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Mudar :como é que eu não percebi?

Denis Russo Burgierman, diretor de redação

O mundo muda um pouco todo dia. Mas muda nos detalhes: uma tecnologia nova aqui, um comportamento no­vo ali, uma mania que surge lá, uma no­va profissão, uma nova idéia, uma ne­ces­sidade nova. Esse processo acontece tão devagar que nem nos damos con­ta dele. Aí, quando acordamos, nada mais é como antes. Uma revolução estourou, o mundo mudou, um universo surgiu e outro entrou em colapso. E a gente se pergunta “como foi que não percebi quando isso aconteceu?”

Vou fazer um pedido a você. Leia a reportagem da página 76. Garanto que o texto vai deixá-lo perplexo, atônito, se perguntando como foi que uma revolução dessas, cheia de sinais óbvios à nossa volta, pôde acontecer sem percebermos. A reportagem fala da nova economia que surgiu dentro da internet. Contando assim parece um assunto chato. Mas e se eu disser para vo­cê que tem um monte de gente de carne e osso ganhando belos salários para exercer profissões dentro de videogames? Continua achando chato? Talvez ha­ja uma vaga para você…

A gente fica feliz quando a Super consegue captar no ar uma novidade grande como essa antes de qualquer outro. Pelo que sabemos, revista nenhuma no mundo tinha percebido esse fenômeno de um jeito tão claro. No Brasil, até hoje, essa revolução estava passando sem ser notada.

A Super serve em parte para isso: para antecipar tendências, farejar novidades, sacar o futuro. Mas nem sempre somos os primeiros a falar dos assuntos. Às vezes somos os últimos. Veja, por exemplo, a reportagem da página 82, sobre maioridade penal. A imprensa inteira já tinha tratado do assunto, aos gritos, em meio ao choque causado por um crime bárbaro acontecido no Rio. Nosso papel, nesse caso, foi tentar tratar do mesmo tema sem histeria, de maneira equilibrada, aprofundada, em busca de soluções. A Super serve para isso também: para ajudar a entender as coisas, consolidar o que se sabe, juntar dados, contrapor opi­niões. Para pegar à unha esse mundo complicado no qual vivemos e, todos os meses, tentar entendê-lo.

Grande abraço!