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História

A verdadeira história dos irmãos Grimm

Jacob e Wilhelm não foram camponeses contadores de histórias. Foram nerds do século 19 que se trancaram na biblioteca para buscar as tradições de um país que não existia: a Alemanha.

por Texto: Bruno Vaiano | Design: Estúdio Nono | Ilustração: Gustavo Rodrigues | Edição: Alexandre Versignassi Atualizado em 27 ago 2020, 14h11 - Publicado em 14 jul 2020 10h38
E

ra uma vez um muro que dividia a Alemanha. Não era o de Berlim. No ano 9 depois de Cristo, 20 mil legionários romanos atravessaram o Rio Reno para conquistar o norte da Europa. Mas caíram em uma emboscada armada por Hermann – em português, “Armínio” –, chefe da tribo dos queruscos. Os romanos foram massacrados.

Depois da humilhação, Augusto, primeiro imperador de Roma, se convenceu de que as tribos do atual território alemão eram um caso perdido. Mandou construir uma muralha ao longo do Rio Reno para protegê-lo do que chamou de furor teutonicus (o “furor teutão”). Assim, esses guerreiros loiros comedores de batata conseguiram um privilégio raro na Antiguidade: seguir comendo suas batatas, do outro lado do muro. Nada de aula de latim.

Os romanos batizaram esse norte supostamente selvagem, além da muralha, de Germania. A origem do termo é incerta. No século 19, um linguista chamado Jacob Grimm supôs que o nome deriva da palavra celta gairmeanna, que significa “barulho” ou “grito”. Afinal, os germânicos eram vizinhos dos gauleses (o povo celta subjugado pelos romanos e famoso pelo personagem Asterix). E ninguém melhor do que um vizinho para reclamar de barulho.

Jacob Grimm nasceu em 1785 na cidade de Hesse, na parte oeste de onde hoje fica a Alemanha. Com 11 anos, ficou órfão do pai, um funcionário público de classe média. A família caiu na pobreza. Com uns 20, Jacob percebeu que era órfão de país também. Não foi só ele. Na época, todo mundo percebeu. É só prestar atenção na história da Alemanha.

Primeiro, os alemães eram grupos desconexos, unidos apenas por um nome dado pelos romanos, “germânicos” – e não por eles próprios (o nome do país em português, inclusive, vem de um desses grupos independentes, os alamanos).

Depois, os alemães deram de ser romanos: no ano 800, plena Idade Média, o líder militar Carlos Magno fundou um certo Sacro Império Romano Germânico. Na prática, aquilo era um amontoado de centenas de principados de economia agrária, mais ou menos independentes politicamente, cada um com suas leis e impostos. Aos trancos e barrancos, esse megazord feudal durou mil anos, até ser anexado e dissolvido por Napoleão, em 1806.

Pior do que ser invadido por um francês é admitir que a vida ficou melhor depois da invasão. Antes, a população vivia sob um sistema quase feudal, subjugada por nobres locais. Os franceses eram caras relativamente democráticos, e cortaram os privilégios de sangue que mantinham esse nobres há gerações no poder. Eles também cortaram umas 3 mil cabeças por lá (nós dissemos “relativamente” democráticos). Os germânicos ficaram em crise existencial, precisando de um psicólogo.

Jacob Grimm ainda não sabia, mas ele acabou sendo o psicólogo. Tinha cinco irmãos mais novos; só um deles ficou famoso: Wilhelm Grimm. Juntos, Wilhelm e Jacob escreveram um dos mais importantes dicionários da língua local, o Deutsch, pesquisaram a origem do Deutsch e brigaram para que a terra dos que falam Deutsch se tornasse um país unido e democrático – aquele que a gente hoje chama de Alemanha, e que os alemães seguem chamando de Deutschland (“terra dos que falam Deutsch”). E tudo começou com contos de fada.

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Vivendo na Disney

O

s Grimm não tinham grana, mas tinham tia. Com ajuda dela, fizeram o equivalente ao Ensino Médio em Kassel – e, depois, faculdade de Direito em Marburg. Lá, vendiam o almoço para comprar a janta. Principalmente para Jacob, o foco era se tornar o homem da casa após a morte do pai, e pagar por uma vida melhor para os irmãos mais novos. Ele conseguiu. Mas não foi como advogado.

