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Força verde-amarela no front

Militares da Força Expedicionária Brasileira surpreenderam na Itália e foram homenageados até pelo inimigo

Por Da Redação Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 31 out 2016, 18h20 - Publicado em 14 abr 2012, 22h00

Na campanha da Itália ou no litoral brasileiro, nossos militares foram colocados à prova. E foram aprovados com louvor. Em Montese, na Itália, três soldados mineiros enfrentaram 100 alemães para salvar 30 companheiros que seriam pegos de surpresa. No Rio, um tenente afundou um submarino nazista que, na véspera, havia naufragado um navio mercante britânico. No primeiro caso, o comandante alemão reconheceu a bravura dos pracinhas. No segundo, o piloto lançou uma boia para salvar os sobreviventes alemães.

 

 

Três grandes mineiros

QUEM
GERALDO BAETA DA CRUZ, ARLINDO LÚCIO DA SILVA E GERALDO RODRIGUES DE UZA

NASCIMENTO
ENTRE RIOS DE MINAS (MG), SÃO JOÃO DEL-REI (MG) E RIO PRETO (MG)

ONDE ATUARAM
MONTESE (ITÁLIA)

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POR QUE SÃO HERÓIS?
ENFRENTARAM 100 LDADOS ALEMÃES PARA PROTEGER 30 COMPANHEIROS BRASILEIROS

“Vou arrancar o bigode do Hitler para a senhora escovar o sapato.” A brincadeira era parte de uma das muitas cartas enviadas à mãe pelo soldado Geraldo Baeta da Cruz, que saiu de Minas Gerais para lutar com o 11º Regimento de Infantaria da Força Expedicionária Brasileira na Itália. As cartas não eram respondidas. Os irmãos não lhe contaram que a mãe, dona Sinhá, havia morrido um mês depois de sua partida ao ouvir uma vizinha dizer que “deu no rádio” que o navio que transportava os brasileiros tinha afundado. Dona Sinhá sofreu um derrame fulminante. A vizinha tinha se confundido, àquela altura o garoto estava bem. Geraldo morreria seis meses mais tarde em circunstâncias muito mais heroicas.

Geraldo Baeta e outros dois combatentes mineiros – Arlindo Lúcio da Silva, de São João del-Rei, e Geraldo Rodrigues de Souza, de Rio Preto – tornaram-se imortais em Montese, na Itália. No dia 14 de abril de 1945, a cidade foi palco de uma das mais duras batalhas em que a FEB se envolveu na luta contra as divisões alemãs que ocupavam o país.

O trio integrava uma patrulha com poucos soldados quando se viu frente a frente com uma forte companhia inimiga com mais de 100 militares. Os tedescos – como os alemães eram chamados pelos italianos – os intimaram à rendição. Eles se recusaram, e começou o fogo cruzado. Para preservar os com-panheiros, que seriam sur-preendidos, os três mineiros continuaram combatendo “até o último cartucho”, quando então foram mortos pelo inimigo. A atitude dos soldados salvou a vida de pelo menos 30 combatentes brasileiros, que, alertados pelos tiros, tiveram tempo de se proteger da coluna alemã.

O decreto que concedeu a medalha Sangue do Brasil de Combate de 1ª Classe a Arlindo descreve sua atuação no episódio: “No dia 14 de abril, no ataque a Montese, seu pelotão foi detido por violenta barragem de morteiros inimigos, enquanto uma metralhadora alemã hostilizava violentamente seu flanco esquerdo, obrigando os atacantes a se manterem colados ao solo. O soldado Arlindo, atirador das Forças Armadas, num gesto de grande bravura e desprendimento, levanta-se, localiza a resistência inimiga e sobre ela despeja seis carregadores de sua arma, obrigando-a a calar-se. Nessa ocasião, é morto por um franco-atirador inimigo”.

