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O blog do trabalhador

Longe dos diários adolescentes, das páginas de denúncias e dos blogs ranzinzas sobre política, o dele mostra doidices da rotina de trabalho e dos pacientes que ajuda a salvar.

Texto Nina Weingrill

Quem sofrer um acidente em Londres corre o risco de ficar famoso na internet. É que o paramédico inglês Tom Reynolds tem uma mania comum a mais de 60 milhões de pessoas: blogar. Longe dos diários adolescentes, das páginas de denúncias e dos blogs ranzinzas sobre política, o dele mostra doidices da rotina de trabalho e dos pacientes que ajuda a salvar. Reynolds não é o único blogueiro que fala do próprio trabalho. Aqui no Brasil, o oficial militar carioca Alexandre de Souza, o taxista gaúcho Mauro Castro e a aeromoça paulista Paula de Paula (comissariadebordo.blogspot.com) também entraram na onda e têm até livros publicados com os dramas da vida profissional, as pessoas que conhecem e as situações absurdas que vivem durante o trabalho. “Assim conseguimos falar de coisas que acontecem in loco e que a mídia tradicional não conta”, afirma Alexandre, criador do blog Diário de um PM.

Na linha de frente

Na ambulancia

Sentado do lado de fora do hospital, eu vi seus avós chorar. Eles estavam acabados. Há 23 anos, eles provavelmente agradeceram a Deus por você ter nascido saudável. Imaginavam você como um médico, um professor, um pai. Agora você está morto, e por quê? Porque você usou heroína, porque você queria o prazer acima de qualquer outra coisa. Eu não ligo para você.” randomreality.blogware.com/blog

No táxi

A velhinha entra no táxi com dificuldade. Apesar da artrite, da esclerose, da vista curta e da grana pouca, a distinta senhora não perde a pose. Nariz empinado, as duas mãos sobre o cabo da bengala, braços estendidos, dá o destino da corrida com português correto: ‘Até a próxima esquina, por obséquio’. Corridinha curta como coice de porco.” http://www.taxitramas.blogger.com.br

No camburão

Ontem o major Wanderby publicou o quadro de salários da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Esses devem ser os valores brutos, porque meu salário de aluno oficial era bem menor que isso (R$ 724). Mas dá pra ter uma idéia: daqui a 30 anos vou receber mais de 7 pilas de caraminguá!!! Uau!” http://diariodeumpm.net