A carreira dos Grimm mudou de rumo graças a um amigo chamado Clemens Brentano. Ele era um típico poeta boêmio, e morreu sem jamais ter visto um holerite. Estava “fora de todas as possibilidades da vida econômica”, nas palavras do crítico literário Otto Maria Carpeaux, “mas tinha a poesia no corpo como outros têm o Diabo”.

Acompanhado do amigo Achim von Arnim, Brentano colecionou canções folclóricas. Depois, transcreveu e embelezou os versos, e publicou uma coletânea intitulada A Trompa Mágica do Menino: Velhas Canções Alemãs. Até Goethe – que, para os alemães, é tipo Shakespeare – leu e gostou.

Brentano era uma encarnação dos clichês do Romantismo, o movimento cultural em voga na época: levemente maluco, genial e dedicado à missão de preservar a memória coletiva, o autêntico espírito do povo (em alemão, Volksgeist). Ele queria resgatar a Alemanha raiz que estava perdida em meio à Alemanha Nutella. Essa foi uma das muitas maneiras como os artistas e acadêmicos reagiram à decadência do Sacro Império e à ocupação das tropas napoleônicas.

Foi por isso que Brentano pediu aos Grimm que fizessem uma coletânea parecida – mas, dessa vez, de contos de fada. Em alemão, “conto de fada” se diz Märchen – uma palavra que, no século 19, tinha a acepção de “notícia” ou “relato” de um acontecimento notável. Em bom português: era uma coletânea de autênticos causos populares. Ou pelo menos essa era a ideia. Na prática, eles não eram tão populares nem tão germânicos.

Os Grimm coletaram muitos contos de moças da classe média urbana. Como as quatro irmãs da família Hassenpflug, que viviam em uma mansão – ou as crianças da família Wild, vizinhas dos Grimm (nada de passeio no bosque, eles só atravessavam a rua). A fonte mais famosa dos Grimm foi Dorothea Viehmann. Ela era viúva de um alfaiate, e vendia frutas e hortaliças para sustentar seus sete filhos.

Viehmann era filha de um francês dono de uma taverna, e ouviu dezenas de contos dos clientes na infância – os contos que repetiu para os Grimm. Se ela precisasse recitar uma história duas vezes, era capaz de fazê-lo exatamente nas mesmas palavras, sem mudar uma vírgula. E foi assim que Jacob e Wilhelm, sem saber, anotaram e publicaram as versões francesas (e não germânicas) de muitos contos. Não que fizesse muita diferença: hoje, sabe-se que os contos eram parte do imaginário da Europa como um todo; não fazia sentido reivindicá-los a um ou outro país.

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Os Grimm não saíram nos bosques alemães para coletar contos folclóricos. Muitas vezes, eles ouviam as histórias de suas vizinhas de classe média.

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Gustavo Rodrigues/Superinteressante

A primeira edição da coletânea saiu em dois volumes. O primeiro, de 1812, tinha 86 contos. O segundo, de 1815, 70 contos. Os clássicos já estavam todos lá: “Cinderela”, “João e Maria”, “A Princesa e o Sapo”, “Chapeuzinho Vermelho”, “Rapunzel”…

Em 1822, saiu um terceiro volume só com anotações e comentários acadêmicos sobre os textos. A ideia dos Grimm era torná-los objetos de estudo científico. Mas, no fim das contas, os Kinder- und Hausmärchen (algo como “contos de fada para o lar e as crianças”) acabaram fazendo sucesso justamente no lar, entre as crianças.

Conforme mais e mais reimpressões eram vendidas, Wilhelm – o irmão Grimm de coração mais mole – foi mexendo nos textos para atenuar as insinuações de sexo e violência. Porque, sim: havia muitas.