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Admirado com a coragem dos mineiros, o comandante germânico mandou enterrá-los em cova rasa, em vez de vala comum. E ordenou a colocação de uma placa nas sepulturas na qual se lia: Drei brasilianische helden (“três heróis brasileiros”). Depois do fim da guerra, os restos mortais de Cruz, Silva e Souza foram levados ao cemitério de Pistoia e, mais tarde, ao Monumento aos Pracinhas, no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. “Tudo isso não pode cair no esquecimento das novas gerações”, disse Natanaela Baeta Morais, irmã de Geraldo.

 

 

Afundou submarino no Rio de Janeiro

QUEM
ALBERTO TORRES

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NASCIMENTO
NORFOLK (EUA)

ONDE ATUOU
RIO DE JANEIRO

POR QUE É HERÓI?
AFUNDOU UM SUBMARINO E SALVOU OS NÁUFRAGOS

O tenente Alberto Torres Martins foi o único piloto brasileiro que comprovadamente afundou um submarino alemão. E o fez no litoral do Rio de Janeiro. Personagem de destaque no document��rio Senta a Pua!, de Erick de Castro, Torres nasceu em Norfolk, na Virgínia, mas era brasileiro. Seus pais, os diplomatas Aluízio e Lenita Torres, prestavam serviço nos EUA. Lá Martins estudou e treinou em aviões de combate.

Segundo o piloto veterano Rui Moreira Lima, Torres vestiu a farda da Força Aérea Brasileira (FAB) como piloto do 1º Grupo de Caça de 1941 a 1945, mas nesse período participou de 100 ações de combate. A mais importante delas ocorreu em 31 de julho de 1943. Em missão de patrulha no litoral do Rio de Janeiro, o tenente afundou um submarino alemão U-199 a 87 quilômetros ao sul do Pão de Açúcar. O Brasil tentava se manter neutro, mas navios brasileiros, vários deles da Marinha Mercante, foram afundados por submarinos alemães e italianos. Apesar da identificação do governo Getúlio Vargas com alguns elementos do nazifascismo, o Brasil declarou guerra ao Eixo.

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Em sua missão de patrulha no comando do avião batizado de Arará, Torres – que havia se inscrito na FEB como voluntário civil – avistou o submarino e lançou 3 bombas de profundidade. A embarcação foi a pique imediatamente. Somente 12 soldados e oficiais se salvaram, entre eles o comandante do submarino, o capitão Hans Werner Kraus. O piloto brasileiro lançou um bote inflável em direção aos náufragos. Eles conseguiram se salvar e acenaram agradecidos. Pouco tempo depois foram resgatados pelo navio de guerra americano USS Banegat, que os levou como prisioneiros de guerra ao Recife. Dias antes do ataque, o U-199 havia afundado um cargueiro britânico que passava pelo litoral do Rio de Janeiro.

Por essa proeza, e por toda a sua participação na guerra, o piloto, que falava fluentemente inglês, alemão, espanhol, turco e italiano, recebeu duas Distinguished Flying Cross, concedidas pelo governo americano, além de uma Croix de Guerre, da França, e a Ordem do Mérito Aeronáutico brasileira.

Depois da guerra, Martins participou de várias atividades na vida civil. Chegou a montar uma companhia aérea regional na Amazônia e, posteriormente, tornou-se superintendente de uma empresa multinacional de transporte de valores. Contratou para auxiliá-lo na tarefa quatro ex-companheiros do Senta a Pua!, o grupo de aviadores brasileiros que esteve na guerra. Torres morreu em São Paulo em 30 de dezembro de 2001, aos 82 anos.

