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Teoria sobre ‘Westworld’ explica quem é o Homem de Preto

E também revela quem é Bernard de verdade (cuidado: contém spoilers)

Por Helô D'Angelo - 7 nov 2016, 18h05

Toda série de sucesso é a mesmo coisa: os fãs criam teoria atrás de teoria sobre os mistérios do roteiro. Mas, se em Game of Thrones a maior dúvida era a linhagem de Jon Snow (a gente acertou essa), em Westworld, as coisas ficam um pouco mais complicadas – afinal, não dá nem para ter certeza se as pessoas são mesmo humanas.

Para amarrar um pouco a trama de robôs, velho oeste, fofocas corporativas e espionagem industrial, fãs da série têm se agarrado a uma teoria bem complicada. Mas antes de começar, cuidado: esse texto contém spoilers dos seis primeiros episódios da série. Se quiser evitá-los, deixe para ler quando acabar a temporada.

A teoria é a seguinte: e se cada história de Westworld, na verdade, estiver acontecendo em um tempo diferente?

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E se William (Jimmi Simpson) e Logan (Ben Barnes) estivessem no parque 30 anos no passado, e o Homem de Preto (Ed Harris) estivesse vivendo no presente? Existem algumas evidências disso – como o fato de William e Logan não interagirem diretamente com nada que acontece na linha do tempo do Homem de Preto e nem com o próprio personagem de Harris.

Mas a prova mais importante é o logo de Westworld. Antes da série estrear, a HBO postou um tweet dizendo que “Em Westworld, até os logos merecem um olhar mais aprofundado” – e realmente, se você prestar atenção, o logo do parque que William e Logan vêem ao entrar não é o mesmo que aparece sempre na companhia, durante as tretas corporativas:

O logo que Logan e William vêem ao chegar em Westworld é diferente do que aparece na companhia.
O logo que Logan e William vêem ao chegar em Westworld é diferente do que aparece na companhia. Reprodução
O logo novo também é o logo da série.
O logo novo também é o logo da série. Reprodução

Na verdade, o logo que William e Logan vêem só aparece uma outra vez na série: no jaleco dos primeiros engenheiros do parque… no flashback de Ford (Anthony Hopkins), 30 anos antes:

choque!!!!!!!!!
choque!!!!!!!!!

E tem mais. No episódio em que William e Logan chegam em Pariah (aquela cidade ~mexicana~ bem louca, onde está El Lazo), Logan menciona que um dos fundadores do parque (que nós sabemos ser Arnold) cometeu suicídio, e que, desde então, os lucros de Westworld tinham entrado em queda livre. Logan também deixa escapar que a empresa onde ele e William trabalham está pensando em comprar parte do parque, e por isso eles estariam ali. Seguindo esse raciocínio, a gente começa a se perguntar: peraí, mas isso não foi há 30 anos?

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A coisa fica mais confusa. No final do episódio 5, o Homem de Preto comenta com Ford que o parque estaria perdido sem o dinheiro dele. Percebemos, então, que foi graças ao Homem de Preto que Westworld continua de pé, porque ele comprou parte do lugar. Mas se ele já está sustentando o parque… Por que diabos Logan precisaria comprar outra parte de lá também?

A resposta é: as duas compras são a mesma. Porque, na verdade, o Homem de Preto é William 30 anos no futuro; um William que endureceu depois de tudo o que passou 30 anos antes. Convenhamos: não sabemos o nome do Homem de Preto. Não sabemos nada sobre ele, a não ser que ele visita o parque há 30 anos, que ele salvou o lugar e que, presumivelmente por isso, ele tem permissão para fazer o que quiser por lá. Fora que os dois atores são bem parecidos…

Isso explicaria melhor como diabos Lawrence (Clifton Collins Jr.) foi morto pelo Homem de Preto e, minutos depois, apareceu como El Lazo em Pariah, para conversar com William e Logan. Tá, tudo bem que os técnicos do parque vivem limpando e consertando os robôs, e a gente sabe que eles “morrem” todos os dias e que são reutilizados, mas o tempo entre a morte de Lawrence e sua recolocação como El Lazo seria recorde. Se a gente aceitar que William é o Homem de Preto no passado, e que Lawrence foi morto pelo personagem de Ed Harris 30 anos no futuro, isso faz mais sentido.

