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Calendários: recomeçar sempre

O Sol e a Lua dividem o tempo em ciclos que se repetem eternamente.

Por Raquel Ribeiro Atualizado em 10 dez 2019, 17h42 - Publicado em 14 out 1999, 22h00

A maioria dos povos antigos, como os babilônios, marcava os meses a partir das mudanças da Lua. Eles observaram que ela levava 29,5 dias para executar a seqüência entre nova, crescente, cheia e minguante. A soma de doze ciclos lunares coincidia com o ciclo das estações – um ano. Mas o astro que rege as estações do ano – e, portanto, as épocas do plantio e da colheita – é o Sol, e não a Lua. Para dar uma volta ao redor do Sol a Terra leva 365,4 dias, enquanto o ano lunar dura apenas 354 dias. Esses povos, para sintonizar o calendário com o movimento da Terra, adicionavam um mês extra de vez em quando.

O transtorno foi repassado aos romanos, até ser resolvido por Júlio César (100-44 a.C.). No ano 46 a.C., César decidiu acabar com o annus confusionis, ou seja, aquele em que era preciso ajustar o calendário. Roma adotou o calendário solar egípcio, de 365 dias e 6 horas. Em homenagem a César, o mês Quintilis passou a se chamar Julius – julho, em latim.

A mais longa das noites

O sistema de contagem do tempo usado em quase todo o mundo é o calendário gregoriano, implantado em 1582. Até então, a Europa usava o calendário juliano, defasado em dez dias em relação ao ano solar. Coube ao papa Gregório XIII resolver o problema. A solução foi totalmente arbitrária: em 1582, os europeus dormiram no dia 4 de outubro e acordaram 15 de outubro. Um transtorno, mas era o único jeito.

Imaginação no poder

Não foi só sobre o pescoço dos inimigos que se abateu a fúria dos revolucionários franceses de 1789. Eles também guilhotinaram o calendário, reinventando o modo de se contar o tempo. Os meses ganharam nomes relacionados à natureza, como Vindimário (época da colheita das uvas), Brumário (mês das névoas), Nival (mês das neves), Pluvioso (mês das chuvas) e Termidor (mês do calor). Os dias passaram a ter 10 horas de 100 minutos cada uma. E o minuto, 100 segundos. O ano era de 360 dias e os cinco dias restantes, dedicados ao lazer e ao esporte. A inovação durou até 1806, quando Napoleão Bonaparte (1769-1821), depois de assumir o poder, decretou a volta do calendário gregoriano.

Escolha seu ano

Contagem varia conforme a cultura.

Mês bissexto

Os gregos usavam um calendário lunar com meses de 29 dias e meio, totalizando 354. Para corrigir a diferença em relação ao calendário solar, incluíam um mês extra periodicamente.

Briga de astros

O calendário judaico é lunissolar, ou seja, baseado em parte no Sol e, em parte, na Lua. O ano civil, solar, começa no outono do hemisfério norte; o religioso, na primeira lua nova da primavera. A cada dois ou três anos, um mês suplementar é acrescentado para resolver a incompatibilidade entre o ano solar e o lunar. Os judeus estão no ano 5760.

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Precisão indígena

Os maias, povo da América Central que se extinguiu antes da conquista espanhola, criaram um calendário de 365 dias. O ano civil tinha 18 meses de 20 dias, somando 360. Os cinco dias restantes eram considerados de mau agouro. Paralelamente, os maias tinham um calendário religioso de 260 dias.

Início com Maomé

Nos países árabes, 1999 ainda é 1377. É que o calendário muçulmano é contado a partir da Hégira, a fuga do profeta Maomé de Meca para Medina, no ano 622 d.C. O sistema tem 12 meses, que começam sempre na lua nova. É por isso que o Ramadã, o mês sagrado, não tem uma data fixa no calendário ocidental: ele começa sempre na primeira lua cheia do nono mês.

Sistema de rodízio

Os babilônios foram os primeiros a dividir o dia em 24 horas, por volta do século V antes de Cristo. Seu calendário era lunar, com 360 dias. Para evitar a defasagem em relação ao ano solar, a cada 12 anos lunares de 12 meses seguiam-se 7 anos de 13 meses – um sistema tão complexo que acabou sendo abandonado.

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