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Máfias – Coisa de família

RITOS DE PASSAGEM, CÓDIGOS INTERNOS, JURAMENTOS, HIERARQUIA E NEGÓCIOS MILIONÁRIOS. AS MÁFIAS FAZEM PARTE DE UM INTRINCADO MUNDO DE ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS QUE DETÉM ATÉ 20% DO PIB MUNDIAL.

• TUTTI BUONA GENTE – 9% do PIB italiano está nas mãos das 4 principais máfias

• Isso representa € 135 bilhões

• Dos quais:

• 45% é renda do tráfico de drogas

• 28% de negócios como proteção a comerciantes

• 12% do depósito ilegal de lixo e outros crimes ambientais

• 10% vêm de agiotagem

• 5% vêm da venda de armas

• Seu rendimento cresceu 4% de 2008 a 2009 enquanto o PIB do país caiu 5%

• 180 mil comerciantes e empresários teriam pegado seus empréstimos direta ou indiretamente das máfias

Fonte: S Impresa, 2009.

 

 

MÁFIAS ITALIANAS
Cosa Nostra – Sicília – 5 000 membros

PODEROS CHEFÕES – Salvatore “Totò” Riina foi o maior gângster italiano dos anos 80. Ascendeu ao poder no início dessa década depois de vencer a 2ª Grande Guerra da Máfia (a Mattanza), com a qual ganhou o monopólio local do tráfico de cocaína e heroína. Foi preso em 1993, e o comando passou para o playboy Matteo Messina Denaro. A Cosa Nostra é a máfia das máfias. Sua origem remonta à Idade Média e ela até já exportou seu modus operandi para os EUA.

NEGÓCIOS – Extorsão, prostituição, tráfico de drogas e armas, fraudes em licitações.

RITUAL DE ENTRADA – Um dedo é espetado com alfinete para derramar sangue na imagem de Nossa Senhora de Pompeia. A figura é então queimada e o iniciante a segura em chamas, demonstrando resistência diante de 3 mafiosos, e fazendo o juramento de fidelidade: “Que minha carne queime como esta santa se eu falhar em manter meu juramento”.

CRUELDADES – Execução de juízes, políticos ou seus próprios membros, atentados a bomba.

 

 

Camorra – Nápoles – 7 000 membros

PODEROS CHEFÕES – Francesco Schiavone foi o capo mais influente a partir dos anos 90 e fez fortuna com os esquemas ilegais na construção civil.

NEGÓCIOS – A rede criminosa controla o porto de Nápoles, um dos mais movimentados da Europa, e atua em importação ilegal de carne, tráfico de drogas, pirataria, produção de cimento, proteção de estabelecimentos e descarte de lixo tóxico sem tratamento.

RITUAL DE ENTRADA – Um dedo é espetado com alfinete para derramar gotas de sangue na imagem de Nossa Senhora de Pompeia. A figura é então queimada e passada de mão em mão pelos dirigentes do clã presentes. É só depois de todos a terem beijado que o novato pode comemorar sua entrada oficial.

CRUELDADES – De 1979 a 2009, matou 3 600 pessoas – traidores, seus parentes e gente minimamente ligadas a eles, como a adolescente Gelsomina Verde, sequestrada, torturada e queimada em seu carro só porque saía com um camorrista jurado de morte.

 

 

‘Ndrangheta – Calábria – 6 000 membros

PODEROS CHEFÕES – Em 2010, a polícia italiana prendeu 300 membros da mais poderosa máfia italiana. Entre eles estava o chefão octagenário Domenico Oppedisano, que subiu ao topo da rede calabresa em 2009 com uma cerimônia realizada em um santuário dedicado à Virgem Maria.

NEGÓCIOS – O tráfico de drogas, principalmente cocaína, é o responsável pelo faturamento de € 44 bilhões – o que deixa outras máfias italianas no chinelo. Fraudes em obras públicas, usura, extorsão e tráfico de armas são suas outras atividades.

RITUAL DE ENTRADA – Depois de segurar a Virgem em brasa, o iniciante recebe ainda um corte na mão para que os mafiosos presentes chupem seu sangue.

CRUELDADES – Comandaram cerca de 500 casos de ataques seguidos de incêndio só no primeiro semestre de 2010. Não hesitam em matar políticos e juízes. Nos anos 80, duas guerras entre clãs deixaram cerca de mil mortos.

 

 

Máfia Americana – EUA – 3 000 membros (80% na cidade de Nova York)

PRINCIPAIS GRUPOS – Bonanno, Colombo, Gambino, Genovese e Luchese formam as 5 famílias da máfia ítalo-americana, conhecida como Cosa Nostra – tal como a equivalente siciliana.

ORIGEM – Os americanos aprenderam os truques da organização mafiosa com os mestres – imigrantes italianos que chegaram ao país no final do século 19 e início do século 20. A gangue Five Points foi a mãe dos principais gângsteres modernos, como Bugsy Siegel e Lucky Luciano.