 

 

O “covarde” que se agigantou

QUEM
GERN MACHADO PIRES

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NASCIMENTO
RIO DE JANEIRO ( RJ)

ONDE ATUOU
MONTE CASTELLO E MONTESE (ITÁLIA)

POR QUE É HERÓI?
SALVOU ESQUADRÃO DE BLINDADOS

O tenente Gerson Machado Pires foi à guerra como voluntário. E teve uma grande participação nas batalhas de Monte Castello e Montese, as mais importantes da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália. Pires admitia que tinha medo de se acovardar na hora do combate. Isso nunca aconteceu. No ataque a Monte Castello, seu pelotão teve três baixas instantâneas. Os soldados foram mortos pelo fogo de artilharia alemã. “O primeiro tiro esfacelou os três soldados”, ele contou em suas memórias. Mas foi em frente. Na Batalha de Montese, em 14 de abril de 1945, os Aliados tiveram mais de 400 baixas entre mortos e feridos. Pires era um dos comandantes do 6º Regimento de Infantaria e salvou a vida do então capitão e depois general da reserva Plínio Pitaluga, que comandava o esquadrão de carros blindados M-8, ao avisá-lo de que havia um canhão antitanque alemão postado bem à frente e pronto para disparar. Se o esquadrão tivesse chegado à curva da rua, teria sido destruído pelo equipamento do inimigo.

Nas ruas estreitas das cidades italianas, a FEB enfrentou o combate urbano, então desconhecido por nossos soldados. Cada esquina era uma armadilha. “A impressão era que os alemães não aguentariam. Mas eles estavam feitos doidos”, disse José Orlandino da Costa, do 6º Regimento, ferido na batalha.

A operação para a tomada de Montese começou às 9h35 do dia 14 de abril sob pesado fogo inimigo. O avanço inicial foi feito por dois pelotões. O primeiro demorou duas horas para vencer a reação alemã e tomar suas posições. O segundo parou diante de um campo minado. Seu comandante morreu com um tiro na cabeça, e a missão fracassou. Ao meio-dia, começou o ataque propriamente dito. Os pracinhas foram conquistando o íngreme terreno palmo a palmo. Ao cair na noite, as encostas da cidade estavam dominadas. A infantaria alemã, destroçada e desnorteada, abandonou suas posições e deixou seus mortos para trás. Na noite de 14 para 15 de abril, algumas tropas inimigas insistiram no combate atacando a cidade com cerca de 2800 tiros. Na manhã do dia 15, a FEB os rechaçou de vez. A conquista de Montese ajudou a romper a chamada Linha Gótica (linha de defesa alemã nos Apeninos) e mostrou o valor da FEB aos até então céticos americanos, nossos parceiros nas batalhas.

 

 

A morte dos 8 padioleiros

QUEM
8 PADIOLEIROS

NASCIMENTO
BRASIL

ONDE ATUARAM
MONTE CASTELLO E MONTESE (ITÁLIA)

POR QUE SÃO HERÓIS?
NÃO FORAM POUPADOS, APESAR DA SUA FUNÇÃO

Um monumento no Rio de Janeiro recorda e homenageia os 8 padioleiros brasileiros que morreram nos campos da Itália. Na frente do 1º Batalhão de Saúde da Vila Militar, em Magalhães Bastos, na Zona Norte do Rio, o monumento inaugurado em 1958 lembra a trajetória dos homens que, embora quase sempre desarmados, corriam tanto ou mais risco que os colegas soldados dos vários batalhões no conflito.

Os padioleiros eram os enfermeiros encarregados de recolher os mortos e transportar os feridos aos hospitais de campanha em padiolas (macas). Mesmo sob fogo cerrado, eles entravam no campo de batalha. E acabavam sendo alvejados da mesma forma que os outros mesmo não sendo combatentes. Teoricamente, eles estavam protegidos pelas convenções de guerra: ao ver seu uniforme característico, o inimigo não deveria abrir fogo contra eles.

