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antílopes:você nunca viu isso

Mas a inovação do filme não é só técnica. Tem lá também uma visão nova sobre o planeta. Até hoje, os documentários ou mostravam os animais ou mostravam o ambiente.

Denis Russo Burgierman, diretor de redação

Imagine a cena. Um bando de antílopes visto de cima, numa savana.

Imaginou? Aposto que, na cena da sua cabeça, os antílopes estão correndo desesperados, numa nuvem de poeira. Acertei? É que, se você já assistiu a um documentário de natureza, sabe que, nas vistas aéreas, os animais estão sempre em pânico. Sabe por quê? Porque essas imagens são feitas de helicópteros, que devem ser a coisa mais apavorante e barulhenta que esses bichos já viram.

Você nunca na vida teve a chance de ver esses animais se comportando como no dia-a-dia. Essa é uma das propostas de Planeta Terra, a mais espetacular série sobre a natureza já feita e a maior produção da história da BBC, que a Super tem o privilégio de trazer em dvd ao Brasil antes mesmo do lançamento no resto do mundo. As tomadas aéreas, por exemplo, são feitas a centenas de metros, com uma câmera com lentes potentíssimas e um sistema de estabilização digno de um satélite. Os animais nem sabem que estão sendo observados.

Planeta Terra usa muita tecnologia para captar em alta resolução imagens que nunca fomos capazes de ver. Ou porque são escuras demais – há lá, uma linda cena noturna de raposas crianças brincando no deserto. Ou porque são lentas demais, como uma nuvem se formando, o gelo derretendo, uma planta vivendo. A série tem orçamento de superprodução e usa o know-how de Hollywood para captar imagens dramáticas.

Mas a inovação do filme não é só técnica. Tem lá também uma visão nova sobre o planeta. Até hoje, os documentários ou mostravam os animais ou mostravam o ambiente. Planeta Terra é o primeiro a entender que os processos são interligados: que a proliferação dos insetos tem a ver com a temperatura, que tem a ver com a atividade das plantas, que tem a ver com os ventos, que tem a ver com as correntes, que têm a ver com a presença das algas, e assim por diante de um jeito complexo e profundo. É simplesmente emocionante.

Grande abraço!