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Observatórios primitivos na Itália

Os observatórios primitivos italianos serviam para orientar os antigos a determinar a entrada das estações do ano e, ainda, como abrigo em tempos de guerra.

Ronaldo Rogério de Freitas Mourão

Em 1987, ao estudar os monumentos típicos da região do Alto Adige, no norte da Itália, o astrônomo Edoardo Proverbio encontrou indícios de que eles teriam sido usados como observatórios solares. Dois em particular (um na colina de Joben e outro em San Pietro di Fie) estão nitidamente orientados em relação ao Sol. Assim, supõe-se que os antigos habitantes daquelas paragens determinavam com relativa precisão o inicio das estações e montavam seu calendário. Essas modificações, chamadas castellieri, se encontram por toda a Itália, mais especialmente na região alpina. São ruínas de terra batida, de forma mais ou menos circular, às vezes elípticas ou mesmo romboidais, que alcançam de 2 a 4 metros de altura e se estendem por 200 a 300 metros.

Do ponto de vista arqueológico, pouco se sabe sobre esses observatórios primitivos, pois até hoje continuam pouco estudados. E as perspectivas não são promissoras, já que eles vêm sendo lentamente destruídos por tratores que recuperam terras para a agricultura ou mesmo para erigir novas construções. Feitos com pedras grosseiramente talhadas e superpostas sem qualquer tipo de argamassa, eles se assemelham a fortificações, cercados por muralhas altas e espessas, algumas vezes rodeados por fossos. Tais características levaram especialistas a supor que em tempos de guerra serviam de abrigo às populações vizinhas.

Como alguns desses monumentos foram usados como bases militares durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) graças à sua posição estratégica, foram praticamente destruídos, particularmente na região de Triste. Os arqueólogos acreditam que os castellieri datam de diversas épocas a partir da Idade do Bronze (que em lugares do mundo começou por volta de 3000ª C.). Nas áreas que circulam as muralhas desses monumentos (espécies de praças), foram descobertos traços de habitações, como cabanas de forma circular feitas de pedra. Ali também existem grutas que podem ter sido usadas como local de cultos religiosos. Além dos castellieri, encontram-se com freqüência nos campos de Veneza e Friuli pequenos montículos, chamados tumulus (que quer dizer sepulturas). Eles também são de terra batida, geralmente de forma cônica, têm entre 5 e 10 metros de altura e sua base se estende por um raio de 10 a 25 metros.

Como os castellieri, também devem ter servido como abrigo e observatório, As ruínas dos castellieri de Joben, próximo a San Paolo d´Appiano – 16 quilômetros ao sul da cidade de Bolzano –, situam-se no meio de um bosque de pinheiros. Os grandes blocos de pedra, com dimensões diversas, em forma de paralelepípedo, lhe dão o aspecto de uma fortaleza. Tais blocos se distribuem mais especificamente do lado leste, onde se situa um longo corredor. Os lados oeste e norte limitam-se com uma encosta em declive, e o lado sudoeste, por um largo fosso. Vista em seu conjunto, a construção forma uma grade elipse. O que mais impressiona é o corredor bem conservado na extremidade sul, 27 metros de comprimento por 2 de largura. No meio desse corredor há um pequeno muro onde começa um corredor interno. Ali, em tempos pré-históricos, havia uma fenda, que devia ser usada para observações.

Ao fim desse corredor interno, na direção sudoeste, a muralha se alarga, como se fosse um altar. Cálculos realizados por pesquisadores permitiram determinar que tanto o corredor externo quanto o altar estão orientados astronomicamente para s pontos do horizonte onde o Sol nasce em 21 de março e 22 de setembro, ou seja, nos equinócios (na Europa) de primavera e outono Já o corredor interno se orienta para o ponto onde o Sol nasce em 22 de dezembro, o solstício de inverno. Essas datas costumavam ser festejadas com cerimônia em que agricultores e pastores pediam que a vlta do Sol fosse favorável ás colheitas e, indiretamente, à vida.

EVENTOS DO MÊS

A posição dos planetas

Não é muito difícil reconhecer os planetas no céu, já que não cintilam como estrelas. Para quem quiser observá-los no mês de setembro, o melhor caminho será localizá-los em relação á Lua. Em 3 de setembro, Vênus estará ao norte; em 4 de setembro, Saturno também estará ao norte; e, em 22 de setembro, Júpiter estará ao sul. A posição dos planetas será assim:


Mercúrio:
após seu máximo afastamento angular do Sol, em 29 de agosto, será visível como astro vespertino – logo depois do pôr-do-sol –, do lado poente, próximo do horizonte, até 18 de setembro (magnitude + 0,5).

Vênus: será visível como astro vespertino – depois do pôr-do-sol –, do lado a oeste. Em 6 de setembro, Vênus estará mais próximo ao norte de Spica, a estrela mais brilhante da constelação de Virgem (magnitude -3,6).

Marte:
em conjunção com Sol estará praticamente invisível. Júpiter: será visível na constelação de Gêmeos, como astro matutino, do lado leste (magnitude – 1,8).

Saturno:
pode ser visto na constelação de Sagitário como astro vespertino (magnitude 0,6).

Urano: visível na constelação de Sagitário como astro vespertino (magnitude 5,0).

Netuno: também visível na constelação de Sagitário como astro vespertino (magnitude 8,0).

Plutão: os amadores poderão tentar localizá-lo com telescópios de diâmetro superior a 20 centímetros de abertura. Como astro vespertino será visível na constelação de Virgem.

O cometa Brorsen-Metcalf

Entre os doze cometas periódicos cujo retorno estava previsto para 1989, o mais interessante deles, o Brorsen-Metcalf, poderá ser visto no mês de setembro: tanto por astrônomos amadores como pelos possuidores de pequenas e modestas lunetas, que após a passagem do Halley ficaram abandonadas à espera de um novo cometa. Será a terceira aparição desse astro desde que foi descoberto, em julho de 1847, pelo astrônomo dinamarquês Theodor Brorsen. Munido de um pequeno telescópio no Observatório da Universidade de Altona, em Hamburgo, Alemanha, Brorsen observou o cometa na constelação de Áries (Carneiro), como astro de tênue e difusa luminosidade. Em agosto de 1919, Joel Metcalf, astrônomo americano, observou o que logo foi chamado de Metcalf. Mas, em outubro daquele ano, outro astrônomo americano, Armin O. Leuschner, concluía que o Metcalf era o cometa de Brorsen.
As previsões sobre sua aparição este ano, baseadas nas duas anteriores, são incertas, mas os astrônomos esperam obter grande quantidade de dados sobre o movimento nos próximos meses. Em setembro, o cometa se dirigirá para sudeste através de Lynx (Lince), Leo Minor (Leão menor) e Leo (Leão). O brilho máximo que ele alcançara será a magnitude 6, na constelação do Leão, a 26 de setembro. Neste momento, o Brorsen-Metcalf estará nascendo pouco antes do início da aurora e daí em diante seu brilho vai decrescerem 15 de outubro alcançará a oitava magnitude; em 15 de novembro, a décima segunda; e em 15 de dezembro, a décima quinta.