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Coco Chanel, a revolucionária da moda

Antes da célebre estilista francesa, a maioria das mulheres escondia as pernas, só usava cabelos compridos, roupas apertadas e joias verdadeiras

À afirmação de que havia precedido o movimento feminista, ela replicou: “A instrução da mulher consiste apenas em duas lições – nunca sair de casa sem meias e nunca sair sem chapéu”. À de que teria sido pioneira na arte do design de moda, ela retrucou: “A moda não é uma arte, é um negócio”. À de que sua independência a tinha lançado num mundo antes dominado pelos homens, ela sentenciou: “Uma mulher que não é amada não é ninguém. A solidão pode ajudar um homem a se encontrar, mas destrói uma mulher”. À de que foi uma autêntica self-made woman já no início do século, ela rebateu com histórias fantasiosas e rebuscadas sobre uma infância endinheirada e um refinado pai negociante de cavalos.

E no entanto, Gabrielle Chanel aboliu os vestidos armados em favor de um jeito de vestir prático e confortável; criou roupas e acessórios que hoje se encontram expostos em museus; sempre preferiu o trabalho à conveniência de um casamento e montou, sozinha, um império equivalente a bilhões de dólares em valores atuais. Mademoiselle, como ficou conhecida ao longo de 88 anos de uma agitada existência, era uma personagem dinâmica e empreendedora, sujeita a tempestades de cólera e a alfinetadas venenosas, quando se sentia ameaçada. O paradoxo marcou sua vida: era uma dama de ferro sonhadora, revolucionária com estilo clássico, ousada apesar de alérgica às grandes extravagâncias.

Em sua certidão de nascimento, preenchida por dois funcionários de um hospital para indigentes da cidade de Saumur, oeste da França, consta que, no dia 20 de agosto de 1883, nasceu uma criança do sexo feminino, filha de Jeanne Devolle, 19 anos, e de Albert Chanel, 27 anos, “um casal casado”. Mas o pai estava ausente e as testemunhas não assinaram o ato, porque não sabiam como fazê-lo. E, na verdade, embora Gabrielle fosse a segunda filha do par de interioranos, eles ainda não eram casados. A modista abominava sua condição de bastarda. Negava a existência dos irmãos e chegava a dar-lhes uma razoável quantia para que jamais emergissem de sua condição de pequenos negociantes. Nunca alguém ousou desmascarar na sua frente as histórias rocambolescas que ela inventava para falar de sua origem.

“Nasci naquele sanatório por acaso, porque minha mãe passou mal na rua”, contou certa vez. “Nasci durante uma viagem, num vagão de trem”, arriscou em outra ocasião. Na realidade, o pai, Albert, era um vendedor ambulante de botões, aventais e vinhos, nas feiras livres das cidades situadas no vale do rio Loire. Jeanne, a mãe, tinha tanto medo de perdê-lo, que não hesitava em segui-lo nas intermináveis viagens, deixando os cinco filhos com sua família, não menos numerosa. Aos 32 anos, em pleno inverno rigoroso, ela morreu de asma num quarto sem aquecimento em Brive-la-Gaillarde, cidadela a meio caminho entre os centros comerciais de Bordeaux e Clermont-Ferrand.

Albert estava viajando. Ao voltar, levou as três filhas para o orfanato de Aubazine, o mais importante daquela região francesa. O pai nunca apareceu, como havia prometido, para buscar Julie, Gabrielle (então com 12 anos) e Antoinette. As garotas acabaram educadas por suas “tias”, como Mademoiselle costumava se referir às freiras da Ordem do Sagrado Coração de Jesus. Durante mais de oito décadas, o tempo que viveu, a palavra orfanato jamais escapou de seus lábios. No entanto, os banhos de lixívia – substância usada geralmente para tirar manchas em tecidos – e a rígida disciplina do estabelecimento povoaram sua memória de más recordações. Suas tias eram descritas como espectros negros, de mãos secas e enrugadas, com olhar frio e distante. Graças a elas, Coco elaborou o seu conceito sobre a educação eficiente, capaz de arrepiar muitos psicólogos e pedagogos.

“Tenho sido ingrata com minhas detestáveis tias”, disse. “Afinal, devo a elas tudo o que tenho. Uma criança revoltada acaba se tornando uma pessoa com couraça e força. Os beijos, os carinhos, as professoras e as vitaminas transformam as crianças em adultos infelizes e doentios. Aos 18 anos, Gabrielle foi transferida para um pensionato e, aos 20, começou a trabalhar em um armarinho na cidade de Moulins, centro da França. Ali, cismou que seu destino era ser artista e passou a cantar as duas únicas músicas que conhecia bem no La Rotonde, um café local.

