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Ouro de Minas

Mestre Ataíde encheu as igrejas de cores e imagens e se consagrou como um dos principais artistas do Brasil colonial.

Por 31 out 2002, 22h00 | Atualizado em 31 out 2016, 18h25
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Rafael Kenski

Pinta de gênio

Manoel da Costa Ataíde viveu no mesmo lugar e época da Inconfidência Mineira. Percorreu toda a região pintando igrejas e revestindo de ouro adereços como esse sacrário em Mariana, Minas Gerais. “Ele fez pela pintura o que Aleijadinho fez pela escultura”, afirma a historiadora Cláudia Coimbra, que estuda o pintor.

Teto do céu

Ao pintar forros de igreja como esse, em Mariana, Mestre Ataíde muitas vezes desenhava colunas, paredes, púlpitos e outros elementos arquitetônicos em perspectiva. A técnica criava a ilusão de profundidade e dava aos fiéis a impressão de que havia um outro mundo acima deles.

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Limpo e belo

As pinturas de Ataíde são tidas como obras-primas do rococó. Ao contrário dos artistas barrocos que o antecederam – que enchiam com adornos e cores escuras todos os lugares da igreja –, suas imagens eram feitas com cores alegres e deixavam alguns espaços vazios.

Riqueza visual

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As tintas preferidas do pintor eram o vermelho e o azul, mas, em muitos de seus trabalhos, o único material utilizado era o ouro. A mineração já entrava em declínio na época, mas não faltou quem pagasse para que ele dourasse igrejas e esculturas.

Vida em branco

A história do pintor é muito pouco conhecida. Os pesquisadores têm provas de que foi alferes e professor de arquitetura, mas a maioria dos documentos sobre sua vida ainda deve estar perdida em arquivos. Os principais registros que deixou são suas pinturas, como as desse altar em Mariana.

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Arte perdida

Nenhum artista da época assinava suas obras. Por isso, muitas pinturas atribuídas a Ataíde podem não ser legítimas e talvez existam outras ainda desconhecidas. Quanto aos objetos autênticos, muitos foram abandonados, sofreram danos ou estão em péssimo estado de conservação.

Paraíso pardo

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O teto da igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, realizado entre 1799 e 1807, possui uma das principais pinturas da arte sacra brasileira. O curioso é que, ao contrário do padrão da época, os personagens nessa imagem do Paraíso possuem feições de mulatos. Para alguns historiadores, eles foram inspirados em uma amante de Ataíde e nos quatro filhos que teve com ela. Pelos registros oficiais, o pintor mineiro morreu solteiro.

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