiro ep, o homem de preto mata os bandidos que estao na casa dela e a leva pro celeiro ele fala algo do tipo vamos matar as saudades!

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  10. Simone Miguel de Souza

    O funcionário do parque que autorizou o show pirotécnico para o homem de preto libertar o Rodrigo Santoro da prisão não é o mesmo que foi avisado que a Dolores se desgarrou de sua narrativa?

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  11. Simone Miguel de Souza

    Depois do episódio de ontem se houver mesmo duas linhas do tempo o Stubbs também é um robô!!

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  12. Francisco Zotto

    Eu ainda acho que o temperamento do Logan parecido demais com o MIB. Ambos são os únicos que tratam o mundo realmente como um jogo.
    Mas acho a teoria muito válida sim, tendo em vista o último episódio ganha mais força.

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