As canções “Ko-ko-ki-ko” e “Qui qu’a vu Coco” (Quem foi que viu Coco) tinham refrões muito parecidos e, por causa deles, os galantes militares do 10º Regimento de Cavalaria, assíduos frequentadores desses concertos, apelidaram a moça de Coco. Depois disso, ela nunca mais foi chamada de Gabrielle. Etienne Balsan, filho de prósperos industriais do setor têxtil, fazia parte do 10º Regimento e, quando viu a corista, se apaixonou. Seu sonho era comprar uma fazenda para criar cavalos puros-sangues, tão logo terminasse o serviço militar. Ao realizá-lo, adquirindo Royallieu – uma propriedade que, em tempos passados, já tinha sido um castelo fortificado, uma abadia e um convento –, convidou Coco para morar com ele.

Assim, aos 23 anos, ela se transformou em uma “mastigadora de diamantes” ou “irregular” – termos usados na época para designar mulheres com as quais não se casava legalmente, embora se dividisse o mesmo teto e cama. Coco também dividia as atenções de Etienne com sua concubina oficial, Emilienne d’Alençon, que havia enriquecido graças às jóias dadas pelo ex-namorado, Jacques, filho da duquesa Anne d’Uzès, a primeira mulher que obteve permissão para dirigir um automóvel na França. Ao se apaixonar pela cortesã, Jacques foi banido pela família para a África, e ali acabou morrendo. Mas, enquanto Emilienne se cobria com enfeites, Coco se diferenciava por suas ideias bastante particulares sobre a moda dos anos que antecederam a Primeira Guerra Mundial.

“As mulheres põem até fruteiras na cabeça. Como um cérebro pode funcionar lá embaixo?”, comentava. Ela preferia acompanhar o amante Etienne ao hipódromo usando um despojado chapéu de palha, preso com um alfinete na negra cabeleira lisa. Aos vestidos sóbrios, acrescentava acessórios exóticos, como gravatas e paletós, que ia buscar no armário do companheiro.

Como Etienne tinha a silhueta enxuta de um rapaz, suas roupas geralmente serviam no corpo miúdo de Coco, que tinha verdadeiro horror aos babados, plumas e rendas que ornavam o guarda-roupa feminino. Preferia adaptar trajes masculinos e, em pouco tempo, alcançou o efeito desejado. As frequentadoras de Royallieu – a maioria artistas, esportistas e escritoras, mal faladas na sociedade moralista – passaram a procurar Coco, pedindo dicas, e muitas vezes disputavam os seus famosos chapeuzinhos de palha.

Até então Coco consumia boa parte do dia em caminhadas pelo campo, cochilos nos jardins e leituras leves. “Ninguém pode viver com horizontes tão estreitos”, reconhecia, sempre que recordava a decisão de trabalhar – algo que o amante refutou em aceitar. No início do século, atividade remunerada era coisa para operárias ou artistas, que na maioria das vezes trabalhavam por pura necessidade. O caso de Coco era diferente – ela queria sua independência.

O belo Arthur Capel, mais conhecido pelo apelido Boy, inglês amigo de Balsan, parecia compreender a moça. Ele viu Coco pela primeira vez numa caçada em Pau, no sudoeste da França e acabou conquistando-a. “Estou partindo com Boy Capel para Paris. Desculpe, mas eu o amo”, ela escreveu no bilhete para o dono de Royallieu. Nada impediu, porém, que Coco e o ex-amante continuassem amigos – ou mais do que isso.

Durante dois anos, ela namorou os dois homens: Balsan chegou a emprestar-lhe um apartamento, no centro da capital francesa, para que iniciasse o seu comércio; Boy Capel adiantou-lhe o dinheiro. O ano era 1909. Antoinette, a irmã preferida, e Adrienne, uma tia com a sua mesma idade, ajudaram-na na divulgação, usando seus chapéus de manhã até a noite. “As mulheres, às vezes, vinham ao ateliê só para me ver de perto”, contou anos mais tarde. “Eu era um bicho curioso, com um chapéu de palha sobre a cabeça e uma cabeça sobre os ombros.

“Os canotiers, nome desses chapeuzinhos, terminaram ilustrando uma página inteira da influente revista Les Modes. Para aumentar seu prestígio, Chanel assinou o penteado e os chapéus da atriz Gabrielle Dorziat, sua amiga dos tempos de Royallieu, que estrelava a peça Bel Ami, baseada no romance do célebre escritor francês Guy de Maupassant. Foram dois empurrões decisivos para, em 1911, a modista abandonar o pequeno estúdio e abrir sua primeira loja, mais uma vez com a ajuda financeira de Boy, no número 31 da rue Cambon, paralela ao famosíssimo Faubourg Saint Honoré, a alameda parisiense das grandes grifes.