Somente a Batalha de Montese registrou o quase aniquilamento de um pelotão de padioleiros que tentava socorrer os brasileiros sob fogo alemão. Segundo o relato do então capitão Adhemar Rivermar de Almeida, o impacto de uma granada que explodiu ao lado dos padioleiros matou três soldados. José Varela, natural de Ceará-Mirim (RN), acabou sendo homenageado com o nome de uma rua em Natal. No conflito, a FEB usava nove jipes-ambulâncias do Batalhão de Saúde, convertidos em veículos de transporte de feridos e doentes. Os carros levavam uma padiola atravessada na parte de trás, com os punhos assentados nas laterais. O jipe-ambulância ajudou a salvar da morte certa muitos dos mais de 2700 feridos da FEB no confronto. Os brasileiros também contavam com enfermeiras voluntárias que atuavam no transporte aéreo dos feridos. Eram aviões de carga convertidos em ambulâncias, com padiolas nas laterais. A presença das enfermeiras era uma exigência dos americanos, que pediram que fossem enviadas para compor o Quadro da Força-Tarefa da FEB. Apesar das perdas, nossos soldados conseguiram libertar Montese.

 

 

Salvou mil “com o próprio punho”

QUEM
LUIZ MARTINS DE UZA DANTAS

NASCIMENTO
RIO DE JANEIRO (RJ)

ONDE ATUOU
PARIS E VICHY (FRANÇA)

POR QUE É HERÓI?
ASSINOU MIL PASSAPORTES E IMPEDIU INVASÃO DA EMBAIXADA BRASILEIRA

O carioca Luiz Martins de Souza Dantas foi um dos grandes nomes da diplomacia internacional a intervir em favor dos perseguidos pelo nazismo na Europa. Embaixador na França entre 1922 e 1944, ele distribuía vistos a judeus, comunistas, homossexuais e outras minorias diante do recrudescimento da perseguição nazista. Os documentos eram em geral assinados de próprio punho, algo incomum e arriscado em se tratando de pessoas “indesejáveis”, na definição do governo brasileiro. Ele não cobrava taxas nem exigia declarações ou atestados. E não informava a origem étnica dos requisitantes, conforme fora orientado a fazer.

Cerca de 500 vistos diplomáticos foram emitidos entre junho e dezembro de 1940. No dia 12 de dezembro, Dantas foi formalmente proibido de conceder os vistos. Há depoimentos, entretanto, afirmando que muitos refugiados receberam vistos com datas anteriores a 12 de dezembro mesmo o procurando já nos primeiros meses de 1941. O número total de pessoas salvas por Dantas pode passar de mil. Em Vichy, ele notabilizou-se por impedir a invasão da embaixada brasileira por tropas alemãs. Foi preso e levado à Alemanha.

Quando seus atos se tornaram conhecidos no Brasil, passou a ser tratado como herói pelos jornais e como inimigo pelo presidente Vargas, que proibiu os veículos de comunicação de dar qualquer informação sobre ele. Já aposentado, foi convidado pelo Ministério das Relações Exteriores para chefiar a delegação brasileira na Primeira Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Londres, entre 10 de janeiro e 14 de fevereiro de 1946. Foi o primeiro brasileiro a discursar no órgão, precursor da ONU. Morreu em Paris em 1954.

Em 2003, Souza Dantas recebeu da Yad Vashen, autoridade estatal israelita, o título de Justo entre as Nações, em agradecimento por sua ação humanitária na guerra. “Fiz o que teria feito, com a nobreza d’alma dos brasileiros, o mais frio deles, movido pelos mais elementares sentimentos de piedade cristã”, disse.

 

 

Aracy: musa e anjo

QUEM
ARACY MOEBIUS DE CARVALHO GUIMARÃES ROSA

NASCIMENTO
RIO NEGRO (PR)

ONDE ATUOU
HAMBURGO (ALEMANHA)

POR QUE É HEROÍNA?
ARRISCOU A VIDA PARA SALVAR JUDEUS

Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, um dos maiores clássicos da literatura brasileira, é dedicado a Aracy, sua segunda mulher e parceira em um dos momentos cruciais da vida do casal: o salvamento de judeus no coração da Alemanha. Para ele, ela seria a amada Ara. Para aqueles a quem ajudou, Aracy se tornaria o “Anjo de Hamburgo”.