RAMO DE ATUAÇÃO – Ganhou fama e riqueza contrabandeando bebida alcoólica na primeira metade do século 20, com a Lei Seca dos anos 20. Com o fim da lei, em 1933, partiram para o jogo ilegal e outras áreas tradicionais: cafetinagem, tráfico de drogas, extorsão, agiotagem, fraude fiscal…

RITUAL DE ENTRADA – Segue o estilo da máfia siciliana.

CRUELDADES – Entre os anos 20 e 40, a concorrência era tão grande que o Sindicato do Crime – como a agremiação das principais gangues era chamada pela imprensa – criou a Murder, Inc. (“Assassinato S.A.”), espécie de “polícia” do crime que matava quem incomodasse os chefes.

 

LENDÁRIO AL CAPONE
O gângster mais hollywoodiano de todos (foto), nascido em Nova York em família italiana, dominou Chicago durante a Lei Seca, comandando o contrabando de birita e esquemas de jogo ilegal, prostituição, roubos e subornos. Virou inimigo número 1 dos EUA depois do massacre do Dia de São Valentim, em 1929, em Chicago, quando 7 pessoas foram metralhadas. O crime teria sido planejado por Scarface (seu apelido, por causa de uma cicatriz no rosto), na tentativa de acabar com a gangue rival de George “Bugs” Moran. Foi preso em 1931, por sonegação fiscal. Morreu em 1947, do coração, e com distúrbios mentais decorrentes de sífilis.

 

 

OUTRAS MÁFIAS

Tríades – Hong Kong – 250 mil membros

PRINCIPAIS GRUPOS – A mais poderosa Tríade é a Sun Yee On, com 40 mil membros, suspeita de ter ligações com o Partido Comunista Chinês.

ORIGEM – Sociedades secretas já existiam na China, mas foi no século 18, durante a dinastia Qing, que a poderosa sociedade Tiandihui (“Céu e Terra”), fundada por um monge em 1787, tornou-se a primeira Tríade da história.

RAMO DE ATUAÇÃO – Agiotagem, lavagem de dinheiro, extorsão, esquemas de proteção, prostituição, pirataria e tráfico de drogas, de imigrantes ilegais e de meninas.

RITUAL DE ENTRADA – Geralmente uma galinha é sacrificada e seu sangue é bebido pelo novo membro em uma taça. O utensílio é então quebrado e o iniciante lê 36 juramentos.

CRUELDADES – Em 2010 foram registrados 2 037 crimes relacionados à máfia chinesa, maior que a taxa restante de criminalidade de Hong Kong, que ficou em 1 076 registros.

 

Organizacija – Rússia – 307 mil membros

PRINCIPAIS GRUPOS – A Irmandade Solntsevskaya, liderada por Sergei Mikhailov, é o maior núcleo da máfia russa. Outro empresário do crime é Semion Mogilevich, um dos 10 mais procurados do FBI. É economista e conhecido como Brainy Don (“Dom Inteligente”).

ORIGEM – As máfias atuais surgiram com o fim da URSS, fortalecidas por ex-membros da KGB e das Forças Armadas. Chegaram a ter 40% da economia russa no fim dos anos 90.

RAMO DE ATUAÇÃO – Cobram o krysga (telhado) de empresas para a proteção contra outros grupos. E mais: sequestro, prostituição, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas e armas.

RITUAL DE ENTRADA – O novato deve ser recomendado por dois mafiosos para submeter-se à skhodka (iniciação), quando recebe um novo apelido que marcará sua nova vida.

CRUELDADES – É das máfias mais cruéis do mundo. O auge da violência aconteceu na década de 1990, quando guerras entre rivais deixaram milhares de mortos – em 1993, a Solntsevskaya matou 1 400 só em Moscou. Ultimamente tem feito menos vítimas.

 

Yakuza – Japão – 86 mil membros

PRINCIPAIS GRUPOS – A Yamaguchi-gumi tem 40 mil membros. É baseada em Osaka, mas se expande para Tóquio. A rival Sumiyoshi-rengo, de Kobe, vem em 2º lugar, com cerca de 10 mil.

ORIGEM – Provavelmente descende dos kabuki-mono, gângsteres que assustavam povoados no Japão do século 17. Já os mafiosos preferem se dizer a versão oriental de Robin Hood – seus antepassados seriam samurais que defendiam as indefesas vilas dos saqueadores.

RAMO DE ATUAÇÃO – Acionistas conhecidos como sokaiyas são os responsáveis pela extorsão de empresas. Jogos de azar, agiotagem, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, rotas de sexo e prostituição são outras atividades. No total, movimentam 242 bilhões de dólares por ano.

RITUAL DE ENTRADA – O novato bebe um gole de um copo de sakê e o líder do clã bebe de outro. Os copos são trocados para selar a fidelidade do kobun (protegido) ao oyabun (padrinho). As tatuagens no corpo todo servem para demonstrar submissão e resistência à dor.

CRUELDADES – Se um membro comete um deslize, decepa um dedo e o oferece ao oyabun.