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E Se… Os nazistas tivessem vencido a guerra?

A América Latina teria sido o palco do confronto final entre alemães e aliados. E não existiria internet!

Por Denis Russo Burgierman - Atualizado em 31 out 2016, 18h20 - Publicado em 31 ago 2000, 22h00

A idéia de que Adolf Hitler pudesse concretizar seus planos megalomaníacos hoje soa absurda. Mas os alemães estiveram a milímetros de ganhar a guerra. Tanto que o historiador inglês Stephen Ambrose atribui a derrota dos nazistas a um meteorologista escocês. Ele chamava-se J. M. Stagg e fazia a previsão do tempo para as tropas aliadas. No dia 5 de junho de 1944, apesar da tempestade que castigava a costa francesa, Stagg garantiu que o céu acabaria abrindo mais tarde.

Foi um chute, já que o clima naquela região é tão instável que até hoje os satélites erram metade das previsões. Mas Stagg acertou. Se a chuva não parasse, os soldados que desembarcaram na França na manhã seguinte – o fatídico Dia D – chegariam à praia enjoados, incapacitados para lutar. Também não haveria visibilidade para soltar pára-quedistas ou bombas. Toda a operação para libertar a França teria sido um fiasco.

Por outro lado, o historiador militar inglês John Keegan acredita que Hitler perdeu sua chance de vencer três anos antes, em 1941. Nessa época, quase toda a Europa estava em suas mãos ou na de seus cúmplices italianos e simpatizantes espanhóis. Animado com o sucesso, o ditador encarou de frente a Rússia. Acabou derrotado pelo inverno. Keegan argumenta que Hitler poderia ter optado por uma invasão indireta. Ele entraria fácil na Turquia e de lá estenderia seus tentáculos pelo Oriente Médio. Garantiria, assim, um suprimento inesgotável de petróleo para mover seus tanques e aquecer suas tropas. Depois, tomaria o sul da União Soviética, onde o inverno não é tão cruel. Desse jeito, deixaria Stálin sem suas principais reservas petrolíferas.

“Daí para a frente, seria fácil conquistar a Rússia e depois a Índia, então colônia inglesa”, disse Keegan à SUPER. Enquanto isso, seus aliados japoneses ocupariam a China, ligando o Japão à Alemanha. E não pararia por aí. “A Inglaterra é pouco populosa e pobre em recursos naturais”, afirma Keegan. Sem suas colônias, viraria presa fácil. Na época, boa parte da África era colônia de países europeus e acabaria também nas mãos do Führer.

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Resultado: antes mesmo de 1950, o império nazista já teria se estendido por Europa, Ásia e África – mais do que os impérios romano e mongol somados. “Seria um mundo de duas classes”, diz Christian Lohbauer, especialista em História Alemã, da Universidade de São Paulo. Os arianos, considerados superiores, mandariam. Eslavos, negros e asiáticos virariam cidadãos de segunda classe. Outros povos, como os judeus e os ciganos, seriam exterminados.

É bem possível que nem assim o Estado nazista sossegasse. “Eles dependiam da guerra”, diz Lohbauer. “As empresas alemãs cresceram fornecendo equipamento para o exército e precisavam da mão-de-obra escrava dos prisioneiros.” Ou seja: continuariam invadindo país após país para manter esse esquema. Iriam para o Pacífico e de lá para a Oceania. “Podemos ter um século de luta à nossa frente”, disse Hitler certa vez. “Antes isso do que ir dormir.”

Assim, fatalmente ele esbarraria nos interesses de outra potência: os Estados Unidos. Ou você acha que os americanos deixariam Hitler invadir o seu quintal? “Não permitiríamos que eles se apoderassem da América Latina”, afirma o americano Robert Cowley, fundador da revista Militar History Quarterly, especializada em história militar.

Neste cenário, a Guerra Fria teria ocorrido entre Alemanha e Estados Unidos. “Mas o mais provável seria uma guerra quente mesmo”, diz Keegan. E o palco seria a América Latina. Será então que a luta duraria para sempre? “Acho difícil”, afirma Cowley. “O império nazista baseava-se numa única figura carismática. Uma hora Hitler iria morrer. Quem o substituiria?”

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Depois da morte do ditador, os oprimidos iriam se rebelar e o império se despedaçaria aos poucos. Chegaríamos ao ano 2000 nos reerguendo dos destroços. É bem possível que a ciência estivesse estagnada, depois de décadas torrando todo o dinheiro em bombas e projéteis. A informática seria ainda bem primitiva. E a internet certamente não teria nem nascido: regimes autoritários, que dependem do controle da informação, fariam tudo para impedir que ela se difundisse. Agradeça, portanto, àquele sortudo meteorologista escocês.

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