Na versão original, Rapunzel vive em “prazer e alegria” com o príncipe que escalava a torre e, depois de engravidar, pergunta: “Por que minhas roupas estão tão justas?” Bela Adormecida é estuprada. Em um conto menos famoso, O Pé de Zimbro, um homem viúvo com um filho se casa novamente. A nova esposa, enfurecida por ter de criar o bebê de outra mulher, pica o menino e faz dele um ensopado, que é servido ao marido. Essas histórias, obscenas originalmente, eram entretenimento para adultos, e não lições de moral para crianças.

Jacob, fiel à ideia de que era um guardião da cultura germânica, se afastou do projeto quando Wilhelm começou a alterar os contos para agradar o público infantil burguês da época. Para quem concorda com Jacob – e curte enredos sangrentos –, hoje existe uma tradução em português da primeira edição, sem autocensura, publicada no Brasil pela Editora 34.

Outra inspiração dos Grimm na faculdade foi o professor Friedrich von Savigny – um jurista romântico, que acreditava que leis não devem ser impostas ao povo, mas derivar das tradições desse povo. Graças a ele, os irmãos se tornaram filólogos, ou seja: cientistas especializados em decifrar e preservar textos antigos. Isso envolve estabelecer a autenticidade, decifrar a caligrafia e entender como era a língua na época daquele texto (línguas, afinal, mudam rápido: Gil Vicente escreveu há “apenas” 500 anos e hoje seu português é incompreensível para um aluno de Ensino Médio).

O Grimm mais velho, Jacob, se tornou fluente no alemão meio alienígena de seus antepassados. E percebeu que não eram só os textos que tinham história: as palavras também. Mas, para contar essa história, precisamos fazer uma viagem a Roma.

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A Lei de Grimm

O

latim falado no Império Romano é uma língua morta. Isso significa que ele não é mais o idioma nativo de nenhum grupamento humano. Não há nenhum vilarejo perdido na Europa em que os bebês aprendam a falar em latim. E quem aprende tem o propósito de estudar a língua, não de pedir um misto na padaria do Vaticano.

Ou seja: o latim é como um dinossauro. Não há mais dinossauros por aí, mas descobrimos sobre eles com o auxílio de fósseis. Línguas também deixam fósseis. Existe, por exemplo, a Eneida, poema épico de Virgílio. Ele ilustra o latim rebuscado dos textos literários no auge da civilização romana.

Nas ruas, porém, falava-se o latim vulgar: uma língua que foi tão viva quanto o português é hoje, cuja pronúncia podemos conhecer graças aos erros de ortografia em pichações. Entenda assim: se um arqueólogo investigando o Brasil daqui mil anos visse um muro com “França” escrito “Franssa”, ele descobriria que “ç” e “ss” eram pronunciados por nós com o mesmo som.

Os arqueólogos de hoje fizeram deduções parecidas sobre o latim graças às inscrições nos muros de Pompeia. (Um dos mais famosos avisos preservados pelas cinzas do Vesúvio diz: “Cuidado, você que aqui defeca. Que sofra a fúria de Júpiter caso ignore esta mensagem”.)

O latim não morreu abruptamente. Ele se transformou, de maneira gradual, em outras línguas. No Brasil, por exemplo, ainda falamos latim. A língua portuguesa do professor Pasquale é basicamente o latim vulgar com o sotaque da província romana da Lusitânia, onde hoje fica Portugal (mais as influências árabes que vieram depois). Após 2 mil anos de transformações – jovens sempre falam diferente de seus avós –, muita coisa mudou.

Sapere e mutare, por exemplo, se tornaram “saber” e “mudar”: as letras “p” e “t” ali foram trocadas por “b” e “d”, cujo som é mais macio. Fale as palavras em voz alta e preste atenção nos movimentos da sua boca: o “b” soa quase igual ao “p”, só que mais preguiçoso.

Esse enfraquecimento das consoantes já estava nas pichações: a palavra pacatus foi pintada numa parede em Pompeia como pagatus – sinal de que, no latim vulgar daquela região, o “c” já estava sendo trocado por “g”. De fato, a palavra securum, em latim, se tornou “seguro” em português. Essas transformações continuam ocorrendo: No Recife, pronuncia-se o “d” em “dia” na ponta da língua, mas em São Paulo, onde essa pronúncia já foi comum, agora o normal é falar “djia”.

