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Os Malditos – Pega, mata e come

Jeff Dahmer matava, violava e comia os menininhos que seduzia, e conseguia se safar da polícia graças à capacidade ilimitada de mentir

Texto Willian Vieira

Um psicopata que se preze tem sempre uma desculpa para engambelar suas vítimas e se proteger da sociedade. Mas só alguém tão bom de lábia como Jeffrey Dahmer, então aos 31 anos, convenceria a polícia de que um menino asiático de 14 anos correndo pelado pela rua às 2 da manhã, grogue e desesperado, era seu namorado de 19 anos. E de que tudo não passara de bebedeira e briga conjugal. Konerak Sinthasomphone voltou ao algoz pelas mãos da polícia. Não foi mais visto. Amanheceu em pedaços. Sua cabeça virou troféu, literalmente.

Dahmer nasceu em 1960, em Mil­waukee, Wisconsin, nos EUA, e passou a infância quieto, sem amigos. Um dia seu pai sentiu um cheiro horrível no porão, onde achou uma pilha de ossos de animais. Jeff tinha 4 anos. “Ele parecia animado com o som que os ossinhos faziam com sua mão. Hoje não posso ver isso como coisa de criança”, escreveu o pai em sua biografia.

Jeff começou a pensar em defuntos aos 14, mas só realizou seu sonho aos 18. Deu carona a um rapaz e o levou ao seu quarto para transarem. Depois o matou com uma pancada na cabeça, picou o corpo e o enterrou no quintal.

Sua vida adulta foi desregrada. Lar­gou a universidade após um semestre e não durou no Exército. Bêbado, se envolvia em alguns atentados ao pudor. Mas a lábia era afiada. Acusado de molestar um rapaz, Dahmer passou a perna no juiz. “Imploro, poupem meu emprego, me deem a chance de mostrar que posso tomar rumo.” Deu certo. Foi condenado a regime semiaberto. Continuou a trabalhar – e a matar.

Após 10 meses, estava livre e se mudou para a casa da avó. Levou o corpo da segunda vítima para o porão, transou com o cadáver e o desmembrou. Cansada dos barulhos, a velhinha o expulsou. Dahmer então alugou um apartamento: o ambiente ideal para, em 15 meses, matar mais 12 rapazes.

Teria matado mais se não fosse o azar em julho de 1991. Policiais viram na rua outro jovem correndo algemado. Ele dizia que um louco tentava matá-lo. Os policiais foram até o apartamento de Dahmer. Quem abriu a porta foi um homem calmo, que se ofereceu para soltar as algemas. Estranho. Seria uma brincadeira erótica conjugal?

Os policiais entraram no apartamento de um quarto – arrumado, mas com cheiro nauseante. Acharam fotos de cadáveres, cabeças no freezer, mãos decompostas, vários pênis conservados em formol. Dahmer foi preso.

Teria se perdido “nos trilhos da loucura”, como dizia seu advogado, ou era um psicopata frio, “engenheiro” da maldade, segundo o promotor? Após ouvir psiquiatras, o júri decidiu que ele sabia o que fazia. Era culpado de matar 15 e deveria passar o resto da vida na cadeia.

E lá morreu Dahmer, atacado por um colega de cela em 1994, ano em que foi batizado como cristão.

 

 

Na cozinha com Dahmer
Só uma coisa era regrada na vida de um dos maiores psicopatas americanos: a forma como matava as vítimas

Troféus
Jeff guardava algumas lembrancinhas em casa: crânios pintados de cinza para parecerem de plástico, e, em formol, uma cabeça intacta e uma coleção de pênis. Depois, masturbava-se para seus troféus.

Experimentos
Ele chegou a abrir com uma broca a cabeça de alguns rapazes vivos para injetar ácido muriático. Jeff queria ver se eles virariam zumbis.

O ritual
Depois de dopar e estrangular garotos, Dahmer transava com os cadáveres, abria seu tronco, desmembrava-os, separava a cabeça e o pênis, derretia a carne com ácido e guardava os restos num barril. Cada etapa era fotografada para lembrança.

Jeff, o chef
Para descarnar cabeças, Jeff cozinhava-as. Chegou até ao canibalismo: confessou ter se servido do bíceps de sua oitava vítima. Para melhorar o gosto, refogou-o com vegetais.