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Contato remoto da Europa com a China

O povo loiro que viveu no noroeste da China há quatro milênios pode ter levado para lá a cultura européia.

Antropólogos, arqueólogos, geneticistas e lingüistas estão reunindo tudo o que se conhece do misterioso povo nômade que ocupou a bacia do Rio Tarim, no noroeste da China, há cerca de quatro milênios. Eles eram loiros e falavam uma língua que lembra o celta e o alemão. Quem eram? De onde vieram? As respostas podem estar nas cem múmias com idade entre 1 600 e 3 800 anos, encontradas em três cemitérios (veja o mapa abaixo). A análise do DNA e da forma do crânio aponta três diferentes origens. Num dos cemitérios, os corpos têm características claramente européias, enquanto nos outros dois os traços lembram mais os povos da Índia e do Afeganistão. O terreno árido e salgado da região manteve intactas também as roupas coloridas. Entre elas, xales de lã, tecidos com uma técnica inexistente na China da época, mas muito usada na região da Áustria e da Alemanha. “As descobertas indicam que as civilizações da Europa e da Ásia estiveram em contato desde tempos muito remotos, num intenso intercâmbio cultural”, comentou para a SUPER o antropólogo Victor Mair, da Universidade da Pensilvânia.