Até hoje, o costureiro Karl Lagerfeld assina as criações da marca Chanel no mesmo endereço. Numa das muitas entrevistas que concedeu, Coco explicou o sucesso de suas lojas da seguinte maneira: “Minha fortuna foi construída em cima daquela malha velha que eu vesti porque fazia frio em Deauville”. Ela se referia ao balneário, à beira do Canal da Mancha, que servia de refúgio aos amantes das corridas de cavalos, tanto ingleses quanto franceses.

O hotel mais requintado era o Normandy, onde Boy e Coco, considerados o casal da moda, alugaram a suíte mais luxuosa, para passar uma temporada. Ela já era conhecida como modista – termo usado para designar os criadores de chapéus e penteados. Então, certa manhã, Coco decidiu que não vestiria uma malha do namorado, tipo suéter, pela cabeça. Quem sabe por capricho, cortou-a na frente, improvisando uma gola e um cinto com retalhos do mesmo tecido e, suprema subversão, dois enormes bolsos – “na altura exata em que as mãos gostam de descansar”, descreveu.

Graças à diferença de estatura, a roupa de Boy, totalmente reformada, caia como se fosse um vestido. “Todos me perguntavam onde eu o havia comprado e eu respondia: “Se quiser, vendo um desses para você”. Com isso, acabei vendendo dez modelos iguais”. A partir daí, Chanel deixava de ser apenas modista, no antigo conceito da palavra, para se transformar em estilista. Naquele mesmo ano, 1913, inaugurou uma loja em Deauville, com estrondoso sucesso.

Não era para menos: o casal Coco e Boy acabava de criar a roupa esporte, como divulgavam os colunistas. Até então, mesmo para um passeio na praia, as “fruteiras” na cabeça eram de bom-tom. Os espartilhos comprimiam as cinturas das mulheres e os vestidos se arrastavam na areia. “Uma moda totalmente inadequada”, criticava Coco. Na loja, ela vendia blusas com golas rulês, inspiradas nas roupas dos marinheiros, feitas de malha e de tricô – antes consideradas pouco nobres. Como repetiria depois, criando os tailleurs de tecido tweed, ela transformava a indumentária masculina em clássicos da moda feminina.

Como se não bastasse as peças que desenhava, o comportamento despojado e provocador daquela mulher de 30 anos contribuía para que se tornasse uma celebridade. Por exemplo: era uma das únicas mulheres que se banhavam na praia, sempre vestida com um maiô um tanto pudico, feito com suéteres que tomara emprestados de Boy. A efervescência cultural ainda não anunciava os prenúncios da guerra, que explodiria em 1914 e mataria 8,5 milhões de pessoas em quatro anos.

Quando Capel foi convocado para lutar sob a bandeira britânica, sua primeira atitude foi mandar um telegrama para a amante. Nele, instruía Coco a não fechar a butique. De fato, a Gabrielle Chanel Modas foi a única loja a permanecer aberta na cidade de Deauville durante a Primeira Grande Guerra. Quando as tropas inimigas estacionaram a apenas 30 quilômetros de Paris, a capital francesa ficou deserta. As damas da sociedade, obrigadas a abandonar suas mansões e apartamentos suntuosos, partiram para as cidades de veraneio.

A Côte d’Azur, a costa no sul do país, hoje bastante badalada, ainda não era um lugar frequentado pelos ricos. Mas Deauville, sim. Sem motoristas nem mordomos, os turistas precisavam de roupas confortáveis, que facilitassem longas caminhadas a pé, por exemplo. Além disso, a época era de austeridade – ninguém queria ostentar vestidos extremamente sofisticados. A etiqueta Chanel atendia a essas novas necessidades.

Boy e Coco aproveitaram quinze dias de licença dele para abrir, em tempo recorde, mais uma loja, dessa vez na próspera Biarritz, na costa do Atlântico e a poucos quilômetros da fronteira com a Espanha. Em 1916, Coco já chefiava um exército de trezentos funcionários. Seus folgados vestidos de jérsei, um tecido barato, cujo fornecedor temia não vender para mais ninguém – ao menos, para confeccionar roupas femininas –, eram encomendados às dezenas pela corte de Madri. Custavam 7 mil francos na época, equivalentes a cerca de 2,1 mil dólares de hoje.

Além disso, Coco continuou a inventar moda fora do guarda-roupa. Cortou os cabelos na altura do queixo, como apenas as atrizes tinham ousado fazer; foi a primeira frequentadora da alta sociedade a exibir a pele bronzeada pelo sol; finalmente, diminuiu o comprimento das saias, que passaram a mostrar os tornozelos. Ganhou muitos amigos, como o pintor espanhol Pablo Picasso (1881-1973) e o extraordinário bailarino russo Nijinsky (1890-1950). Sua confidente – e também ex-amante num escandaloso caso homossexual – era a esfuziante Misia Sert, uma das modelos prediletas do pintor francês Renoir, que vivia circulando pelo meio artístico europeu.