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A transformação de William em Homem de Preto também parece estar começando a acontecer: no começo, ele era um fofinho com todo mundo, se recusava a atirar e ficava horrorizado com qualquer violência, mas depois da luta em Pariah, ele atira, abandona Logan e até para de se importar se o chapéu branco está manchado (lembra como ele esfregava as manchas de sangue no segundo episódio?).

Dolores: viajante no tempo
Dolores (Evan Rachel Wood), a anfitriã mais antiga do parque, também seria a conexão entre futuro e passado – porque ela teria vivido os dois. Quando ela interage com William, está lembrando da aventura que eles tiveram 30 anos antes; quando ela interage com o Homem de Preto (ou quando está sozinha), está no “presente”. Ou seja: Dolores saiu da sua linha narrativa 30 anos antes, com William, e está saindo de novo agora e refazendo seus passos e se lembrando de William/do Homem de Preto. No “presente”, ela está refazendo os passos que deu junto com William, 30 anos antes – e é por isso que em todos os lugares para onde ela vai, é como se tivesse aparecido ali do nada. Tanto é que a edição sempre mostra a robô sozinha, antes de mostrar William e Logan:

http://media.vanityfair.com/photos/5819ad9a827d57cf27da6e08/master/w_690,c_limit/ww-d-loop-one.gif
Quem é Bernard?
A última peça desse quebra-cabeças é Bernard (Jeffrey Wright). Essa é difícil de seguir, mas confia que é boa: Bernard, na verdade, seria um robô – e mais: uma cópia de Arnold, o antigo sócio de Ford na criação de Westworld.

Pelo episódio 6, sabemos que é possível replicar qualquer pessoa num robô idêntico ao ser humano original – tanto que Arnold recriou a família de Ford como um presente para o amigo. Faria sentido que Ford quisesse retribuir o favor, transformando Arnold num boneco imortal e praticamente humano, e dando a ele uma posição de destaque na empresa.

A atenção aos detalhes de Bernard é assustadora. Ele está sempre notando padrões bizarros e muito pequenas no comportamento dos outros, quase como… Um robô. E sabemos, pelo episódio passado, que isso é um traço possível nos androides – inclusive, é uma das características mais fortes de Maeve, a cafetina.

O jeito como Ford lida com Bernard também parece indicar alguma coisa estranha ali. O personagem de Anthony Hopkins fica olhando Bernard com o mesmo olhar de quando ele observa qualquer um de seus robôs: maravilhado e condescendente. E logo no primeiro episódio, Ford diz “Eu sei como esse seu cérebro funciona, Bernard” (quem diria isso?!).

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Na foto que Ford mostra para Bernard, Arnold é bem parecido com ele (e Bernard pode não ter notado porque os androides do parque só podem ver aquilo que estão programados para ver; por isso Dolores não vê a foto que buga seu pai). Você também pode não ter notado porque foi muito rápido e porque a gente fica maravilhado com o Anthony Hopkins rejuvenescido:

Mas não é só isso. Sabemos que o filho de Bernard, Charlie, morreu no hospital – e sabemos também, por Ford, que Arnold tinha uma vida pessoal sofrida, com algum trauma desconhecido. Mas como é que o filho de Bernard morreu no hospital, se Ford disse que, na realidade da série, ninguém mais morre de doenças? Só se a criança não fosse filha de Bernard, mas de Arnold – e tivesse morrido 30 anos antes.

Isso explicaria muitas cenas fora de contexto, como Bernard (Arnold?) conversando com uma Dolores vestida (sendo que ela está pelada em qualquer outra “entrevista”, inclusive com Ford e com o próprio Bernard), e ele mesmo usando roupas um pouco estranhas para ele, mais escuras. Ou então, a cena dele conversando com a (ex?) esposa pelo ~skype~, sendo que ela não aparece mais na série – e mesmo que ele tenha um caso com Theresa. Tudo isso teria acontecido 30 anos antes, quando Arnold ainda estava vivo, e quando ele começou a estudar melhor Dolores (sabemos que ele era obcecado por criar a consciência nos robôs, enquanto Bernard se empenha em dizer que os anfitriões são meros bonecos).

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Ou seja: Westworld tem três linhas do tempo, da perspectiva de Dolores – 35 anos antes, quando Arnold estava vivo; 30 anos antes, quando ela conheceu William e Arnold já tinha morrido, e o presente, com um velho e amargurado William.

E aí, você acha que faz sentido?

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