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Barco descrito por Heródoto há 2,5 mil anos é encontrado afundado no Nilo

É a primeira evidência de que o veículo mencionado pelo historiador grego durante uma viagem ao Egito existiu de fato.

Por Guilherme Eler
21 mar 2019, 20h44

Em Histórias, como foi intitulada a coletânea das obras do historiador grego Heródoto, ele usa 23 linhas descrevendo um tipo estranho de navio à vela que encontrou no Egito. Era algo que jamais tinha avistado em suas andanças, ainda que os gregos fossem referência em assuntos náuticos – e mesmo ele próprio tendo perambulado bastante pelo mundo antigo.

Como se assistisse à cena a beira do Nilo, Heródoto nota que os trabalhadores egípcios encarregados da construção do veículo “cortam tábuas de dois côvados [medida equivalente a cerca de 100 centímetros] e as organizam como tijolos. Depois, inserem as tábuas em dois pedaços de madeira longos e resistentes, e colocam vigas sobre eles.”

“Eles remendam o interior com papiros. Há um leme passando por um buraco na quilha [peça de madeira que liga a popa à proa]. O mastro é de acácia, e as velas, de papiro.”

Alguns historiadores acreditavam que o relato acima, registrado entre 450 a.C e 430 a.C, definisse perfeitamente o veículo conhecido pelos egípcios como “baris”. O problema é que a existência do barco em questão nunca havia sido confirmada: nenhuma evidência arqueológica seguia os moldes descritos pelo velho Heródoto, o que fazia com que a história não tivesse muito crédito. Isso acaba de mudar.

O primeiro baris catalogado da história, batizado pelos pesquisadores pelo nome “barco 17”, foi encontrado durante escavações na cidade portuária de Thonis-Heracleion, no Egito. Localizada a 32 km de Alexandria, a cidade foi um ponto comercial importante no período faraônico.

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Hoje, porém, se encontra submersa – e virou uma espécie de cemitério de barcos egípcios antigos. Desde que foi descoberta por arqueólogos, no ano 2000, rendeu mais de 70 navios naufragados, construídos entre os séculos 8 e 2 a.C.

Estima-se que o mais ilustre deles, o baris, tenha sido encontrado com 70% do casco da embarcação bem preservado. Ele tinha originalmente cerca de 28 metros de tamanho – bem maior do que o descrito em Histórias.

Além disso, contava com “espigas” (encaixes entre duas peças de maneira que funcionam como peças de LEGO) menores e nenhuma armação que servia de reforço para o casco – ao contrário do relato do historiador grego, que falava em espigas de madeira grandes e vários reforços na estrutura do barco. Tais imprecisões, porém, não indicam que Heródoto fez uma descrição imprecisa. Pelo contrário.

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“Heródoto descreve os barcos como tendo grandes ‘costelas’ internas. Ninguém sabia de fato o que aquilo significava. Essa estrutura nunca havia sido vista em algum achado arqueológico antes. Então descobrimos essa forma de construção no tal barco, e era exatamente como Heródoto disse que era”, disse Damian Robinson, em entrevista ao jornal The Guardian.

Segundo Robinson, é provável que o barco tenha sido construído no século 6 a.C e “reusado como uma espécie de balsa, após ser aposentado como barco”, transportando bens entre diferentes armazéns espalhados ao longo do Rio Nilo.

Alexander Belov, autor do livro Barco 17: um baris de Thonis-Heracleion, que foi publicado neste mês, sugere que a embarcação em questão poderia inclusive ter sido feita no estaleiro que o grego visitou – de tão parecida com a descrição feita por Heródoto.

Resumo da ópera? Não fique chateado quando alguém duvidar de uma história sua, leitor. Mais dia menos dia, ela pode se provar verdadeira e entrar para os anais da história. Se isso acontecer em menos de 2,5 mil anos, um tanto melhor, é claro.

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