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Humanos faziam armadilhas para pegar mamutes há 15 mil anos

Mais de 800 ossos foram encontrados no México. A descoberta pode ajudar a entender melhor a relação dos humanos com esses animais.

Por Rafael Battaglia - Atualizado em 11 nov 2019, 18h57 - Publicado em 11 nov 2019, 18h52

Conseguir comida hoje em dia é uma tarefa banal. Dá para guardá-la na geladeira ou na despensa, esquentar sobras no microondas ou seguir um dos milhões de vídeos de receita na internet – quem quiser menos trabalho pode, ainda, optar pelos apps de delivery.

Nossos antepassados, contudo, precisavam suar mais a camisa para garantir a sua refeição. E uma recente descoberta arqueológica no México mostra, pela primeira vez, um tipo de estratégia para caçar mamutes usada há mais de 15 mil anos.

Na última quarta (5), um grupo de arqueólogos encontrou na cidade de Tultepec, próxima à Cidade do México, mais de 800 ossos de, pelo menos, 14 mamutes. O tipo de armadilha em que eles estavam? Buracos.

Os restos mortais dos animais foram encontrados em duas covas de 1,70 metros de profundidade e 25 metros de diâmetro. Os cientistas acreditam que os humanos que viviam ali naquela época atraíam os mamutes espantando-os com galhos e tochas de fogo. Mas a caça não parava necessariamente por aí: uma marca de lança foi identificada na parte frontal de um dos crânios.

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Os mamutes viveram em várias partes do mundo durante a Pré-História: Europa, África, norte da Ásia e América do Norte – alguns foram encontrados na América do Sul também – mas foram extintos há 5,5 mil anos. O motivo? Além das alterações climáticas, o gigantesco animal era extremamente valioso para os humanos: ele servia como alimento, e seus ossos e pele eram usados para diversas coisas, de vestimenta a construção de casas.

No fim das contas, o mamute foi caçado até sumir do mapa. Mas o tamanho do mamífero, que atraía seus caçadores, era também um problema. Para matá-lo, era necessário um grupo com dezenas de homens, e eles geralmente contavam com a ajuda de armadilhas naturais, como um pântano ou uma falésia.

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De acordo com o Instituto Nacional de Antropologia e História do México (INAH), que participou da descoberta de Tultepec, é a primeira vez  no mundo que pesquisadores encontram uma armadilha artificial para mamutes – ou seja, uma em que os humanos do Paleolítico cavaram e planejaram.

Isso muda o que até então se pensava da relação entre os mamutes e os humanos que viviam naquela época. Os primeiros indícios das covas surgiram em janeiro, durante escavações, e estima-se que os dois buracos foram usados continuamente por mais de 500 anos.

A expectativa é que outras armadilhas do tipo sejam encontradas em regiões próximas, já que cerca de seis rebanhos de mamutes viviam ali.

Mas ainda falta muita coisa para ser desvendada, Os arqueólogos desconfiam, por exemplo, que o lugar também era usado para algum tipo de ritual: nenhum osso de ombro esquerdo foi encontrado, e alguns restos parecem ter sido reposicionados de propósito. Os pobres mamutes ainda têm história para contar.

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