O latim obviamente não surgiu do nada. Do mesmo jeito que o português, o espanhol, o italiano, o francês e o romeno vieram do latim, o latim veio de uma língua ainda mais antiga, chamada pelos linguistas de proto-indo-europeu (PIE). Com algumas poucas exceções – como o basco, o finlandês e o húngaro –, todas as línguas europeias atuais descendem do proto-indo-europeu. Inglês, alemão, russo, polonês são todos primos de segundo grau das línguas latinas. O mesmo vale para o persa falado no Irã e o sânscrito, que deu origem a diversos idiomas indianos. Eles também descendem do PIE.

O PIE existiu por volta de 3 mil anos antes de Cristo, uma época anterior à escrita. A hipótese mais aceita afirma que seus falantes originais foram um povo das estepes áridas do sul da Rússia, na faixa de continente entre os mares Cáspio e Negro. Em planícies vastas, com poucas árvores, a domesticação de cavalos e a tecnologia da roda permitiram que esses pastores do neolítico usassem carroças. Eles se espalharam para o Oeste rumo à Europa, e para o Leste rumo à Pérsia e à Índia. O proto-indo-europeu foi assimilado por toda a Eurásia, e deu origem a dezenas de línguas-filhas.

Não é difícil, para um leigo, sacar que português e espanhol são línguas irmãs, filhas do mesmo pai, o latim. Mas o proto-indo-europeu é muito antigo. Ele não é o pai, ele é o avô – e é bem mais difícil perceber que português, polonês e sânscrito são primos. A não ser que você seja muito observador. E é aqui que entra Jacob Grimm.

Jacob notou o seguinte: quando uma palavra em uma língua latina começa com a letra “p”, como “peixe”, “pé” e “pai”, na língua germânica ela começa com “f”, como fish, feet e father. Ele fez essa observação em alemão, obviamente, em que essa sequência de palavras fica Fisch, Fuß, e Vater. (em alemão, o “v” de Vater tem som de “f”, a letra “ß” tem som de “ss” e todos os substantivos começam com maiúscula).

Jacob Grimm foi o Darwin dos linguistas: descobriu as leis que ditaram a evolução das palavras alemãs.

Não era coincidência. Jacob Grimm percebeu muitas outras regras. O “g”, por exemplo, era intercambiável com o “c”. Assim, palavras como “gelo”, que em latim se escreve gelu, são parentes das palavras cold em inglês e Kalt em alemão, que significam “frio”. Grimm fez pela linguística o que Darwin fez pela biologia: encontrou as leis de transformação fonética que, ao longo de milhares de anos, guiaram o caminho do proto-indo-europeu até o alemão.

A partir daí, vários linguistas descobriram as leis por trás de dezenas de sons. Hoje, conhecemos com precisão a árvore genealógica das línguas, ao menos do PIE para a frente, com centenas de idiomas vivos e extintos. Entenda abaixo:

1. Proto-indo-europeu

Em 1822, Jacob Grimm publicou as Leis de Grimm, que explicam a evolução das línguas germânicas a partir do proto-indo-europeu (PIE), um idioma pré-histórico. Falado há 3 mil anos, o PIE deu origem ao latim e ao protogermânico. Não há registros escritos, mas uma “engenharia reversa” permitiu descobrir como as palavras eram pronunciadas. Acompanhe a evolução de três delas:

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1.*peysk- (peixe)
2.*kmtóm (cem)
3.*h₃dónts (dente)

Os asteriscos nas palavras em proto-indo-europeu e protogermânico indicam que elas foram reconstruídas pelos linguistas porque não havia registros escritos. Essas mesmas palavras podem conter acentos, símbolos e números que não existem no alfabeto latino; eles indicam aos especialistas a maneira exata de pronunciá-las.

