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Os prós e contras do casamento, segundo Charles Darwin

O naturalista pesou as vantagens do casamento em oposição à carreira antes de pedir a mão de sua prima – cuja companhia ele considerou melhor do que a de um cachorro.

Por Luisa Costa 15 mar 2022, 19h50

Charles Darwin descreveu 11 de novembro de 1838 em seu diário como “O dia dos dias!”. Foi quando sua prima, Emma Wedgwood, aceitou seu pedido de casamento. Mas o naturalista britânico nem sempre esteve tão certo sobre a união. 

Antes do pedido – e da cerimônia, que rolou em janeiro de 1839 –, Darwin passou meses indeciso entre a vida de solteiro e o matrimônio. Então, o método escolhido por ele para chegar a uma conclusão foi rabiscar listas de prós e contras em seu diário – considerando, por exemplo, o impacto da união em sua carreira.

A primeira vez que Darwin recorreu ao método pouco romântico foi em abril de 1838 – dois anos após desembarcar do HMS Beagle, navio em que viajou por cinco anos coletando espécimes de plantas e animais ao redor do mundo. Nessa época, ele já era reconhecido no meio acadêmico e científico.

Na coluna “Casar” da lista, Darwin demonstra preocupação com a necessidade de “trabalhar por dinheiro” (para sustentar esposa e filhos) e com a possibilidade de “morar em Londres como um prisioneiro”. Casar “significa [tornar-se] limitado”. Já a coluna “Não casar” inclui planos profissionais e viagens solitárias pela Europa ou América.

Lista de prós e contras do casamento escrita por Darwin.

Dali a três meses, em julho de 1838, Darwin escreveria uma segunda lista de prós e contras. Entre os pontos favoráveis ao casamento, estavam as suposições de que Emma seria uma companhia constante, até a velhice, alguém para cuidar da casa e “melhor do que um cachorro, de qualquer maneira”.

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Já que tocava piano, Emma também poderia oferecer entretenimento musical ao cientista, além de “conversas femininas” – coisas “boas à saúde, mas terrível perda de tempo”, escreve Darwin.

Os filhos do casamento – que, segundo as anotações, viriam se Deus quisesse – também seriam uma boa companhia, apesar das possíveis brigas e despesas que causariam. 

Não se unir à prima significava “liberdade para ir onde quisesse”, conversar com “homens inteligentes em clubes”, não ter compromissos familiares e ter mais dinheiro para livros. 

Mas, dessa vez, o método leva Darwin à conclusão de que “é necessário casar”, pois seria “intolerável” passar a vida inteira apenas trabalhando. Ele escreve que não pode seguir sua vida solitária com rugas já aparecendo em seu rosto. Segundo ele, seria um escravo – “mas há muitos escravos felizes”, conclui.

Em carta de janeiro de 1839, Darwin escreve à Emma que ela o humanizaria e ensinaria que “há maior felicidade do que construir teorias e acumular fatos em silêncio e solidão”.

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Darwin casou-se com sua prima no mesmo mês, e a união durou mais de quarenta anos, até a morte do cientista. Durante as duas primeiras décadas da união, Darwin se dedicou a desenvolver (e aperfeiçoar incansavelmente) sua teoria da seleção natural – antes de publicar “A Origem das Espécies” em 1859.

Eles tiveram dez filhos, três dos quais morreram prematuramente. Darwin, inclusive, temia pela saúde de suas crianças suspeitando de que elas sofressem de problemas genéticos originados pela endogamia. 

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