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Asfalto selvagem

O fotógrafo Leo Drumond percorreu 25 mil quilômetros atrás da riqueza cultural de Minas Gerais. Em 3 meses de viagem, não passou 10 quilômetros sem encontrar um animal morto na estrada

Por Da Redação - Atualizado em 31 out 2016, 18h20 - Publicado em 31 mar 2008, 22h00

Texto Anna Virginia Balloussier

Linhas mortais

Um estudo do Ibama estima que pelo menos 2,4 milhões de animais silvestres são atropelados por ano no país. No norte de Minas, o tamanduá-mirim é uma vítima comum. Por ser um animal de hábitos e visão noturnos, não consegue reagir à luz forte do farol. E paralisa. “Este devia estar terminando a travessia quando foi pego por um caminhão”, diz Leo.

7 vidas… 6… 5…

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Segundo o Ibama, a média anual é de 6,5 animais mortos por quilômetro. Achou muito? O número não inclui os animais domésticos, que lideram o obituário nas rodovias. Em geral, felinos são mais espertos que outros bichos caseiros, como cachorro e cavalo. Gatas prenhes e filhotes, como este, são tristes exceções.

União primata

Essa de cada macaco no seu galho é lenda urbana. Ou melhor, rural. O mico-estrela anda em bandos de até 15 indivíduos e é cuidadoso na hora de descer para o asfalto . Os caminhoneiros contam que, quando um deles é atropelado, o resto do grupo vai lá e remove o corpo para o canto da estrada.

A vaca foi pro brejo

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A imagem da manada morta, que lembra o livro Os Sertões, de Euclides da Cunha, foi flagrada numa estrada na divisa com a Bahia. As vacas podem ter sido desovadas por açougues e frigoríficos ou atropeladas, virando um risco para quem passa por ali. Quando um carro se choca com elas, os passageiros podem morrer também.

Serpente a bordo

A jararacuçu-do-brejo, achada no vale do Jequitinhonha, foi a única morte testemunhada pelo fotógrafo em tempo real. “Parei para fotografá-la ainda viva, logo depois de um caminhão passar por cima dela. Ainda agonizava quando cliquei. Às vezes o pessoal vê a cobra, dá marcha à ré e passa novamente”, diz.

Reação em cadeia

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“O animal avista a comida morta na estrada, se aventura no asfalto e acaba, ele também, sendo atropelado”, diz Wagner Fischer, biólogo do Ibama. Atraídas pela carniça, aves de rapina como o gavião-cabloco viram alvo fácil, principalmente porque não têm a ginga de urubus e outros carniceiros mais experientes.

Melhor amigo?

Os cães são as vítimas mais comuns de atropelamentos, principalmente nas áreas urbanas. Este tinha um detalhe a mais: coleira. “O dono devia estar se perguntando onde ele foi parar. No fim da noite, o corpo já estava na estrada. No dia seguinte, continuava lá, mas numa posição diferente. Certamente sofreu novo impacto”, diz Leo Drumond.

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