2. Proto-germânico

Entre outras regras, Grimm descobriu que P virou F (ex. 1), o K virou H (ex. 2) e o D virou T (ex. 3) na passagem do PIE para o protogermânico. O inglês e o alemão são assim até hoje. No alemão, o T mudou de novo para Z, veja Zahn (“pronunciado “tzán”). Compare abaixo:

Proto-germânico

1.*fiskaz (peixe)
2.*hundą, (cem)
3.*tanþs (dente)

Alemão

1. Fisch (peixe)
2. Hundert (cem)
3. Zahn (dente)

Inglês

1. fish (peixe)
2. hundred (cem)
3. tooth (dente)

3. Latim

A língua de Roma evoluiu a partir de outro ramo do proto-indo-europeu, e não obedeceu às Leis de Grimm. Mas outras transformações ocorreram no ramo latino. A palavra “cem”, que em português tem som de S, vem de centum, que provavelmente tinha som de K (“quentum”). Compare abaixo:

Latim

1. piscis (peixe)
2. centum (cem)
3. dens (dente)

Português

1.Peixe
2.Cem
3. Dente

Francês

1.poisson (peixe)
2.cent (cem)
3.dent (dente)

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O dicionário

J

acob Grimm gostava da história das palavras, mas sabia que colecionar palavras, como quem coleciona contos, era um pouco trabalhoso. Em 1830, uma editora chamada Weidmannsche fez uma proposta ambiciosa aos irmãos: produzir o dicionário de alemão mais completo de todos os tempos, com cada palavra que eles conseguissem listar, da Bíblia de Lutero até o Fausto de Goethe. Na época, os Grimm já tinham cargos confortáveis na Universidade de Göttingen, e eles recusaram. A proposta ficou em aberto por sete anos.

Até 1837, quando o reino de Hannover, onde ficava Göttingen, passou para a mão de um certo rei chamado Ernest Augustus. Ele era um monarca autoritário, que pretendia adulterar a Constituição e censurar os trabalhos acadêmicos. Augustus cobrou lealdade aos professores; os irmãos Grimm e outros cinco colegas protestaram. O movimento contra a intervenção entrou para a história como “Os Sete de Göttingen”. Todos os sete foram demitidos e perseguidos.

Os irmãos morreram fazendo o maior dicionário de alemão da história. Chegaram até a letra F.

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Gustavo Rodrigues/Superinteressante

Os Grimm fugiram inicialmente para Kassel, a cidade onde tinham passado a infância, e depois se fixaram em Berlim. Precisando de dinheiro, aceitaram produzir o dicionário. Mas sabiam que era uma missão impossível produzir o Wörterbuch (“livro de palavras” – o alemão é extremamente literal). O fato é que Wilhelm morreu em 1859, enquanto fazia a letra D. Jacob, quatro anos depois, em 1863, na letra F. Ele estava na palavra Frücht (uma palavra rara para “fruta”, a mais comum é Obst).

A unificação dos pequenos Estados germânicos na forma de uma Alemanha (nada democrática) aconteceu em 1871. O Deutsches Wörterbuch, porém, só terminaria 90 anos depois, em 1961, em uma colaboração entre acadêmicos das duas Alemanhas da época – a capitalista e a comunista. De tanto sonhar com uma Alemanha unida em vida, eles acabaram unindo a Alemanha na morte. De quebra, inventaram a infância de boa parte das crianças do mundo. Quando Wilhelm tirou a violência exacerbada dos contos de fada, ele deu à luz uma ideia: de que histórias antigas podem mudar de roupa para convencer crianças novas – mas, no fundo, sempre serão as mesmas histórias. Walt Disney agradece.

Fontes Juliana Pasquarelli Perez e Marcus Mazzari, professores de Literatura Alemã da FFLCH, USP. Livros Grimm Legacies: The Magic Spell of the Grimms’ Folk and Fairy Tales e The Brothers Grimm, from Enchanted Forests to the Modern World, de Jack Zipes; História da Literatura Ocidental e História da Literatura Alemã, de Otto Maria Carpeaux; The Horse, the Wheel, and Language, de David W. Anthony; Cultura Geral, de Dietrich Schwanitz; para saber mais, leia O Lado Sombrio dos Contos de Fada, de Karin Hueck, publicado pela SUPER.

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