Em 1938 (ano em que conheceu Guimarães Rosa, ainda casado), Aracy Moebius de Carvalho era funcionária do consulado brasileiro em Hamburgo. Por falar português, inglês, francês e alemão, conseguiu um cargo na seção de passaportes e bom trânsito no corpo consular.

A perseguição nazista aos judeus crescia na Alemanha ao mesmo tempo em que entrava em vigor a Circular Secreta 1127, que proibia a entrada de judeus no Brasil. Indignada, Aracy ignorou a ordem e passou a fornecer vistos brasileiros a quem lhe pedisse. Para conseguir a assinatura do cônsul, embaralhava os vistos no meio da papelada que ele assinava.

Rosa, então cônsul-adjunto, soube o que ela estava fazendo. E a apoiou (e apaixonou-se) plenamente, embora advertisse: “Tome cuidado, os nazistas são perigosos…” Ambos passaram a ser investigados pelo serviço secreto alemão e pela embaixada brasileira – o governo Vargas ainda mantinha relações diplomáticas com a Alemanha. Ele foi denunciado como simpatizante dos judeus e acabou fichado na polícia alemã por fazer declarações antinazistas. Sem imunidade diplomática, Aracy corria risco maior. Mesmo assim, seus estratagemas cresciam em ousadia. Ela abrigava judeus em sua casa e os escondia no banco de trás do carro consular para cruzar fronteiras. Se fosse pega, podia ser morta.Um caso ficou especialmente famoso. Maria Margarethe Bertel Levy e o marido foram levados por Aracy a um navio, no qual embarcaram com o passaporte diplomático da brasileira. Ela levou as joias do casal na própria bolsa, as escondeu na caixa de descarga do sanitário do camarote e os aconselhou a só retirá-las em alto-mar. Assim fizeram. Chegando ao Brasil, venderam as joias e iniciaram nova vida. Margarethe e Aracy se reencontrariam anos depois e se tornariam amigas inseparáveis.

O governo brasileiro rompeu com a Alemanha em 1942. Ao tentar deixar o país, João e Aracy foram surpreendidos pela ordem de ficar sob custódia do governo alemão em Baden-Baden. A prisão durou quatro meses até eles serem trocados por diplomatas alemães no Brasil. Foram morar no Rio de Janeiro. Casaram-se por procuração no México, já que não havia divórcio no Brasil. Ele ainda ocuparia cargos diplomáticos importantes. Aracy abriu mão da carreira.

A brasileira é a única mulher citada no Museu do Holocausto de Jerusalém como um dos 18 diplomatas que ajudaram a salvar vidas de judeus. Seu nome batiza uma avenida e um bosque em Jerusalém – no qual ela discursou no dia da inauguração, em 1985. Também é citada no Museu do Holocausto de Washington. No Brasil, abrigou artistas perseguidos pelo regime militar (1964-1985).Aracy ficou viúva em 1967 e nunca mais se casou. Morreu em São Paulo no dia 3 de março de 2011, dez dias depois de perder a amiga Margarethe. Ambas tinham 102 anos.

 

 

Vargas escondeu antissemitismo

O preconceito contra judeus e apátridas expresso nas Circulares Secretas do Itamaraty ficou constrangedoramente claro com a proibição dos diplomatas brasileiros na Europa de conceder vistos aos perseguidos do nazismo. Autora do livro O Antissemitismo na Era Vargas, Maria Luiza Tucci Carneiro, professora de história na Universidade de São Paulo, diz que o sigilo das circulares expressa a preocupação do governo brasileiro de não expor ao mundo sua postura antissemita. “Tanto a Igreja como o Estado foram promotores do antissemitismo que, entre 1917 e 1932, extrapolou as fronteiras do discurso literário folhetinesco e da doutrinação católica. Depois de 1937 ele foi endossado pelas elites política e diplomática do país. Elas se tornaram coniventes ou omissas diante das práticas de extermínio nazista contra o povo judeu.” Segundo Tucci, o governo ainda se esforçou para abafar as ações humanitárias do diplomata Luiz Martins de Souza Dantas.

 

 

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