O poeta Jean Cocteau deveu a Coco dezenas de tratamentos de desintoxicação para seu vício em ópio. Pobre, recebeu uma mesada da amiga, até morrer em 1963, aos 74 anos. Com o compositor russo Igor Stravinsky (1882-1971), a estilista teve um romance que durou alguns meses e, depois, tudo terminado, ganhou mais um bom amigo. No entanto, Coco perdeu Arthur Capel. Boy queria coroar sua carreira de diplomata unindo-se à filha de um lorde inglês, Diana Lister Wyndham. Um ano depois do casamento e do fim da guerra, na véspera do Natal de 1919, ele morreu num acidente de carro. Então, Coco pendurou panos pretos nas paredes de seu quarto e cortinas da mesma cor nas janelas. A cena dramática durou minutos. Logo, ela gritou para o mordomo: “Depressa, tire me deste túmulo”.

Para comemorar seus 40 anos, em 1923, Coco lançou aquele que seria o perfume mais famoso de sua grife, o Chanel Nº 5. “Uma mulher que não usa perfume não tem futuro”, repetia as palavras do poeta francês Paul Valéry (1871-1945). O químico Ernest Beaux usou nada menos que oitenta substâncias para satisfazer as exigências de Chanel e acabou lhe apresentando oito amostras diferentes. A escolhida por Mademoiselle foi a número 5 – daí o nome que, junto com o frasco de linhas simples, revolucionou a indústria de perfumaria. Três anos mais tarde, surgia outro ícone de Chanel: o tradicional vestidinho preto de crepe com mangas justas e compridas, que ela aconselhava todas mulheres a ter no armário, como garantia de elegância.

As clientes estavam acostumadas a comprar peças quase exclusivas e, muitas delas, hesitaram em levar para casa o modelo simples, aparentemente fácil de ser reproduzido. A edição americana da revista Vogue tratou de tranquilizá-las, comparando o “pretinho” de Chanel com outro símbolo de status da época: o Ford. “Alguém não compraria um carro sob o pretexto de que ele não se diferencia de outro da mesma marca? Ao contrário. Essa semelhança garante sua qualidade”, saiu publicado.

A estilista se inspirou em seus trajes para criar o tailleur, o blazer feminino usado com saia, sobre o qual suas manequins carregavam colares de pérolas falsas e outras bijuterias barrocas – enquanto, nas ruas, as mulheres não arriscavam comparecer a um compromisso elegante sem usar enfeites de pedras preciosas. “Deve-se misturar o falso com o verdadeiro”, sentenciou Coco Chanel. “Pedir a alguém que só use joias verdadeiras é como pedir que se cubra apenas com flores de verdade, no lugar de vestir uma roupa estampada florida.

O segundo homem que Coco amou foi Hugh Richard Arthur Grosvenor, duque de Westminster e, sem dúvida, a maior fortuna da Inglaterra. Foi o duque que apresentou Coco ao primeiro-ministro britânico Winston Churchill, quando a Europa passou a enfrentar uma nova tragédia: a Segunda Guerra Mundial. Graças a esse contato, a estilista se embrenhou numa grotesca operação, chamada modelhut, “chapéu da moda” em alemão.

A França tinha assistido perplexa à marcha dos soldados de Hitler sob o Arco do Triunfo, em Paris. As butiques Chanel estavam todas fechadas e à venda só se encontravam os frascos de Nº 5. Coco mudou sua residência para o Hotel Ritz – onde viveu até morrer –, que então também hospedava o alto comando alemão. Uma ligação amorosa com o cartunista Paul Iribe semeou em sua mente, antes alienada dos assuntos políticos, ideias próximas do nazismo, segundo as quais não havia maiores problemas na presença germânica.

Coco estava certa de que poderia convencer Churchill a “ao menos ouvir” uma proposta de paz alemã. Por isso, viajou a Madri, na esperança de se encontrar com o primeiro-ministro na embaixada britânica. O encontro nunca aconteceu. Mas o envolvimento com os alemães lhe valeu três horas de interrogatório, suspeita de ter colaborado com o pessoal de Hitler.

Dos tempos de guerra até 1953, as lojas Chanel permaneceram com portas cerradas, por decisão da proprietária, que passou uma longa fase longe dos desfiles. Numa entrevista, em 1955, perguntaram a Marilyn Monroe o que ela usava para dormir: “Apenas três gotas de Chanel Nº 5”. Com a resposta, as vendas do perfume dobraram, e Coco embolsou 162 mil dólares.

Só aos 70 anos ela reinaugurou seu ateliê, sem precisar de esforço para conquistar clientela. Ali, trabalhou diariamente oito horas, durante dezesseis anos, Inclusive aos sábados. Mas foi num domingo, 10 de janeiro de 1971, que Coco Chanel morreu – um dia da semana que ela dizia odiar: “Só aos domingos eu não invento nada” justificava.