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O ciclo da moto

A motoca começou como magrela, passou por duas guerras mundiais, conquistou Manaus e a América. Agora, o futuro ao hidrogênio pertence

Texto Marcelo Brettas

1500 – O Esboço de Da Vinci

A novidade: Um esboço do que seria um veículo sobre duas rodas.

A máquina: Desenhado por volta de 1500, o projeto incluía manivelas, pedais e transmissão por corrente, algo que só seria inventado 3 séculos depois.

1790 – O pai de todas

A novidade: Um veículo sobre duas rodas.

A máquina: O projeto do francês conde de Sivrac tinha rodas unidas por uma tábua de madeira onde o condutor se sentava. O movimento vinha do impulso dos pés no solo.

1817 – Assumindo o comando

A novidade: Fazer curvas! E pedalar!

A máquina: Com um eixo vertical na roda, o barão Drais inventou a magrela com curvas – antes, o guidão não se mexia. Seu modelo seguinte incluiria pedais – a engenharia era a mesma de Da Vinci.

1869 – Passeio sem força

A novidade: Um motor.

A máquina: A paternidade é disputada pelo americano Roper, que fez, mas não patenteou; e pelo francês Perreaux, que patenteou, mas não fez.

1885 – Força na traseira

A novidade: A propulsão que usamos até hoje.

A máquina: Pedais, corrente, coroa na roda traseira. Todo o sistema que faria as motos andar estava aqui – com a exceção do motor.

1885 – Motor explosivo

A novidade: Um motor decente.

A máquina: Gotlieb Daimler (o mesmo da Daimler-Benz) acoplou um motor de combustão aos modelos já existentes. Agora as motos atingiam incríveis 6 km/h.

1887 – A roda reinventada

A novidade: Pneus!

A máquina: O filho do escocês John Boyd Dunlop reclamava da vibração nas rodas de madeira. Papai então criou um tubo de borracha oco que inflava com uma bomba de ar.

1894 – Esquema industrial

A novidade: A primeira fábrica de motos.

A máquina: Bom para a história, ruim para os donos: a Hildebrand & Wolfmüller vendeu apenas algumas centenas de suas motos caras e cheias de problemas. A empresa foi para o vinagre em 3 anos.

1897 – Os primeiras pegas

A novidade: Vamos ver quem chega mais rápido ali do outro lado.

A máquina: A primeira corrida aconteceu em Surrey, subúrbio de Londres. A velocidade se tornaria um laboratório de melhorias técnicas.

1900 – Descobrindo a América

A novidade: As motos chegam em casa.

A máquina: Nenhum outro lugar receberia as motos tão bem quantos os EUA. Uma década após o iníco da produção, mais de 20 montadoras já estavam emoperação.

1914 a 1918 – O poder do mito

A novidade: A 1ª Guerra muda as motos.

A máquina: A Harley-Davidson é a principal fornecedora do Exército dos EUA. Os combates levaram a uma revolução tecnológica, em especial nos freios e na suspensão.

1939 a 1945 – Moto em guerra

A novidade: As grandes marcas entram em combate.

A máquina: Cerca de 200 000 motos foram usadas em combate. Entre elas, a BMW R75 com sidecar (acima), dos nazistas, e a WLA, produzida pela Harley com exclusividade para o Exército americano.

1951 – Nós temos motoca

A novidade: Uma brasileirinha.

A máquina: A Monark lança moto com motor de 125 cc. A fábrica ainda lançaria 3 modelos maiores (com motores da Checoslováquia) e o ciclomotor Monareta.

1955 – Anos dourados

A novidade: Descer a rua Augusta com uma lambreta nacional.

A máquina: Começam a ser montadas no Brasil as primeiras Lambrettas e Vespas, que marcariam os hábitos e costumes de toda uma geração.

1976 – A favorita

A novidade: O Brasil produz em massa.

A máquina: A Honda inicia a produção em Manaus. De lá sairiam quase 10 milhões de unidades – a marca é líder de vendas no Brasil e fabrica a CG 125, grande dama do motociclismo nacional.

1998 – Motovelocidade

A novidade: Acelerar a mais de 300 km/h.

A máquina: Há uma década esta é a mais rápida do mundo, com 320 km/h. Mas isso foi antes de os fabricantes concordarem em limitar a velocidade máxima a 300 km/h. Eles temiam uma chuva de processos por acidentes fatais com motos.

2007 – Cara de boazinho

A novidade: A moto do bem.

A máquina: As motos precisam de um futuro ecológico – elas poluem pelo menos 5 vezes mais do que um carro. Este protótipo a hidrogênio chega a 80 km/h e não emite poluentes. Seu único problema: o motor não faz barulho de moto.