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O que são os curativos inteligentes usados na guerra do Iraque?

Na guerra do Iraque, o Exército americano testou no campo de batalha três dessas novas invenções

Luciana Pinsky

São novos produtos que prometem controlar hemorragias e fechar até mesmo ferimentos profundos em questão de minutos. Na guerra do Iraque, o Exército americano testou no campo de batalha três dessas novas invenções. A primeira delas é uma espécie de talco experimental com substâncias que atraem a água do sangue para apressar a coagulação. Outra é uma bandagem revolucionária composta por duas proteínas humanas coagulantes, o fibrinogênio e a trombina, que segundo a Cruz Vermelha americana – que durante décadas desenvolveu a novidade – consegue reverter até 20% das mortes causadas por sangramentos no front. A terceira invenção, aprovada em novembro do ano passado pelo Food and Drug Administration (FDA), a agência que regula medicamentos nos Estados Unidos, é um curativo feito a partir de uma proteína encontrada em cascas de camarão que, em contato com o sangue, também ajuda a formar coágulos.

Se passarem pelo desafio da guerra, os curativos inteligentes podem salvar muitas vidas. Afinal, calcula-se que as hemorragias são responsáveis por cerca de metade das mortes nos confrontos entre exércitos. “Desde o século 19, a única arma que as equipes médicas tinham contra esse problema era a tradicional gaze de algodão. O que se faz é comprimir o local para que o vaso rompido não seja responsável pela falta de oxigenação em outros pontos. Se essas bandagens realmente fizerem o que prometem, serão grandes aliadas para tratar ferimentos no dia-a-dia”, afirma o oncologista Dino Altmann, médico do hospital São Luiz, em São Paulo. Por enquanto, a grande restrição é a produção em pequena escala, exclusiva para as Forças Armadas dos Estados Unidos. Ao todo, o governo americano desembolsou cerca de 1,3 milhão de dólares para embarcar 2 400 curativos inteligentes para o Iraque.

Coagulação instantânea

Bandagens inteligentes prometem estancar sangramentos em até 3 minutos

O curativo mais promissor é uma espécie de esponja revestida por proteínas coagulantes, encontradas em cascas de camarão, que ajudam a fechar a ferida. Um gel aderente prende o curativo à pele, facilitando o transporte do ferido para longe do front

1. Quando o soldado é atingido por um tiro, um ferimento profundo é aberto e começa a sangrar. O impacto destrói vasos sanguíneos e células de várias camadas da pele deixam de receber oxigênio. A hemorragia pode ser fatal

2. O corpo tende a coagular a região, mas esse processo pode demorar demais. A idéia dos curativos inteligentes é acelerar a ação do organismo. Em contato com as células vermelhas do sangue, a bandagem apressa a coagulação

3. Segundo os fabricantes, em apenas três minutos o sangramento está controlado e o estado do paciente tende a se estabilizar. Com os sistemas circulatório e respiratório fora de perigo, o soldado não corre mais risco de vida e pode ser transferido para um hospital